terça-feira, 15 de março de 2016

J'aime lire et j'ai un tas de livres.



Angelo Abu, Teiniagua
J'aime lire et j'ai un tas de livres.

Era uma vez um padre e um rei narra a história de amor entre Daniel e seu avô. O menino, que adora ouvir as histórias do avô, está triste porque ele deixou de contá-las. Daniel, inconformado, faz de tudo para que o avô volte a contar as aventuras que tanto o encantam (pescarias, índios e tesouros), casos engraçados (dia em que o barco pegou fogo e pularam ratos para todos os lados)  e lendas (Negrinho do Pastoreio, Sepé Tiaraju, princesa moura encantada que mora na barranca do rio). O desfecho, repleto de ternura, reserva uma surpresa aos leitores.  Era uma vez um padre e um rei  da jornalista, escritora e advogada Mariza Baur tem ilustrações da artista Aline Daka e projeto gráfico do arquiteto e professor de design Airton Cattani. que o editou pela Editora Marcavisual.



Il était une fois un prêtre et un roi...

Il était une fois un prêtre et un roi... et le reste, je n'en sais plus, dit-il, mon grand-père.

Et voilà, on dirait qu'il va raconter une histoire, mais ne la raconte pas. Juju, ma petite sœur, quand elle entend ce couplet, elle applaudit de joie. Elle ne comprend pas que grand-père ne nous raconte plus ses belles histoires. Mais elle n'a que trois ans. Moi, je vais avoir 10 ans le mois prochain. J'aime lire et j'ai un tas de livres.

Ce que j'aime surtout c'est d'écouter ses histoires. Alors je lui demande :
    - Eh bien, grand-père ! Raconte-moi une vraie histoire. Celle du fleuve Uruguay. Ou, alors, celle sur les indiens et les gaudérios. Raconte-les, grand-père !
Il sourit d'un sourire triste et me promet :
     - Je te les raconterai l’'un de ces jours mon garçon. L'un de ces jours...

Grand-père est très chouette. Je l'aime vraiment. C'est la personne que j'aime le plus au monde. J'adore passer mes journées avec lui. Si j'ai des doutes, il m'aide dans mes devoirs. Et en plus, il cuisine un riz carreteiro tellement délicieux ! Meilleur que celui de ma mère.

C’est grand-père qui m'a appris à ne pas avoir peur de brebis aux gueules noires et à monter à cheval. Aujourd'hui je sais déjà harnacher presque tous les chevaux de la ferme, sauf Tordilho Éclair. C’est grand-père qui m'a appris aussi à aimer le football. Les jours de matchs de notre équipe nous y allons ensemble les supporter.

La seule chose qui m'attriste c’est qu'il s'est arrêté de me raconter des histoires. Il me le promet, promet mais il ne le fait pas.

Grand-père connaît tellement d’histoires. Quelques-unes drôles, d'autres qui en font pleurer, comme celle du Negrinho do Pastoreio. Il me fait de la peine ce Negrinho, dévoré tout entier par des fourmis ! Il me fait tellement de la peine. L’histoire de Teiniaguá, la princesse mauresque enchantée qui habitait les fondrières du fleuve Uruguay, me fascine. Et il y a aussi celle de l'indien Sepé Tiaraju, si courageux. Comme il s'est battu pour défendre la terre des Missions. Sans parler des histoires que grand-père racontait aux adultes par téléphone. Quelle aventure ! Je feignais de ne rien entendre, mais je tout écoutais. Quand il s'en apercevait, il se dépêchait de raccrocher :
  -Maintenant, je ne peux plus parler. J’ai quelqu’un en culotte courte à mes côtés !

              Negrinho do Pastoreio de João Mottini
Era uma vez um padre e um rei...

...e o resto não sei, diz meu avô. 

Agora é assim, parece que ele vai contar uma história, mas não conta. Juju, minha irmã pequena, quando escuta este versinho, bate palmas de alegria.  Não entende que história, que é bom, o avô não conta mais. Também, ela só tem três anos...

Eu vou fazer dez no mês que vem. Gosto de ler e tenho um bocado de livros meus. Gosto mais ainda de ouvir histórias. Aí eu peço:

- Puxa, vô! Conta uma história de verdade. Aquelas do Rio Uruguai. Ou, então, de índios e gaudérios. Conta vô!
Ele sorri um sorriso triste e me promete:
- Um dia desses, meu neto, eu conto. Um dia desses...

O avô é trilegal. Gosto dele de verdade. É a pessoa de quem mais gosto no mundo. Adoro passar o dia com ele. Se tenho dúvidas, me ajuda na lição de casa. E cozinha um arroz de carreteiro tão bom! Melhor que o da minha mãe.

Foi o avô que me ensinou a não ter medo das ovelhas de cara negra e a montar num cavalo que era bem manso. Hoje já encilho quase todos os cavalos da estância, menos o tordilho Relâmpago. Foi o avô que me fez amar o futebol. Nos dias de jogos do nosso time, vamos ao estádio e lá torcemos juntos. A única coisa que me deixa triste é que ele parou de contar histórias. Promete, promete e não conta.

São tantas as histórias que o avô conhece. Umas engraçadas, outras fazem chorar, como a lenda do Negrinho do Pastoreio. Coitado do Negrinho!  todo comido pelas formigas. Eu morria de dó.  A história da Teiniaguá, a princesa moura encantada que mora nas barrancas do Rio Uruguai, me deixava fascinado. E também a história do índio Sepé Tiaraju. Tão Valente! como lutou para defender a Terra das Missões. E os casos que o avô contava para os adultos por telefone? Cada aventura! Eu fingia que não ouvia nada, mas estava ouvindo tudo.

Quando ele percebia, apressava-se em desligar:
- Agora não posso falar, apareceu um calça-curta ao meu lado.


Era uma vez um padre e um rei.. de Mariza Baur. Ilustrações de Aline Daka e projeto gráfico de Airton Cattani. Editora Marcavisual, 2015.



Mariza Baur. Jornalista, escritora, advogada e procuradora do Ministério Público. Estudou Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco – Universidade de São Paulo (USP) e Jornalismo na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. Foi diretora da UBE – União Brasileira de Escritores. É autora do livro infantojuvenil Era uma vez um padre e um rei...      (Editora Marca Visual, 2014). Prepara-se para lançar o livro Paris Férias Verão Beijos (prosa poética).Tem contos, crônicas e poesias publicados em diversas antologias. Recebeu prêmios literários no Brasil e na Itália. Vive e trabalha em São Paulo. Contato: mpbaur@uol.com.br


Mariza Baur est journaliste, avocate et Procureur de la République. Diplômée de Droit par l’Université de São Paulo et de journalisme par la Faculté de Communication Sociale Cásper Líbero  elle a dirigé l’UBE – Union Brésilienne des Ecrivains. Plusieurs de ses nouvelles, chroniques et poèmes ont été publiés dans des anthologies au Brésil et à l’étranger pour lesquelles elle a reçu de nombreux prix. Elle est également l’auteur de Era uma vez um padre e um rei, publié en 2014 aux éditions Marca Visual. Mariza Baur vit et travaille à São Paulo. Contact : mpbaur@uol.com.br



Mariza Baur participera aux activités du Printemps Littéraire Brésilien jeudi 18 mars au Centre Clignancourt de l’Université Paris-Sorbonne. Consultez le programme en cliquant sur : Printemps Littéraire Brésilien

Mariz Baur participará das atividades do Printemps Littéraire Brésilien na próxima quinta-feira no Centre Clignancour da Université Paris-Sorbonne. Consultem o programa clicando em : Printemps Littéraire Brésilien

Consultez le facebook de l’écrivain : https://www.facebook.com/eraumavezumpadreeumrei/

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