quinta-feira, 26 de novembro de 2015

DicionáriArquitetado


DicionáriArquitetado
Rubens Jardim(*)



Salvador Dali - Anthropomorphic Chest of Drawers, 1936, oil on wood, 25 x 43 cm, K20, Düsseldorf



PAIXÃO
Palavrarquitetada: limiar

No limiar é promessa
No limite é ruptura
Tudo dentro do escuro.

IMPOTÊNCIA
Palavrarquitetada: impotência

Este poema não diz nada
Da mesma forma
Que a história não diz tudo.
Língua cortada
Este poema não fala:
-falha.
E insiste:
-dedo em riste.


CARNE
Palavrarquitetada: carne

Quem sou eu
Na carnação do ato:
Fausto sem Goethe
Holograma
Ou fogo-fátuo?

LABIRINTO
Palavrarquitetada: labirinto

Anarda era uma viagem
Dentro do tinteiro. Cor e acorde
Anarda era uma âncora
Dentro do tinteiro. Antes marco
E agora traço, Anarda é signo,
Insígnia, dentro do tinteiro.
Não diante do papel ou adiante
Da vida, mas antes e depois
(dentro)
Pois apesar das penas e seus galos
Mortos, Anarda é ave, vôo
Dentro do tinteiro.




Rubens Jardim é jornalista e poeta. Publicou poemas nas antologias: 4 NOVOS POETAS NA POESIA NOVA(1965,SP), ANTOLOGIA DA CATEQUESE POÉTICA(1968,SP), POESIA DEL BRASILE D'OGGI(1969,ITÁLIA), VÍCIO DA PALAVRA(1977,SP),FUI EU(1998,SP), POESIA PARA TODOS(2000,RJ), ANTOLOGIA POÉTICA DA GERAÇÃO 60(2000,SP), LETRAS DE BABEL(2001,URUGUAI), PAIXÃO POR SÃO PAULO(2004,SP),RAYO DE ESPERANZA(2004,ESPANHA),CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA (2008,RS). É autor de três livros de poemas: ULTIMATUM (1966), ESPELHO RISCADO (1978) e CANTARES DA PAIXÃO (2008). Promoveu e organizou o ANO JORGE DE LIMA em 1973, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta, evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da literatura do Brasil. Organizou e publicou JORGE, 8O ANOS - uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano. Integrou o movimento CATEQUESE POÉTICA, iniciado por Lindolf Bell em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares.. Participou da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (2008) com poemas visuais no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional. Fez também leituras no café Balaio, Rayuela Bistrô e Barca Brasília. E participou da Mini Feira do Livro, com o lançamento de Carta ao Homem do Sertão, livro-homenagem ao centenário de Guimarães Rosa.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Eu, cowboy


Eu, cowboy

Eu, cowboy de Caco Ishak é um não-livro onde personagens parecem sumir e reaparecer a contragosto do autor. Através da não-história de Carlo Kaddish, um fracassado em plena crise existencial dos trinta, o romance surge aos olhos do leitor como um universo movediço ancorado no deserto líquido da contemporaneidade De seu promontório fraturado, o protagonista observa o microcosmo de Belém e regurgita personagens, situações e espaços cujo esgarçamento territorial e identitário desafia à própria feitura romanesca. Vômito literário e conceitual Eu cowboy, vem, segundo as palavras do crítico Ronaldo Cagiano, descascar o verniz da etiqueta de um mundo fetichizado pelo deus mercado e marcado por um politicamente correto contrário ao fazer artístico.

Capítulo XVIII
As luzes continuavam piscando. Abre e fecha os olhos. Abre e fecha. Abre e fecha. Abre. And now I see the long, the short, the middle and what's in between. Cagalhão de merda... e dá-lhe cusparada na cara. Fecha. I could spit on a stranger. “O que te deu na cabeça, bicho?! Tu cuspiu no cara!” Dá um tempo, Hermano. Abre. You ́re a bitter stranger. Desci pro porão. Cusparadas seguidas em quem subia pela escadinha estreita de madeira, quase um boliche. Pull me out. Uma multidão atrás de mim. “Carlo, volta aqui!” Fecha. Whatever you feel. “Calma, amigo, ele tá muito bêbado, eu vou dar um jeito nisso”. Abre. Whatever it takes. Do porão pro cemitério. Subi numa mureta e da mureta pra laje. “Carlo, desce daí! Tu vai te matar!” Fecha. Whenever it ́s real. Balde d ́água na cabeça de quem estivesse embaixo. Abre. Whatever awaits me. “Puta que pariu...” Fecha. “Se tu não descer agora, eu juro que subo aí e te mato de porrada, eu mesma!” Abre. I ́ll be the one that leaves you high. Era alto. Uma queda dali y adiós. Desci ao tempo em que o segurança chegava. “Porra, cowboy, tu é só mancada. O cara aqui disse que tu cuspiu na cara dele. Bora lá pra fora conversar, bora”. Eu? Cem por cento zonzo. “Não, meu amigo, relaxa. Pode deixar que ele tá comigo. Eu tava lá na hora, vi tudo. Não foi cuspe, ele só espirrou. Foi sem querer mesmo, de verdade”. Mentira tua. “Cala a boca, Carlo, vem pra cá”, Manoela me puxou prum canto. Por quê? Fecha. “Tu tava ficando com ela no carro, seu filho da puta?” Dente do Demônio rindo à toa. Abre. Hermano de volta à roda. “Tudo resolvido. Agora, vê se para, pelo amor de Deus”. Fecha. Eu deitado na terra, Rudie Ruth dando com a sandália na minha cara. Pé dentro. Dente do Demônio, tudo muito engraçado, dando uma força amiga. Abre. Eu, agarrando a perna de Rudie Ruth. Fecha. Sangue na boca. Sangue do dedão do pé de Rudie Ruth na boca. Gritos. Abre. Hermano apartando a briga. Fecha. Eu, tomando o rumo da roça com a macaca nos ombros. Abre. Eu na frente de um espelho. Fecha. “Arromba essa porra!” Abre. Espelho, vaso sanitário e pia aos pedaços. Todos os seguranças do Café Farofa invadindo o banheiro. Fecha. Pancada na clavícula. Abre. Eu, nadando de costas por cima da multidão. Mas não fui eu, porra! “Cala a boca, cowboy! Dessa vez é pra valer! Aqui, tu não pisa mais não! Tá banido!” Cês não tão entendendo! NÃO. FUI. EU. Eu, Carlo. Tu, escada. A gente já se conhece, lembra? Tudo bem contigo?


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Capítulo XXI
Passando da hora disso tudo terminar. Escuta. Pega pra direita. Segue reto. Continua, vai. Começando a não fazer sentido. Presta atenção no que eu estou dizendo.
Não abre os olhos. Não abre. Escuta.
Só porque não estão entendendo não quer dizer que não esteja fazendo sentido. Continua. Anda, vai. Cuidado pra não tropeçar. Não tropeça. Nem olha pra trás. Não para. Desvia do buraco.
Não abre.
Só desvia. Não olha pra trás. Pega pra direita de novo. Passando da hora de colocar a cabeça no lugar. As peças estão espalhadas pelo tabuleiro. As respostas estão todas lá. Sempre estiveram todas lá. A questão sempre foi achar a pergunta certa. Ninguém sabe. Cachorro de rua nenhum sabe da tua desgraça. Uiva à vontade. Tua desgraça não cabe na rua. Não olha pra trás. Ninguém está te vendo. Segue em frente, vai. As respostas sempre estiveram todas lá. Não tem como fugir. Foco e risco.
Eu disse pra não abrir. Agora, vai ter de recomeçar tudo do zero.
Tua desgraça é de apartamento. Tua desgraça é de colo de vó. Tua desgraça é do tamanho de um mundo compactado na colher de sopa que tua vó te dava na boquinha. Direita outra vez.
Melhor fechar logo, sem embromação, vai.
Antes, tudo parecia tão mais simples. Tão mais fácil de ser visualizado. Éramos os cinco, os seis, somente nós, os três, os dois que sobraram pra contar a história. Não me culpa agora se tuas costas doem. Se teus cabelos caem. Se tuas dívidas te afogam. Se teus amigos te abandonam. Se tua mulher te abandonou. Se tua filha já não sabe mais que tem um pai. Não me culpa pelo fracasso que é tua vida.
Quanto mais demorar pra fechar, pior. O que é difícil de imaginar, viu, tendo chegado aonde chegamos.
E, agora, no meio desse enxame de gente morta zumbindo na minha cabeça, agora, despencando em queda-livre com um enxame de gente morta zumbindo nas nossas cabeças, agora, despencando em queda-livre, agora, só agora, foi que me ocorreu uma dúvida.
Isso. Fecha. Só não abre mais.
Não tem do que ter medo. Bicho-papão só existe até os sete anos de idade. Depois, tudo é real.
Onde exatamente essa história teve um fim? Um começo vem pra todos. Um começo sempre vem pra todos. Nascemos com as mesmas chances. Ganha o jogo quem descobrir primeiro quando começou a perder.
Tudo pisca. Tudo se move. Tudo é comida.
Late à vontade. Assim, uiva. A matilha já te reconhece pelo cheiro. Bom trabalho. Tua desgraça já é da rua, já é do povo. Uiva. Se te jogarem pedras, uiva. Se te jogarem água pelando das casas, uiva mais alto. Se te cortarem a garganta, uiva mesmo com o sangue jorrando e borbulhando teu uivo. Mas não te esquece nunca da tua natureza. Um gato se faz cão entre os cães pra sobreviver tão somente. Leva tua vida como um gato. Te esgueira como um gato. Uiva pra sobreviver. Não ladra, não pensa: uiva. Cá está teu manto. Para.
No fundo do mar ou em terra-firme, tudo é comida.
Essa é a pergunta certa. Quando foi que eu comecei a perder? Não tem como fugir. Só não ganha o jogo quem não quiser.
No nada em que se transformaram nossas vidas, tudo é comida.
O manto que protegerá a única vida que te sobra. Da caixa de papelão que te aprisionava entre ser ou não ser, um manto que protegerá tua liberdade tecnicolor. Envolve teu corpo e segue. Vai bater nas portas das casas. Vai pedir a benção dos pais sem medo de descabaçar suas filhas. O manto te protegerá.
Não adianta abrir os olhos. Fecha os olhos de uma vez. Não tem interruptor à vista. Somos todos comida. É tudo real.
Foco e risco. Termina logo com isso. Não tem escapatória.
O manto te protegerá. Só mais alguns passos. Toca a campainha. Uiva. Luzes. Estão chegando. Faróis acesos. Estão chegando. Corre. Vai embora. Não tem saída. Pula na frente do carro. O manto te protegerá.
Fecha os olhos e dorme. Amanhã talvez seja um novo dia. Nunca se sabe. E, se não sabemos, melhor dormir.
Morre tentando ou tenta viver de uma vez.


Caco Ishak nasceu em 1981, na cidade de Goiânia, embora tenha sido criado em Belém. Escritor, jornalista e tradutor literário, teve textos publicados na exposição “Blooks: Letras na Rede”, com curadoria de Heloísa Buarque de Hollanda, Bruna Beber e Omar Salomão; em projetos literários organizados pelo escritor gaúcho Paulo Scott (Ruído e Literatura, Na Tábua, e Orquestra Literária); em sites e revistas literárias como Modo de Usar & Co., Poesia Sempre, Paralelos, Cronópios, Musa Rara, Bala, Cortiça, Ornitorrinco, Machado, Nerval, Rosa; entre outros. Foi idealizador e curador da primeira galeria virtual brasileira, “baixo.calão” (2007-2010 avec Cardoso), voltada à arte urbana e ao lowbrow. Acabou virando Mestre em Epistemologia da Comunicação pela USP.

Pela editora carioca 7Letras, lançou Dos versos fandangos ou a má reputação de um estulto em polvorosa (2006) e Não precisa dizer eu também” (2013), este sendo traduzido para o inglês (parcialmente), o alemão (na íntegra, por Marcia Huber e Burkhard Sieber) e o espanhol (por Catalina Arroyave).

Em 2014, participou das antologias de contos “Tudo o que não foi”, organizada por Deborah Kietzmann Goldemberg (Carlini & Caniato), e “Vou te contar”, em homenagem aos vinte anos do falecimento do maestro Tom Jobim, organizada por Celina Portocarrero (Rocco).

Em 2016: “An Anthology of Contemporary Brazilian Poetry”, organizada por Ana Guadalupe e Jeremy Spencer (Scrambler).

Seu primeiro romance, “Eu, Cowboy”, foi publicado em 2015, pela Oito e Meio.

Informação do site do autor : http://ciaocretini.org/

Confira a resenha de Ronaldo Gagiano sobre o romance Eu, cowboy no site da São Paulo Review : http://saopauloreview.com.br/geografia-do-caos-numa-prosa-dilacerante/



quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Manuel Bandeira

Hommage à Manuel Bandeira

Le 24 novembre à 17h00, l’ambassade du Brésil sera fière de rendre hommage au poète Manuel Bandeira.

À cette occasion, le public aura le privilège de voir le manuscrit de « Estrela da Manhã », cadeau de Bandeira à Abgar Renault.

Ensuite, le professeur Júlio Castañon donnera la conférence « Manuel Bandeira et le projet moderniste ».

Ne manquez pas ce moment « bandeirien » unique en France !

Inscriptions jusqu’au 19 novembre par mail 
(cultural.paris@itamaraty.gov.br)

Entrée gratuite, dans la limite de places disponibles

Homenagem a Manuel Bandeira


Em 24 de novembro às 17h00, a Embaixada prestará, com muita honra, homenagem ao poeta Manuel Bandeira.

Na ocasião, será apresentado manuscrito de "Estrela da manhã", presenteado ao acadêmico Abgar Renault pelo poeta, e o Professor Júlio Castañon apresentará a conferência “Manuel Bandeira e o projeto modernista”.

Não perca esse momento bandeiriano único na França!

Inscrições até 19 de novembro pelo email 
cultural.paris@itamaraty.gov.br

Entrada franca, no limite de vagas disponíveis


Ambassade du Brésil - Service culturel
34, cours Albert 1er
Paris 75008

France

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Littérature Brésilienne en Belgique

Littérature Brésilienne en Belgique

L’Ambassade du Brésil en Belgique et la Revue Pessoa ont le plaisir de vous inviter au lancement de l’anthologie La littérature brésilienne contemporaine (Edition spéciale – Salon du Livre de Paris 2015), en présence de Tércia Montenegro (romancière et professeure à l’Université Fédérale du Ceará) et de Leonardo Tonus (organisateur de l’anthologie et professeur à l’Université Paris-Sorbonne).

La rencontre (en français), suivie d’un débat, aura lieu le jeudi 19 novembre à 18 heures à la Maison du Brésil

Avenue Louise, 350
Bruxelles (00332)2 6402015

Literatura Brasileira na Bélgica

A Embaixada do Brasil na Bélgica e a Revista Pessoa tem o prazer de convidá-los ao lançamento da antologia La littérature brésilienne contemporaine (Edition spéciale – Salon du Livre de Paris 2015), em presença de Tércia Montenegro (romancista e professora na Universidade Federal do Ceará) e de Leonardo Tonus (curador da antologia e professor na Université Paris-Sorbonne).

O encontro (em francês), seguido de um debate, acontecerá na quinta-feira dia 19 de Novembro às 18 horas na Casa do Brasil

Avenue Louise, 350, Bruxelles
( 00332)2 6402015




Revivez le lancement de l’édition spéciale en français de la Revue Pessoa - La littérature brésilienne contemporaine - réalisé sur le stand du Brésil pendant le Salon du livre de Paris de 2015 ! Cliquez sur le Lien : RevistaPessoa - Salon du Livre de Paris 2015

Pour acquérir l’édition spéciale en français de Revue Pessoa, contactez : revistapessoa@revistapessoa.com



Revivam o lançamento da edição especial em francês da Revista Pessoa – A literatura brasileira contemporânea - realizado no stand do Brasil durante o Salão do Livro de Paris de 2015! Cliquem no link : Revista Pessoa  - Salon du Livre de Paris 2015

Para adquirir a edição especial em francês da Revista Pessoa, contactem: revistapessoa@revistapessoa.com

A versão em português pode ser comprada na Amazon no link : Amazon/Pessoa

Ou na Kobo/livraria cultura, pelo link : Combo/cultura

sábado, 14 de novembro de 2015

Luto/En deuil



Toutes nos pensées aux victimes des attentats du 13 novembre et à leurs familles

Nossos pensamentos às vitimas dos atentados do dia 13 de novembro e às suas familias

Leonardo Tonus

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

L’Enfant de la plantation

L’Enfant de la plantation

Rencontre avec la traductrice et éditrice Paula Salnot

Le mercredi 4 novembre
17h30-18h30

Amphithéâtre Tocqueville
Université Paris-Sorbonne- Centre Clignancourt

2 Rue Francis de Croisset
75018 Paris
M° Porte de Clignancourt

L’Enfant de la plantation de José Lins do Rego, a été publié au Brésil en 1932 et traduit une première fois en 1953 par Jeanne Worms-Reims (éditions Deux Rives). Paula Salnot a décidé de retraduire et republier ce roman dans le cadre de la publication de trois des œuvres de cet auteur qui lui paraissent les plus significatives : L’Enfant de la plantation (Menino do Engenho), la Horde sauvage (Cangaceiros) et Crépuscules (Fogo morto).



Anacaona est une maison d'édition indépendante française, fondée en 2009 par Paula Salnot. Les éditions Anacaona se veulent une passerelle de diffusion de la littérature marginale brésilienne – littérature faite par les minorités, raciales ou socio-économiques, en marge des nerfs centraux du savoir et de la grande culture nationale, avec leur langage, leurs histoires, leur façon de raconter le Quartier. Une littérature de rue, une littérature populaire avec du sens, un principe, un idéal : honorer ce peuple qui a construit ce pays sans jamais recevoir sa part. Le talent littéraire est ici mis au service d’une cause politique ou sociale – éclairer les masses ignorantes, accroître la capacité critique du public, construire un futur meilleur.

Pour plus d’informations sur José Lins do Rego et les autres publications des Editions Anacaona, consultez le site : www.anacaona.fr


Consultez, également, l’interview de Paula Anacaona pour le blog Etudes Lusophones sur : Les marginaux dans la littérature