sábado, 19 de maio de 2018

Poesia e Resistência



Poesia e Resistência

A Jornada de Estudos Poesia e Resistência, realizada nos dias 7 e 16 de maio de 2018, aconteceu nas instalações da Maison des Initiatives Étudiantes – MIE Bastille fruto da parceria feita entre Sorbonne Université, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França (APEB-FR). Em tempos de assombro, resta-nos agradecer a oportunidade de resistirmos juntos sobre poesia e seus modos de embate.

A primeira etapa do encontro constitui-se em uma palestra de abertura e duas mesas redondas. A palestra de abertura, proferida pela Profa Dra Cynthia Agra de Brito, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), enfocou nas potencialidades dos Letramentos Literários, em especial, com o trabalho do gênero SLAM de poesia, demonstrado como uma maneira de (re)existência nas escolas públicas de São Paulo.



Em seguida, a mesa redonda “Poesia em Resistência: o corpo fronteiriço” abordou a poesia como gesto corporal. Com Fernanda Villar, enveredamos pela perspectiva do Slam de Poesia e as noções pós-coloniais nas performances das poetisas belgas-concolesas Lisette Lombé e Joelle Sambi. A comunicação de Ana Ferreira Adão apresentou a poesia erótica de Maria Teresa Horta, poeta portuguesa contemporânea. Mariana Keller, a partir das anotações arquitetónicas sobre a poesia de Susanna Busato, remontou uma cartografia íntima do corpo no encontro com a cidade.



Na mesa “Modos de resistência nas poéticas contemporâneas”, Jean Carlos Pereira da Costa discutiu como o discurso poético acontece na montagem do filme Maranhã 66 de Glauber Rocha. Na comunicação de Sheila Staud traçou-se um percurso sobre as novas formas poéticas digitais com os poemas de Sérgio Vaz, Nelson Maca  e Negra Jaque. Lívia Bertges aproxima poesia e pintura como forma de leitura dos poemas de Arnaldo Antunes, em formato impresso e digital.



A segunda parte do encontro foi composta por três mesas redondas e uma palestra de encerramento. A primeira mesa intitulada “Diálogos: poesia e música” contou com dois participantes. Tiaraju D’ Andrea discorreu sobre os sambas-enredos apresentados nos desfiles das escolas de samba em 2018, além do trabalho formal, o conteúdo político-social reaparece como potência e Frederico Lyra expõe nas letras musicais da banda Rage Against the Machine protestos e demandas utópicas de resistência.



A mesa “Resistências: poesia em cordel” versou sobre o cordel enquanto gênero que resiste com a fala de Laura Bitarelli e as demonstrações de atualização na prática escrita de J. Borges. Com Solenne Derigond as questões sobre a patrimonialização do cordel e as práticas contemporâneas de imigração, ambas foram levantadas e discutidas como resistência do gênero.



Em “Poesia, memória e resistência”, mesa conjugada a palestra de encerramento, os ecos da memória chegam em vias da psicologia social pelo olhar de Mariana Afonso para os poemas de Helena Zelic. A fala final proferida pelo Prof. Dr. Leonardo Tonus, da Sorbonne Université, reverbera como gritos aos pedidos de socorro no abrigo poético, fazendo assim do texto acadêmico um entrelugar de resistência e resiliência, aos que não resistem à poesia.



Lívia Bertges (UFMT) e Leonardo Tonus (Sorbonne Université), organizadores da Jornada de Estudos Poesia e Resistência.



2 comentários:

  1. Parabéns aos organizadores! Por mais eventos assim: poéticos-literários e plurais em sua missão de resistir !!!
    Sheila Staudt

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  2. Excelente organização e espaço de discussão. A tarde foi curta para encontros tão bons.

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