segunda-feira, 30 de maio de 2016

A arte de contar

A arte de contar

Escrever hoje literatura é se jogar de um trampolim de cinquenta metros de altura com os olhos vendados sem saber o que nos espera no chão, afirma um dos personagens do romance Sérgio Y, vai à América do escritor Alexandre Vidal Porto.

De fato e como sugere o crítica brasileira Regina Dalcastagnè : “O espaço da ficção contemporânea hoje é tão ou mais perigoso que o da realidade”.  Segundo a critica, a literatura  contemporânea « ja não busca consolar ninguém, nem estabelecer verdades ou dar lições de moral ». No espaço ficional  contemporâneo « os heróis valorosos,  os gesto magnâmicos,  as palavras eloquentes desapareceram ». Mesmo as vãs instâncias narrativas que outrora controlavam e tudo comandam sumiram. Hoje o espaço da ficção contemporânea é um espaço traiçoeiro que impõe novas formas de habitabilidade às suas personagens, às suas  vozes autorais e ao próprio leitor.


É a partir destes espaços perigosos, imprevisíveis, incertos, labirínticos e estrábicos que os narradores e as personagens dos romances de Claudia Nina, João Guilhoto e Alexandre Vidal Porto observam o mundo a seu redor. É a partir destes espaços que suas personagens e seus narradores se entrechocando uns com os outros, tropeçam e caem pelos caminhos inseguros que percorrem. É através dos percursos labirinticos que trilham, a partir dos lugares efêmeros em que se inserem e de onde falam que eles reafirmam a imprevisibildiade do mundo e as armadilhas dos discursos. É a partir destes espaços, enfim, que eles  nos leva a optar por escolhas sempre incertas e imprevíseis.

Estas e outras questões foram debatidas no encontro realizado com os escritores Claudia Nina, Alexandre Vidal Porto e João Guilhoto  no âmbito da 3° edição do Printemps Littéraire Brésilien em Paris.



Ouçam o debate gravado no dia 24 de março na Fondation Calouste Gulbenkian em Paris cliquando no link abaixo :




L’art de raconter
Com Claudia Nina, Alexandre Vidal Porto  e João Gilhoto
Moderação : Leonardo Tonus, Nicolle Ortiz, Vicente Cusin (Université Paris-Sorbonne) e Simone Paulino ( Editora Nós)



Alexandre Vidal Porto nasceu em São Paulo, em 1965. É diplomata de carreira e mestre em direito pela Universidade de Harvard. Estreiou na literatura com o romance Matias na cidade, publicado pela editora Record, em 2005. Foi blogueiro da revista Bravo!, da Editora Abril, e atualmente é colunista do jornal Folha de São Paulo. Recentemente, teve dois contos incluídos na Antologia de Prosa Contemporânea Brasileira, organizada pela Universidad Autónoma de México (no prelo). Seu segundo romance, Sergio Y, vai à América, publicado em 2014 (Companhia das Letras) foi vencedor do Prêmio Paraná de Literatura. Ativista de direitos humanos, viveu em Nova York, Cidade do México e Tóquio. Atualmente, mora em São Paulo.


Claudia Nina é Jornalista e doutora em Letras pela Universidade de Utrecht, na Holanda, com tese sobre Clarice Lispector, publicada pela Editora da PUC-RS (A palavra usurpada, de 2003). Trabalhou como professora-visitante na Uerj, em Teoria Literária. Desta experiência, nasceu a base da pesquisa para seu segundo livro: A literatura nos jornais: crítica literária dos rodapés às resenhas (Summus, 2007). O livro A barca dos feiosos, com ilustrações de Zeca Cintra, foi sua primeira obra de literatura infantil, lançada em 2011. O texto, que fala de diversidade, foi apresentado como trabalho final de curso do Publishing Management – O negócio do Livro, pela Fundação Getúlio Vargas. Pela Editora DSOP, publicou seu segundo livro infantil, Nina e a Lamparina, com ilustrações de Cecília Murgel. Também publicou o perfil biográfico ABC de José Cândido de Carvalho (Editora José Olympio), e os romances Esquecer-te de mim (Editora Babel, 2011) e Paisagem de porcelana (Rocco, 2014). Os lançamentos mais recentes são os infantis A misteriosa mansão do misterioso Senhor Lam (Vieira & Lent, 2015) e A Repolheira (Aletria, 2015). Participou em 2014 da antologia Vou te contar (Rocco), com o conto “Na solidão da noite”. É colunista da Revista Seleções (Reader´s Digest). Paisagem de porcelana é finalista do Prêmio Rio de Janeiro de 2016.


João Guilhoto nasceu em Lisboa em 1987 e viveu grande parte da sua juventude na cidade de Lamego. Em 2009 começou a trabalhar como jornalista. Passou pelo jornal Público como estagiário e mais tarde colaborou com outras publicações portuguesas. Lançou os seus primeiros textos literários nas revistas LER e Cult. Depois de uma série de viagens realizadas pela Europa, decidiu mudar-se para a Alemanha. Em 2015 lançou o seu primeiro livro, O livro das aproximações pela Editora Nós, no Brasil.




Um comentário:

  1. Buenos días a todos y muchas gracias por compartir tanto sobre arte. Para los que estamos dando los primeros pasos, este tipo de recursos nos ayuda mucho a aprender y mejorar. Les comento que hace un tiempo hice un curso y empecé a producir mis propios diseños. Estaría bárbaro que nos recomienden también otros sitios en donde salir a vender el diseño que producimos. Gracias y saludos desde Temperley, Buenos Aires!

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