terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Eu escrevo para quem?

Leia o que quiser por prazer
e o obrigatório por razão

Por Maira Garcia


Nas feiras e festas literárias é preciso criar mais oportunidades para editoras pequenas, da periferia, e demais seguimentos, conferindo representatividade.O selfie vai se manter, mas pode ser diferente. Precisamos de mais selfies nos livros e nas novas caras da literatura que corre nas bordas.




Alguém que escreve e aproxima sua literatura à vida das pessoas, é uma espécie de ativista, independente de que atividade paralela exerça. É ofício de todo escritor trabalhar com as palavras e dar trabalho para elas.





Das políticas Públicas que passam por pessoas, escolas e bibliotecas nascem saraus. Mas existe o caminho inverso. Saraus que criam leitores e escritores que passam a participar com mais força da comunidade. Estes exigem e atuam pelas melhorias do entorno. E olham de perto as ações do governo.


Eu escrevo para que alguém leia,
numa aldeia, num vilarejo, em Tejo.
Eu escrevo para que alguém sinta,
e também minta, dizendo que não leu.
Eu escrevo para quem não enxerga,
pra quem não vê, mas que alguém conte,
que as mãos saibam.
Eu escrevo para quem não quer ler.
Eu escrevo para quem não tem tempo.
Eu escrevo para quem quer esquecer.
Eu escrevo para quem quer escrever.
Eu escrevo para quem quer.
Eu escrevo para quem?

xxx


Maira Garcia, 45 anos, é cantora, compositora, redatora, contista e poeta formada em Propaganda pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Participa do Centro de Artes e Promoção Social do Grajaú, em São Paulo, uma ONG que promove rodas para a construção do conhecimento.  Autora de um blog que reúne poemas, aforismos e contos chamado 'Depois da Lua de Ontem', são mais de 2000 textos que se preparam, através da seleção de amigos escritores, virar um livro de papel.




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