sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Histórias tristes precisam ser contadas



Thiago Camelo

HISTÓRIAS TRISTES PRECISAM SER CONTADAS
e as felizes também.
como se dissessem Você precisa deixar rastros.
Como se falassem Pense nos fatos.
Como se dissessem Lembre
lembre-se dos fatos que o forjaram
dos gestos inaugurais.
E mais
lembre-se de quando percebeu que os momentos
muitos deles irrelevantes a qualquer um
esses momentos na verdade eram seus, era você.
Você pode se ocupar da infância e ir direto à Coca-Cola
ou pode se lembrar da adolescência
do dia em que descobriu
fascinado por descobrir sozinho
que um farmacêutico criou a Coca-Cola
e o sócio, um contador
fez aquele logotipo insinuante com a própria caligrafia.
Você pode pensar nos publicitários
um exame sobre a sua vida adulta
se enxergar nas propagandas aviltantes.
Ou pode acreditar na beleza do desenho
os C C maiúsculos e irmãos
a onda ~ que flui para dentro do ℓ
o traço – o hífen mais certeiro do mundo.
Ou você pode lembrar que a Fanta
um produto The Coca-Cola Company
foi criada pelos nazistas
das erfrischende Getränk
e pode considerar a quantidade de benzeno na
                                                  [Fanta Laranja
e aí pensar em câncer
em guerra.
Mas pode também se deter na cor laranja do
                                                   [refrigerante
na fixação infantil à Fanta Uva
ou descobrir que em Hong Kong existe a Fanta Láctea
sabor leite.
Ou pode simplesmente abrir uma Coca-Cola
ou ir a uma máquina de refrigerante e
ao seu gosto
dosar o gás e o xarope.
Pode cantar Alegria, Alegria
pensar em filmes e nos peitos da Brigitte Bardot
se sentir atraído pelo Caetano jovem
pelo Caetano velho.
Ou pode olhar o Sol
e quem sabe não lhe venha o Van Gogh
a ideia de que
se houver deuses
o Sol seria um bom deus
Van Gogh acreditava nisso
não, Van Gogh acreditava em um Deus único
mas, sim
Van Gogh pintava sóis como se fossem deuses.
De dentro das pinceladas espirituais de Van Gogh
você pode chegar àquela frase de seu amigo
como não levantamos para ver o Sol nascer todos os dias
ou ponderar que é exatamente por isso que não
                                                       [levantamos
nascer todos os dias é igual a não nascer nunca.
Mas você pode
como sempre
tropeçar no Pessoa
abrir o livro em uma página qualquer e ler

Nunca poderia odiar uma terra em que eu houvesse visto
um poente escandaloso.

E lembrar que de fato você já viu um sol único
alguns sóis únicos
no fim de tarde mais do que de manhã
porque você acorda tarde.
Ou pode se transportar para a tarde fria de outubro
em que a luz de Lisboa, logo a luz de Lisboa
estava branca e dura como a de um hospital.
De lá, com medo e afeto, você pode querer voltar
dormir em Copacabana
e você ama Copacabana e houve tantos dias felizes
                                                      [em Copacabana.
Você pode lembrar todos os regressos a Copacabana
a saída do metrô da Siqueira Campos sempre o
                                                          [emociona
o cheiro de maresia, ali é a sua casa e sempre vai ser
ali o barulho não incomoda.
Ainda assim, você pode ir andando até o Forte
sentar no teto da casamata
sentir por horas o silêncio
a vibração da cidade desligada
olhar o mar do Rio de outra perspectiva
e constatar
um disparate, não importa
que só você entende aquele lugar.
Talvez você pense Nem é preciso estar atento
e você pode descobrir
desatento
rochas semissubmersas
lajes distantes da costa
nas quais ondas se formam e quebram subitamente
como se naquele vórtice houvesse uma pequena praia
ou um pequeno oceano
um segredo de surfistas.
Você pode imaginar as ondas desfazendo as
                                        [moléculas de água
ou pode anotar num papel verbos que o sensibilizam
condensar, afastar
colapsar, romper.
Pode pensar na película de água
no momento do mergulho
quando o corpo vence essa fina resistência
vislumbrar uma boa foto
ou continuar
homem–fundo
imergindo.
Você pode se lembrar de 2011
quando leu sobre a Fossa das Marinas
o ponto mais extremo do oceano
você se lembra?
O texto dizia Onze mil metros de profundidade
o texto dizia Antes de alguém pisar na Lua
dois homens conseguiram tocar a Fossa das Marinas
dizia Até hoje só outra pessoa visitou esse lugar
e doze homens já foram à Lua.
Quantos já escalaram o Everest?
Você pode pensar em pesquisar
ou pode tentar recordar a altura de cabeça
você sabe que não chega aos nove mil metros.
Você pode contrapor os onze mil metros do oceano
                                   [aos nove mil metros de terra
e você vai achar que a Terra está se afogando
você vai comparar o continente a uma pessoa com
                                                 [água até o pescoço.
Ou você pode se desligar de imagens que dizem pouco
e pensar no japonês que aprendeu a mergulhar aos 60
você não recorda e talvez precise de mais detalhes.
Você pode tentar desvelar a memória
pode não conseguir
ou pode lembrar que o japonês buscava o
                                      [corpo da mulher
pode lembrar que ela morreu no tsunami de 2011
lembrar que ele a procura até hoje.
É possível que isso o comova novamente
e que você se faça a mesma pergunta
se fosse a terra ao invés do mar
esse homem continuaria procurando?
Você pode ficar na terra
andar por florestas e montanhas.
Até onde chega um tsunami?
Ou pode olhar para o céu e sair da galáxia
ou recuar e sair apenas do Sistema Solar
esbarrar nos corpos que orbitam a Próxima Centauri.
Pode dançar no espaço como moléculas de água
quem sabe ser tragado pela gravidade do planeta
                                                             [habitável.
Ou pode se manter no fundo do oceano
olhar no olho de um cachalote
lembrar que encontram de tudo dentro do estômago
                                                       [de um cachalote
até pedaços de motor de carro.
Ou você pode lembrar que o cachalote é o animal com o
                                                        [cérebro mais pesado
e o cachalote também é o maior animal com dentes
você já leu sobre isso quando ficou obcecado por
                                                                [cetáceos.
Então você já deve saber
no estômago dos cachalotes
foram encontrados animais desconhecidos
espécies fronteiriças, semialienígenas
que vivem
ou se escondem
em águas abissais.
Talvez você imagine
nas entranhas do cachalote
corpos preservados
ou em pedaços
uma lula-colossal
ou a perna do capitão Ahab.
Você pode pensar no cachalote como um
                                      [oceanário morto
um repositório de carne e carcaça.
Ou pode querer escrever cachalote em caixa-alta
você tem essa vontade.
Não seria difícil se lembrar daquele museu.
Era um museu?
Era uma exposição no Jardim Zoológico da
                                           [Berlim Oriental
você leu sobre ela
você escreveu um e-mail com um trecho da reportagem

“Num mostruário de vidro foram colocados todos os objetos
encontrados dentro do estômago de uma morsa (um grampo
de cabelo, palitos de sorvete, um isqueiro cor-de-rosa,
óculos de sol, um carrinho de plástico verde, um pente de
metal, uma chupeta, uma lata de cerveja, uma bússola).”

Aquilo o impressionou, certo?
E algo começou a soprar
uma intuição que você sabia autoindução
mas também uma vontade desencorajada
pois você sabia, sempre soube
que não pode ser tudo.
No entanto, o sopro
como o sopro de um animal menor que você
chegava leve e você só conseguia chamar de
                                        [irresponsabilidade
uma irresponsabilidade decisiva
luminosa, irrecusável
você quer poder tudo
se condenar a querer
ou não se esforçar
dizer Hoje eu não vou me esforçar.
Você já pensou em ser guarda de museu
já pensou em observar o dia inteiro
ao mesmo tempo
obras e pessoas.
Você já pensou Ser guarda de museu
o que você poderia testemunhar
o que poderia admirar
odiar calado, porque
afinal
você é um guarda de museu e opinar
felizmente
não é sua obrigação.
Como reagiria
ou como não reagiria você, guarda de museu
àquela instalação-performance
camas espalhadas numa sala
luz baixa
música incidental, barulho de cachoeira
cobertores com maracujás gigantes estampados
todos têm que dormir, diz o panfleto
inclusive o autor da obra
por isso não se incomode
vou grudar eletrodos na sua cabeça
eles vão monitorar o seu sono.
Você olha para o guarda de museu
para o telão que transmite as ondas de
                               [atividade cerebral
ao lado da sua onda, uma luz vermelha
os dois
você e o guarda
são os únicos acordados.
Você o inveja, é necessário admitir
você inveja a calma
ou o desprendimento de quem não tem que.
Você não suporta esse sentimento
você pode querer fugir dali.
Ou pode se abrigar no quadro Mi Joven Amiga
pode morar nos fios de cabelo desta mulher
ou nos fios, nos mil fios do suéter de lã
ou no chapéu
nos milhares de pelos de algum animal morto
                              [que ela carrega na cabeça.
Você pode morar no olhar desta mulher
no tempo desta mulher
na juventude dela
ou pode se afastar
notar a moldura de ouro
a parede branca
os bancos desconfortáveis do museu
pode ver o guarda bocejando
pressentir não só a monotonia
que seria suportável e muitas vezes desejável
mas também o tédio interrompido
visitantes que perturbam o equilíbrio entre
                                          [o ócio e o nada
eles querem saber onde fica
pois não conseguem descobrir sozinhos onde
afinal
fica o banheiro.
Você pode continuar se afastando
desaparecer do museu em linha reta
ou dar meia-volta
observar aquela estrutura sem sentido
que você ama
porque tirou a arte da sala dos ricos
que você nega
porque cobra pelo ritual
pelo valor simbólico das obras.
O valor simbólico das obras.
Você pode se lembrar do Van Gogh e da miséria
e pode se apegar a isso e seguir em frente
resiliente
ou pode pensar no Picasso e na vaidade
no egoísmo, na ingratidão, nos maus-tratos
pode querer o que ele teve
ou pode dizer a si mesmo
aceito tudo
aceito a falta de aptidão e o ostracismo
aceito vagar pelo mundo como uma alma
uma alma, infelizmente, de artista sem talento
mas com uma missão
não ser como o Picasso.
Ou pode olhar uma luz branca e vislumbrar
talvez eu veja algo aqui, talvez um pássaro branco
mas pode ser o mar, uma onda.
Você pode ter vontade de compor uma música
ou pode nem abrigar o pensamento
desacreditar e se distrair com a manchete
                                     [que acabou de ler
traumatismo ocular na era dos black blocs.
Você pode clicar no link, ler novamente a manchete e
                                                                 [fechar a aba
ou pode ler a matéria inteira e admitir que é sério
há um simpósio de oftalmologistas sobre isso.
Você pode achar que todo mundo ficou maluco
ou pode entrar no Facebook e postar a notícia
comentar com palavras de cachalote
todo mundo ficou maluco.
Pode sentir um alívio imediato
ou pode se arrepender imediatamente
e mergulhar na culpa de ser humano e
ainda assim
ou quem sabe por isso
ter que se sujeitar a comandos rudimentares
como aquele que associa felicidade a recompensa
como aquele que contrapõe ordem/caos.
Você pode se lembrar da necessidade triste
constrangedora
de organizar as ruas
a nossa continuidade
por meio de sinais de trânsito.
Essa frustração pode habitá-lo como uma pedra.
Ou pode atravessá-lo como um rio.
Uma resignação milenar
ou um fluxo de medo e coragem
você pode sentir tudo ao mesmo tempo
ou pode conseguir escolher o que o atinge.
Pode se recolher ao aprendizado solitário
ou pode
em meio ao maravilhoso deserto da solidão
lembrar-se de Yip Man, o mestre de Bruce Lee
e assim repetir e repetir em voz alta
Até o Bruce Lee teve um mestre.





Essa repetição o acalma.
Você segue com ela
aprende como um discípulo
você erra
por mais que tente
você erra.
Você se defende do impossível
você ataca o vento
nenhum erro
até que erra.
E você erra muito
erra o tempo inteiro
e continua errando
até que não haja distinção entre os erros
são sempre erros
são sempre iguais.
E você pode se perguntar
é possível cometer novos erros
ou todos os erros já foram cometidos?
E você pode desistir de errar
e desistir de tudo
ou pode querer errar de outra forma
e iniciar um novo ciclo
sabendo que tudo voltará ao início
ou recusar tudo
inclusive a ideia de início.
Restaria uma pergunta
o que fazer se tudo ficar bem?
Isso pode lhe dar sono
ou insônia
e você olha o seu gato dormindo
e cogita a hipótese de os animais não terem insônia.
É uma doença do homem, você pode pensar
mas não é, você já leu
cachorros podem sentir insônia
animais matam a própria espécie
animais cometem suicídio
mas apenas o homem elabora a própria ausência, diz o artigo.
Você pode refletir sobre o lugar da consciência
ela está em você
está em você e nos animais
ou está entre vocês
no lugar do gesto e do contragesto
no espaço entre os corpos
como em uma dança.
A última hipótese sempre o confortou
mas em algum momento você pode se incomodar
afinal, você sempre soube
você humaniza os animais
você humaniza as plantas
você humaniza os objetos.
Você pode se opor à autoconsciência
ou pode achar a questão inócua
a autoconsciência existe, assim como a projeção.
Os animais são humanos porque tenho medo
As plantas são humanas porque tenho medo
Os objetos são humanos porque tenho medo.
Pode pensar no mosquito
quando você não sabe se o apanhou
quando sua mão ainda está fechada no ar
ele já sabe que foi capturado?
Você pode cerrar a mão com toda a força
tentar esmagá-lo
pode relaxar os dedos
tentar matá-lo com a outra mão.
Ou ele pode voar quando você abrir a mão
sem saber que aquilo era sua mão
sem saber de nada
mas, sobretudo
sem saber que morreria
que só não morreu porque você é lento.
Ou você pode pensar que os animais são velozes.
Pode se lembrar do dia em que observou
com uma lupa
os detalhes de uma aranha capturando um inseto.
Você viu os olhos do inseto
os relevos do corpo do inseto
as patas da aranha
as dobras de cada pata da aranha
as aranhas tecem rápido, você notou
mas demoram para comer.
Você pode se recordar da luta entre paquidermes
rinoceronte versus hipopótamo
e não só dessa luta, mas das disputas entre
                                       [todos os animais.
Você pode ir à internet
cachalote versus lula-colossal
há simulações de duelos entre animais
                   [de ecossistemas distintos
entre animais em extinção
entre animais que não existem.
Há quem conjecture batalhas entre
                  [dinossauros e dragões.
Você pode crer na infantilização do mundo
ou pode ficar horas assistindo no YouTube
                      [a simulações desses embates
pode se sentir um idiota
ou pode defender a tv
panfletar Toda informação vale a pena.
Você acredita nisso
mas não sabe lidar com os desejos
controla-se
ou se cansa
e se lembra do dia em que ouviu
entre o som de ares-condicionados
geradores, motores, baterias
tomadas, toda sorte de frequências
e muitas vozes
você ouviu um indivíduo
uma única pessoa dizer para uma única pessoa

Até essa sensibilidade cansar de mim, tudo o que eu fizer vai
ser para imitar o que vi.

Aquilo o desconcertou, e você passou dias pensando
que sensibilidade, o que vai ser feito
e, especialmente
você se perguntou o que foi visto.
Pode ser a morte
e você não pensa.
Ou pensa numa fruta caindo da árvore
ou se imagina pulando e constata
como um princípio básico de alguma ciência
que a fruta caindo é mais urgente
é fundamental que ela caia
é mais urgente que seu pés tocando
de volta
o chão.
Ou, finalmente
talvez você pare de fugir
e pense na velhice.
É isso que você quer
ficar velho
é isso que você teme.
Como se dissessem Você precisa pensar
Como se dissessem Pense nos velhos
os velhos chamam a mãe de mamãe
o pai de papai.
Você pode achar que é uma saudação à infância.
Ou pode achar que é medo
um deslocamento consciente
infantil.
Há outra hipótese, mas você apenas a tateia.
E se for desprendimento
uma maneira de alargar o tempo
não reconhecer um fim
não dissociar um começo?
A criança e a morte.
Você pode se deter nessa ideia
e não existe outra suposição
você quer se deter nela
portanto você se detém.
Você volta a pensar no sono
ou volta a pensar na inconsciência.
É a maior morte que se pode experimentar vivo.
A última sensação possível
você teme
a divisa entre o aqui e o nada
você teme
o último instante de atividade.
Depois, você sabe
os neurônios se apagam como as madrugadas
luz após luz, a sala, a cozinha, o corredor, o quarto
os olhos.
Você não consegue dormir
e você não para de pensar Todo bebê é igual
todo velho é igual
somos iguais quando nascemos
quando morremos.
Você se obriga a pensar
eu sou jovem
pele firme
ainda tenho viço.
Mas você sofre um contragolpe
os jovens também são iguais entre si
como os velhos e os bebês
muitos jovens precisam de pulseiras
algo que os identifique.
Não!
Como se dissessem Ser jovem
viver a pequena fatia da vida em que estamos aqui
em que somos nós mesmos
nos parecemos com nós mesmos.
Regar-se da própria individualidade.
Como não se confundir com o outro?
Como não se transformar no outro?
Você repete e repete Resistir é nossa maior batalha
resistir ao que nos quer destruir
resistir ao que nos quer igualar.
E, por ora, você pode não ser igual
é o que você quer
e você olha para o mundo
você se reconhece
e você se sabe desigual.
Você se pergunta todos os dias
como conciliar o fato de ser sul-americano
mestiço, falar português
como conciliar o meu lugar
o que sou
com aquilo que não sou
ou com aquilo que também sou.
Você tem respostas claras
ou fala consigo mesmo todos os dias
até se convencer da clareza
até não reparar nos detalhes
ou enxergar os detalhes com a vista distante
como quem usa um binóculo ao contrário.
Mas há o mindinho do pianista
mas há o pé do pianista.
Você pode rejeitar os detalhes
em geral é o que você faz
mas o que fazer com estes detalhes
coisinhas que habitam as galáxias e o fundo do mar
e o espaço entre as galáxias e o fundo do mar.
Há muitas histórias
como se dissessem Elas precisam ser contadas.

XXX


Thiago Camelo nasceu em 1983, no Rio de Janeiro. Também é autor de Verão em Botafogo (2010), A ilha é ela mesma (2015).

Descalço nos trópicos sobre pedras portuguesas ( Editora NOS) será lançado na próxima segunda-feira, dia 28 de agosto,  na Livraria Travessa de Botafogo às 19h00.

Livraria da Travessa (Botafogo)
R. Voluntários da Pátria, nº 97
22.270-000 Rio de Janeiro





Nenhum comentário:

Postar um comentário