quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Passarinho

Efrain Almeida. Peça da instalação “10 Hummingbirds” 

Passarinho

Susana Fuentes (*)

Ele não quis nem molhar o bico. Nem se aproximar do farelo de biscoito.

Eu estava em casa e o pássaro havia entrado pela janela. Deixei à vista água e farelo, enquanto criava coragem para mostrar a ele a saída. É agora, eu pensava, mas logo vi que não conseguiria mover um dedo em sua direção.

Se fosse até bem pouco tempo atrás, quando eu não tinha tantos medos.

As asas davam-me susto a cada vez que eu tentava me aproximar. Se eu o afugentasse com um pano até que ele encontrasse o espaço da janela aberta... Mas ele ficava naquele canto do vidro e quando se debatia era apenas para cima um pouco, e nunca para os lados. Também, do outro lado do vidro era só luz à sua frente, lá em baixo o topo das árvores, o abismo que importava mais que tudo naquele instante. Como poderia contornar a barreira do vidro que para ele não existia?

O único jeito era eu mesma apanhá-lo e soltá-lo no rumo certo. Mas parecia frágil demais para tê-lo em minhas mãos, tive pavor que se desmanchasse ou quebrasse uma asa com o simples toque. Ou talvez ele me bicasse. Olhei para a ponta do bico, era pouco provável que me arrancasse a pele. O medo do contato era pelo receio do desconhecido. Ele tinha medo de mim também. Partia-me o coração vê-lo pressionar a cabeça contra o vidro a cada vez que eu voltava à sala decidida a agir. Bicava a transparência que o dividia do mundo, sem compreender, eu então desistia de me aproximar, ele me dizia fique aí... e eu ficava. Tudo para não vê-lo debater-se.

Por isso abandonei a convicção de superar meus medos e chamei o zelador do prédio. Para ele não tinha problema nenhum. Mas com a mesma naturalidade com que afirmava isso, adiava a ajuda para daqui a uma hora. Não dava para esperar, não por mim, mas pelo pássaro, como seu coraçãozinho aguentaria mais uma hora a separá-lo do mundo? Os poucos voos contra o vidro já comprometiam as penas de sua cauda, onde havia sinais de combate.

Tatiana Trouvé - Installation sonore

Aí me armei de coragem fruto de minha indignação e pensei que se para o senhor na portaria tudo aquilo era tão simples assim, eu mesma arregaçaria as mangas. Aproximei-me. Dessa vez, o pássaro não se mexeu. Era uma rolinha, eu chamaria de rolinha o que não era nem beija-flor, nem sabiá, bem-te-vi ou pardal. A penugem de um acinzentado lilás. Olhinhos redondos, o bico encurvadinho de lado... Ele decidira ficar parado e me olhava como estátua, sem piscar. E reagindo à sua decisão, também eu virei pedra. Poderíamos ficar uns bons minutos ali. Mas não quis permanecer no jogo, pareceu-me injusto fingir que acreditava na sua astúcia, e que ele me enganava com seu disfarce que lhe dava tanta força. Apesar do alívio em ver que ele afinal desistira de debater-se.

Pelo menos me dá tempo para pensar. Mas ali pensar era o pior a se fazer, e no instante em que, num sopro, afugentei o pensamento, lancei as mãos ao alto e não foi de uma vez como eu pensava, foi em fuga no bater de asas que minha mão direita aparou seu corpinho, e com a mão esquerda fiz a base onde ele de repente ficou quietinho. Era um corpo real, não se esfacelava como as mariposas, não fugia fácil como os insetos, não me causou sobressalto. Ele se rendeu assim que sentiu as minhas mãos nas asas. As asas se encaixaram com jeito sem quebrar, dois passos meus e já estávamos no centro da janela aberta.

Havia uma rede e tive medo que ele se atrapalhasse, fiz-lhe um carinho com a ponta do dedo, e não tive mais tempo para mais nada: numa explosão ele se lançou através da rede no ar que durou infinito até o parapeito de uma janela mais alta. Ali ficou um quarto de hora, recuperava-se do susto, parecia bem, mas eu estava determinada a não abandonar minha vigília enquanto ele não batesse novamente em retirada.

Atendi o telefone e mantive a conversa sem tirar os olhos do parapeito da janela em frente. Ele não se movia. O que esperava para juntar-se aos outros nas copas das amendoeiras e dos flamboyants em flor?    
  
De repente meu amigo se lançou, o voo esperado, mas despencou, sem bater as asas, tive tempo de pensar se ele se atirava ou caía, mas sem fôlego pude ver perfeitamente quando ele girou o peito firme, as asas fechadas junto ao corpo em espiral, já era dono de seu rumo, e sumiu na folhagem viva, espessa.



Susana Fuentes é autora do romance Luzia (7Letras, 2011), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2012. Seu livro de contos Escola de Gigantes (7Letras, 2005) foi selecionado para a Biblioteca do Professor no programa “Rio, uma cidade de leitores”, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro em 2010, sendo distribuído entre os professores da rede do município. Doutora em Literatura Comparada e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, desenvolve pesquisa de Pós-Doutorado UERJ/FAPERJ. Teve seus contos publicados em diferentes antologias e escreveu a peça teatral Prelúdios: em quatro caixas de lembranças e uma canção de amor desfeito, onde também atua. Em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim no Rio de Janeiro em 2009, foi selecionada para participar do festival de teatro The New York International Fringe Festival em 2012 e convidada para encerrar o 4º Festival Nacional do Conto em Florianópolis, em 2014, no SESC. Participou em 2014 e 2015 do Salão do Livro de Paris, do Printemps Littéraire Brésilien na Université Paris-Sorbonne, e de leituras n’ A Livraria em Berlim. Do livro Escola de Gigantes, o conto Sumaúma e reco-reco, ‘Tiger and the Silk Cotton Tree’ na tradução de Alison Entrekin, fará parte da edição especial sobre o Brasil da revista Wasafiri - International Contemporary Writing, em Junho de 2015.

Assistam à entrevista de Susana Fuentes para o Blog Etudes Lusophones. Cliquem no link : Um dedo de prosa com Suana Fuentes



sábado, 19 de setembro de 2015

Remapping Brazilian Cultural Studies


Remapping Brazilian Cultural Studies
Remapeando os Estudos Culturais Brasileiros

University of London, Senate House,
Court Room, Malet Street, London WC1E 7HU
25 September 2015


9:15-9:30 Welcome and Introduction to Conference

Stephanie Dennison (Leeds), Sara Brandellero (Leiden) and Tori Holmes (Queen’s University Belfast)

9:30-10:30 Conference Keynote

Professor David Treece (King’s, London ): A special case? Exceptionalism and interdisciplinarity in Brazilian cultural studies

Chaired by Professor John Gledson (Liverpool)

10:30-10:45 COFFEE

10:45-11:30 Session One: The Shifting Role of the Culture Industries in Brazil
(Chair: Stephanie Dennison, Leeds):

Carmen Villarino Pardo (Santiago de Compostela) : Novo desafios para a cultura: a economia da cultura e os processos atuais de internacionalização do Brasil

Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne) : Torcicolos acadêmicos e os guetinhos brasilianistas

11:30-12:10 Session Two: Re-reading the Canon
(Chair: Sara Brandellero, Leiden):

Felipe Botelho (King’s, London ): Lima Barreto’s “inéditos”: A methodology to uncover pseudonyms

Ana Paula Cardozo de Souza (Leiden) : João do Rio: um visitante da noite (1903-1913)

Claire Williams (Oxford) : How to Build a 1950s Woman: Luiz Fernando Carvalho channels Clarice Lispector

12:10-12:45 Session Three: Brazilian Cultural Studies in the Classroom
(Chair & Respondent: Aquiles Brayner, British Library):

Rosane Ramos (King’s, London) : Literatura brasileira em movimento

Antônio Márcio da Silva (Kent) : Quando o ensino de língua e estudos culturais andam de mãos dadas: reflexões sobre uma abordagem para Estudos Brasileiros em contexto universitário

12:45-13:40 LUNCH

Lunchtime screening: ‘The Heart of Brazil’, a selection of photographs by Sue and Patrick Cunningham of the Xingu River communities

13:40-14:40 Session Four: Remapping Identities
(Chair: Ana Martins, Exeter):

Lúcia Sá (Manchester) : Remapping racism in Brazil: Prejudice against indigenous peoples in times of agrobusiness

Louise de Mello (Seville) : Unveiling identities and ethnicities concealed under the Brazilian nationality in South-West Amazonia

André Cicalo (King’s, London) : Race relations and Afro-Brazilian material heritage: Looking at Rio de Janeiro with a diachronic approach

14:40-15:20 Session Five: Digital Visibilities
(Chair: Chandra Morrison, ILAS):

David Wood (Sheffield) : One Hundred Years of Golitude: Football and literature in Brazil

Thea Pitman (Leeds) : In search of digital indigenous peoples: A non-tokenistic approach to Brazilian Cultural Studies from your average Latin-Americanist

Tori Holmes (Queen’s University Belfast ): A digital culture perspective on urban change in Brazil: Contemporary webdocumentaries from Rio de Janeiro

15:20-15:40 TEA

15:40-16:40 Session Six: Cultural Flows and Exchanges
(Chair: Tori Holmes, Queen’s University Belfast):

Lisa Shaw (Liverpool) : Carmen Miranda’s voice in Hollywood

César Jiménez-Martínez (LSE) : Between the streets and the stadiums: Looking at the international image of Brazil through the eyes of a Chilean scholar

Vivien Kogut Lessa de Sá (Cambridge) : The adventures of an English pirate in sixteenth-century Brazil: New perspectives on early Brazil

16:40-17:20 Session Seven: Returning to Past and Trauma
(Chair: Leonardo Tonus, Université Paris-Sorbonne):

Tatiana S. Heise (Glasgow) : The weight of the past: Trauma and testimony in Que Bom Te Ver Viva

Miriam Grossi (Nottingham) : Espaços (e corpos) da exceção

Respondent: Vinicius de Carvalho (King’s, London)

17:20-18:00 Concluding Session: Round table discussion: Problems of distant reading: Challenges and traps of studying Brazilian culture from the global North

Emmanuelle Santos (Warwick); Bernard McGuirk (Nottingham) ; Sara Brandellero (Leiden); Rui Miranda (Nottingham)

18:00-19:00 Conference Reception, hosted by Secretary Hayle Gadelha, Brazilian Embassy, London

Conference organized with support from the Institute of Latin American Studies, London.


Organizers: Dr Stephanie Dennison, Dr Tori Holmes, Dr Sara Brandellero. Further queries: rebrac.network@gmail.com


 REBRAC on Facebook and @rebracweb on Twitter.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Vivre-ensemble / Viver-juntos


VIVRE-ENSEMBLE

La violence des derniers attentats en France et sa barbarie ont laissé le monde désemparé.  Les enjeux de la fraternité, de l’égalité et de la liberté, sont au cœur de nos valeurs républicaines. Et pourtant, les événements tragiques de ce début d'année nous rappellent que l'intolérance, le racisme, l'antisémitisme et les radicalisations identitaires s'intensifient chez nous et dans le monde.  Qu’arrive-t-il à nos sociétés ?  A l’heure de l’individualisme, de la peur de l’autre, de la concurrence exacerbée entre les individus, des injustices flagrantes tant économiques que sociales, du repli sur soi et du communautarisme, le vivre-ensemble, a-t-il encore un sens ? Comment le réapprendre, ne pas mourir tous ensemble comme des idiots, comme le disait déjà Martin Luther King ? Quelle réponse, la littérature peut-elle apporter à cette crise des valeurs ?



Une heure avec Luiz Ruffato et Adriana Lisboa, en conversation avec Leonardo Tonus.  

Ce jeudi 21 mai, à l’occasion de la Journée Mondiale de la diversité culturelle pour le dialogue et le développement, écouter la table-ronde dédiée aux Lettres brésiliennes sur le thème "Vivre ensemble", enregistrée au Salon du livre de Paris 2015 sur le stand du Centre National du Livre.

Cliquez sur le lien : Vivre-ensemble

VIVER-JUNTOS

A violência dos últimos atentados na França e sua barbárie deixaram o mundo desamparados. Os desafios da fraternidade, da igualdade e da liberdade, constituem o centro dos nossos valores republicanos. Ora, os eventos trágicos deste incício de ano nos lembram que a intolerância, o racimo, o antisemitismo e as radicalizações identitárias se intensificam aqui e pelo mundo. O que está acontecendo com a nossa sociedade ? Na hora do individualismo, do medo do outro, da concorrência exacerbada entre os indivíduos, das injustiças flagrantes, tanto econômicas como sociais, do retorno a si mesmo e dos comunitarismos, o viver-juntos terá ainda um sentido ? Como voltar a apreendê-lo e não morrer todos juntos e idiotas nos como dizia Martin Luther King ?  


Uma hora com Luiz Ruffato e Adriana lisboa, em discussão com Leonardo Tonus

Nesta quinta-feira, 21 de maio, na ocasião da Jornada Mundial da diversidade cultural para o diálogo e o desenvolvimento, ouçam a mesa-redonda dedicada às letras brasileiras sobre o tema « Viver-juntos », gravada durante o Salão do Livro de Paris de 2015 no stand do Centre National du Livre.

Cliquem no link : Viver-Juntos


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A poesia ácida dos quadrinhos

A poesia ácida dos quadrinhos
Por Luciano Cunha

A primeira coisa que chama atenção no quadrinho de André Ducci é a corajosa escolha da paleta de cores, toda ela praticamente duocromática.
Neste mundo 3D em que vivemos, decidir usar uma narrativa assim, minimalista, com pouquíssimas cores, já é uma coisa a se chamar a atenção. Mas quando você olha os detalhes do traço, a fluidez das histórias, a leveza e poesia ácida do quadrinho de Ducci... você vê que tudo faz parte de um plano.E o objetivo é esse: te surpreender e te agarrar com um quadrinho único.

Vamos lá, começar do começo: gosto de pedir ao autor que me apresente a sua obra, acho que fica mais orgânico. Me conta como você começou a fazer quadrinhos, o que te influenciou, o que você lia e costuma ler agora...
Legal, para começar posso dizer que desenho deste sempre mas o interesse por fazer HQs surgiu na adolescência com o boom das graphic novels. Aquele lance todo de Alan Moore, Vertigo, Dave Mckean. Sempre gostei contar histórias, de cinema e por desenhar as HQs foram um caminho natural. Minhas primeiras influências mais marcantes foram na parte gráfica Sergio Toppi e Mike Mignola. Hoje em dia procuro mais por obras autorais e experimentais como Astérios Polip, autores como Chris ware e Fábio Zimbres. Trabalhos que li recentemente e que me empolgaram são Isaac o pirata, O Gosto do Cloro e os trabalhos mais recentes do Marcelo Quintanilha, do Marcelo D' Salete e do DW.



De onde veio, como surgiu essa predileção por construir quadrinhos somente com só duas ou três cores?
Em parte por minha formação em gravura, também por meu gosto por ilustrações antigas e minimalistas. Acho interessante e desafiador as limitações que o recurso impõe.

Você também tem um traço muito característico, diferente. Você tem alguma influência direta de algum artista neste ponto?
Não saberia indicar um nome específico, fui desenvolvendo essa linguagem com o tempo misturando tudo o que gosto. Mas dois nomes que posso cintar entre tantos é o de Charley Harper e Jon Klassen.



A pluralidade de temas, seria também é uma marca sua?
Não saberia dizer, me parece algo de nossa geração. Um lance Pós-Tarantino de juntar tudo e ver no que dá.

Quanto tempo você leva, em média, pra fazer suas hqs?
Creio que uma média de dois dias por página.



Como foi o processo de publicar Fim do Mundo, a editora te contactou, você mostrou a ideia ou os originais para o editor? Como foi?
Eu estava publicando por conta em meu site quando a Arte & Letra demonstrou interesse. Aceitei na hora e foi um processo sem grandes surpresas afinal já havia trabalhado com eles ilustrando as capas.

Como você vê o mercado de quadrinhos hoje no Brasil?
Me parece bastante promissor. Muita gente produzindo coisas originais e de grande qualidade. Mas ainda falta público como em tudo que se refere a cultura no país. O mercado de HQs brasileiro me parece estar passando por um novo ressurgimento como já aconteceu nos anos 60 e 80. Ao contrário de outros mercado como o europeu, americano e argentino estamos sempre recomeçando do zero e com isso a construção de público que vem aumentando com as feiras como FIQ, Comic Con Experience e Gibicon.
Creio que a produção ainda está em sua maioria na mão dos independentes no entanto o interesse de boas editoras e o espaço dado em grandes livrarias tem se tornado mais constante e sólido.
Além disso me parece que coletâneas como MSP 50 tem ajudado bastante a difundir a variedade de estilos e artistas nacionais.



Você também ilustra para várias revistas, sites, blogs, mas conseguiria viver somente de quadrinhos?
Ainda não é possível mas essa é a meta.

O seu quadrinho é bem universal, a barreira da língua não seria problema para ser publicado no exterior, principalmente no mercado europeu. É um caminho? Você tenta contatos na Europa?
É um caminho com certeza, mas nenhum contato certo por enquanto.

Qual seu próximo projeto?
Finalizar um projeto antigo intitulado Submundo de Diau. Gostaria de publica-lo até 2017.

André Ducci por Daniel Caron

André Ducci é quadrinista curitibando, formado em Gravura, conhecido pelo projeto Anatomista que relaciona anatomia científica e artes gráficas. Começou ilustrando para a marca de skate Drop Dead e já fez parte de projetos como Candyland, tendo seu trabalho publicado em várias revistas como Simples, Velotrol, Entropia, Boca, Aargh!!! da República Tcheca e Stripburger da Eslovênia, além da coletânea MSP+50 em 2010 e Fierro Brasil em 2012. Participou também das coletâneas Cidade Sorriso dos Mortos - 2013 , Entre 4 Linhas- 2014 e Vigor Mortis 2, também de 2014. Ilustrou o livro Guia de Ruas sem Saída de Joca Reiners Terron, lançado em 2012, e tem várias HQs publicadas em seu site. Consultem o site do autor no link : http://andreducci.art.br/final/


Luciano Cunha é carioca, tem 42 anos e desenha desde que se conhece por gente. Se primeiro emprego, aos 16 anos, foi desenhando a revistinha do Menino Maluquinho, com Ziraldo. Depois ilustrou para várias revistas e dirigiu arte para vários jornais diários no Rio de Janeiro, tendo trabalhado também em diversas agências de publicidade. Hoje é designer na gerência de comunicação de uma multinacional. Voltou a desenhar quadrinhos em 2010, quando decidiu desengavetar O Doutrinador. Consultem a resenha de Luciano Cunha no link : http://etudeslusophonesparis4.blogspot.com.br/2015/05/la-bd-au-bresil-quadrinhos-no-brasil.html