quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Venha estudar na Sorbonne!

Divulgado edital que fomenta parcerias universitárias entre Brasil e França


A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) divulgou nesta segunda-feira, 26, o edital do Programa de Licenciaturas Internacionais (PLI) com a França, que seleciona parcerias universitárias entre cursos de licenciatura brasileiros e as universidades Paris-Sorbonne e Pierre et Marie Curie.

O programa tem como objetivo diversificar o currículo dos cursos de licenciatura brasileiros, tendo como prioridade o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores para a educação básica, além de ampliar as oportunidades de formação de licenciandos por meio da realização de graduação sanduíche, com possibilidade de obtenção de diploma francês.

De acordo com o edital, serão contemplados até oito projetos para a Universidade Paris-Sorbonne na área de licenciatura em Letras Português/Francês Língua Estrangeira e até quatro projetos interdisciplinares para a Universidade Pierre et Marie Curie nas licenciaturas em Biologia, Física, Matemática, Química. Os projetos terão duração de dois anos, com até cinco bolsistas por ano de vigência do projeto.

Inscrições
As inscrições serão gratuitas e admitidas exclusivamente pela internet, mediante o preenchimento do formulário de inscrição, até o dia 4 de março. Ao formulário de inscrição deverão ser anexados eletronicamente os documentos obrigatórios discriminados no edital.

Benefícios
Além das missões de trabalho, que consistem na concessão de viagens de curta duração para o coordenador do projeto e de docentes doutores por até 20 dias, o edital prevê ainda a missão de estudo, que consiste no deslocamento de estudantes na modalidade graduação-sanduíche, pelo período de 12 meses.

As atividades têm início previsto na França a partir de setembro de 2015.

(CCS/Capes)





sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Casa e mundo

Adrianna eu, Entre, instalação, 2008

CASA E MUNDO
Por Edyr Agusto (*)


Meu mundo e o mundo deles. Waltinho soube desde cedo da diferença. Era natural de Salinas, filho de pescadores. A vida igual à de todos. Trabalhou desde cedo. Aprendeu a pescar. Casou com “das Dores”. Não tinham filhos. Deus não queria, sei lá. Quando aquele lado da praia do Atalaia começou a receber gente de Belém, se interessou. Flores, o amigo que puxava da perna por causa de uma brincadeira de mau gosto, que causara um acidente, contou que ganhava algum tomando conta da casa. E o que era tomar conta? Eram do outro mundo. Da cidade grande. Vinham em alguns finais de semana. Em julho, verão, passavam o mês. Traziam carros, serviçais. Os homens vinham na sexta. O resto ficava. Crianças, moças, rapazes e as madames. As crianças não contavam. Moças e rapazes, tão diferentes. Mas em Salinas você já cresce sabendo, convivendo, conhecendo, admirando. Aqueles carros maravilhosos. O som. As músicas. Tontos, bebendo, se drogando, vomitando nas esquinas. O pior é que às vezes iam atrás das garotas locais. E conseguiam. Também, com aqueles carros.. Quanto às meninas, bem, puro cinema. Aquilo não era filme, televisão, fotografia. Era real. Seios, bundas, músculos, cabelos. E tão distantes. Tão garotas e já autoritárias em seus pedidos. Ficavam ali, quase nuas, sem se importar com a gente. Nós não contávamos. Não éramos gente. Ali, adolescentes também e de repente a ordem gélida para um copo de água, rápido. As madames e seu mundo de ordens, determinações, idas à Salinópolis para comprar mantimentos e conversar com as amigas. As longas tardes de bate papo. As reuniões que atraiam carros enormes, fotógrafos, com as madames chegando todas bem vestidas. Saíam trôpegas de tantos drinks, amparadas pelos motoristas.
E havia grandes reuniões. Seu Waldemar e Dona Dorita eram muito conhecidos. Saíam nos jornais. “das Dores” mostrava as fotos. Lia mal e qual a importância? Nas grandes reuniões vinham também os homens. Os carros. Passavam o final de semana inteiro conversando até de manhã, dormindo até a tarde, bebendo, farreando, dançando. Nessas ocasiões, ficava de plantão. Para comprar gelo. Problemas elétricos. Comprar pão. Faltou gás na cozinha? A piscina deu problema? À disposição. Jornalistas e fotógrafos também estavam sempre anotando, estourando flashes. Aqueles convidados deviam ser muito importantes. Quando iam embora ficava a sujeira e o silêncio, este, de volta.
E havia Ângela e Babi. Eram especiais. Quando se viram, eram quase adolescentes. Pouco mais novos que ele. Ângela era uma princesa. Branquinha, loura, corpo bem desenhado. Gostava do sol. Nem precisava. Mulher branquinha, por ali, era uma deusa. Pra quê pegar sol? Era enturmada. Havia um grupo de rapazes por perto, sempre. Poucas meninas. Acho que tinham inveja. Passavam a tarde na piscina. À noite, saia em seu próprio carro. Nem tinha idade pra isso. Uma vez atolou. Seis da manhã. Maré alta. Foi buscar. Estava bêbada. Não tinha nada com isso. Era seu emprego. Àquela hora, não dava para passar até a casa. Flores fora chamá-lo. Cavaram, colocaram tábuas, empurraram o carro. Ela não tinha condições de dirigir. Um garoto estava junto, dormindo. Deixa pra lá. Carregou no colo até a casa. Ela protestou até dormir. Nos seus braços. Aquele cheiro dos cabelos. Aqueles seios aparecendo, bicos rosados. Respirou fundo e disse para si mesmo que era seu trabalho. Mas nunca mais esqueceria. Deixou-a na cama e voltou para tratar do carro.
Babi quase não vinha. Cabelos longos, bonito. Não ia para o sol, na piscina. Estava sempre vestido, camisa de manga comprida. Mesmo com aquele barulho dos amigos de Ângela, podia ouvir a música vindo do seu quarto. Ele gostava de rock. Não dirigia, não tinha carro. Deixava-se levar no banco de trás. Havia um silêncio cercando Babi. As refeições no quarto. Uma vez, Sábado de noite, barulheira. Parecia quebrar tudo. Dona Dorita chorando. No dia seguinte, Domingo bonito, foram embora. Seu Waldemar com a cara fechada. Babi no banco de trás, pálido, calado. Ângela querendo ficar. Não deixaram. Não era julho. Um feriado, talvez. Não era reunião. Eles tinham seus problemas. Foi lá no quarto de Babi. Como pode alguém com pais tão legais e uma irmã tão linda quebrar tudo? Debaixo da cama, esqueceram de levar, uma seringa. Estava doente? Ouvira falar de drogas, claro, tem a televisão. Sei lá. Jogou fora.
Há quase seis meses não vinham. Não faziam reunião. Agora estavam chegando. E quanto a Ângela e Babi? Agora não era mais apenas seu trabalho. Agora estava tudo misturado.

Crédits photo : Patrick Imbert
Edyr Augusto é jornalista, radialista, redator publicitário, autor de teatro e de jingles. É autor de cinco livros de poesia: Navios dos cabeludos (1985), O rei do Congo (1988), Surfando na multidão (1992), Indêncio nos cabelis (1995) e Ávida vida (2011). Estreou em prosa na Boitempo Editorial, em 1988, com Os Éguas. Desde então, publicou os romances Moscow (2001),  Casa de caba (2004) e o mais recente Selva Concreta – obra que em 2007 ganhou edição em inglês pela britânica Aflame Books, com o título Hornets’ Nest –, além do livro de contos Um sol para cada um (2008). O autor estara presente no Salão do Livro de Paris de 2015.
Fonte : Boitempo Editorial


Edyr Augusto est né en 1954 à Belém. Journaliste et écrivain, il a débuté sa carrière en tant que dramaturge à la fin des années 1970. Il écrit toujours pour le théâtre et endosse parfois le rôle de metteur en scène. Edyr a également écrit des recueils de poésie et de chroniques. Belém, son premier roman, peinture noire de la métropole amazonienne, est paru au Brésil en 1998 et en France en 2013. Ont suivi Moscow (Asphalte, 2014) et Nid de vipères (Asphalte, 2015). Très attaché à sa région, l’État du Pará, au nord du Brésil, Edyr Augusto y ancre tous ses récits. L’auteur sera présent au Salon du Livre de Paris de 2015.

À lire
Nid de vipères, Asphalte, à paraître en 2015, traduit par Diniz Galhos.
Moscow, Asphalte, 2014, traduit par Diniz Galhos.
Belém, Asphalte, 2013, traduit par Diniz Galhos.
Source : Centre National du Livre

Asphalte Editions : http://asphalte-editions.com/

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Práticas do espaço

IV colóquio internacional sobre literatura brasileira contemporânea: práticas do espaço


Brasil-França-Inglaterra
14 a 16 de janeiro de 2015 em Paris
19 e 20 de janeiro de 2015 em Oxford

Organização
Claire Williams (St. Peter’s College, University of Oxford)
José Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)
Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)

Comissão científica
Georg Wink (University of Copenhagen), Leila Lehnen (University of New Mexico), Lucía Tennina (Universidad de Buenos Aires), Luciene Almeida de Azevedo (Universidade Federal da Bahia), Roberto Vecchi (Università di Bologna), Sandra Regina Goulart Almeida (Universidade Federal de Minas Gerais), Stefania Chiarelli (Universidade Federal Fluminense), Vinícius de Carvalho (King’s College London)

Comissão de apoio
Agnaldo Fernandes da Silva (Université Paris-Sorbonne), Gui Perdigão (St. Catherine's College), Phillip Rothwell (St. Peter’s College), Silvia Aline da Silva Caetano (Université Paris-Sorbonne)

Monitoria
Julio Lenz Rodrigues Barrocas, Richely B. de Castro, Pauline Rosa, Marilia Bellio do Nascimento, Sandy Pereira Guerreiro, Diana Hilario, Lea Carmona Towsend, Ranny Cabrera, Jade de Lima Mauricio, Cristina Souza (Université Paris-Sorbonne)


Na esteira do pensamento do sociólogo francês Michel de Certeau e de um quadro espistemológico recente voltado cada vez mais para o estudo das relações entre espacialidade e fenômenos sócio-culturais, este colóquio – que reunirá pesquisadores de diversas instituições acadêmicas da América Latina, América do Norte e Europa – pretende abordar uma série de questões relativas às práticas do espaço na literatura brasileira contemporânea. Será discutido desde o campo literário no país, observando-se a movimentação e as disputas de seus/suas agentes por um espaço simbólico, mas que marca o lugar e a produção de cada um/a deles/as no contexto cultural brasileiro, até os modos de referencialização, estilização, representação e significação do espaço do/no texto literário: construção de lugares imaginários; tensões estabelecidas a partir de relações conflituosas com o espaço vivenciadas no interior das obras; procedimentos de espacialização textual.
O encontro é resultado dos diálogos já estabelecidos entre estudiosos de literatura brasileira contemporânea de diferentes universidades do Brasil e do exterior e marca a consolidação da cooperação entre essas instituições. As diferentes procedências dos participantes apontam também as diferentes perspectivas teóricas e metodológicas que estarão em debate. Para além de questões mais teóricas, necessárias à análise das obras literárias em seu conjunto, serão apresentados estudos pontuais sobre livros, autores e gêneros específicos da literatura brasileira contemporânea, incluindo ainda interpretações sobre o campo literário brasileiro atual. Todos os trabalhos trarão como preocupação central o fazer literário na contemporaneidade, tendo como recorte cronológico as obras da literatura brasileira produzidas a partir de 2000.

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira, 14 de janeiro – Ambassade du Brésil em France
34, cours Albert 1er 75008 Paris

  
17h:  Lançamento de livros
Espaço e gênero na literatura brasileira contemporânea, Espaços possíveis na literatura brasileira contemporânea e Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea.

Com a presença do Sr. Alex Giacomelli da Silva, Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil na França.

Debate com os organizadores.

Reserva obrigatória pelo e-mail: leotonusbr@hotmail.com
  

Quinta-feira, 15 de janeiro – Université Paris-Sorbonne
Amphithéâtre  Michelet – 46, rue Saint-Jacques – 75005 – Paris



ABERTURA DO COLÓQUIO – 9h00
Recepção dos participantes
Abertura do Colóquio por Nancy Berthier, diretora da UFR Etudes Ibériques et Latino-américaines e do grupo de pesquisa CRIMIC (Université Paris-Sorbonne)

MESA 1 – 9h30 às 10h30
Mergulho nas emergências: margem de dentro e margem de fora na literatura brasileira
Alexandre Faria (Universidade Federal de Juiz de Fora)

A conquista de capitais no espaço transnacional: o caso da literatura brasileira contemporânea no Salão do Livro de Paris
M. Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela)

Moderação: José Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

INTERVALO

MESA 2 – 11h às 12h
Literatura marginal/periférica: páginas, versos e vozes de um movimento
Michel Yakini (coletivo “Elo da Corrente”)

Qual o espaço da periferia na literatura brasileira contemporânea?
Paula Anacaona (editora Anacaona)

Moderação: Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)

ALMOÇO

MESA 3 – 14h às 15h
O espaço do eu na literatura contemporânea: narcisismo e globalização
Luciana Hidalgo (Université Paris-Sorbonne)

A prisão como espaço fundador em Memórias de um sobrevivente
Luciana Paiva Coronel (Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Capes)

Moderação: Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília)

MESA 4 – 15h às 16h
Meios (públicos) sem fim: passagens e passageiros nas radiografias do espaço urbano
Roberto Vecchi (Università di Bologna)

O lugar das coisas, ou de como os objetos compõem o espaço narrativo
Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)

Moderação: Maria-Benedita Basto (Université Paris-Sorbonne)


INTERVALO

MESA 5 – 16h30 às 17h30
A cidade como espaço cênico: a ressignificação do espaço entre realidade e teatralidade
Rita Maubert (Université Paris-Sorbonne/ Université Paris-Ouest)

O olhar e a cena: o espaço urbano como construção poética do sujeito
Susanna Busato (Universidade Estadual Paulista/ São José do Rio Preto)

Moderação: Ricardo Araújo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)



Sexta-feira, 16 de janeiro – Université Paris-Sorbonne
Amphithéâtre Quinet  – 46, rue Saint-Jacques – 75005 – Paris

MESA 7 – 9h às 10h30
Hanói, de Adriana Lisboa, e As miniaturas, de Andrea del Fuego: uma leitura comparativa de duas escritoras brasileiras contemporâneas
Raquel Ribeiro (University of Edinburgh)

Personagens em trânsito: espaços de resistência em Mar azul, de Paloma Vidal
Joyce Luciane Correia Muzi (Universidade Estadual de Maringá/Instituto Federal do Paraná)

Zonas de desastre: a narrativa de Sem importância coletiva, de Daniela Lima
Paulo C. Thomaz (Universidade de Brasília)

Moderação: Claire Williams (St. Peter’s College, University of Oxford)

INTERVALO

MESA 8 – 11h às 12h
Estratégias narrativas e táticas do cotidiano em Estive em Lisboa e lembrei de você
Sara Brandellero (Universiteit Leiden)

A negociação do espaço e da identidade no romance Samba sem mim, de Caio Yurgel
Camila Gonzatto (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: M. Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela)

ALMOÇO

MESA 9 – 14h às 15h

O teatro da identidade e a cena urbana na obra de Ricardo Lísias
Ângela Maria Dias (Universidade Federal Fluminense)

Um país de 55 metros quadrados: o sentimento de avulsão em Terra avulsa, de Altair Martins  
Ricardo Araújo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: Lúcia Osana Zolin (Universidade Estadual de Maringá)


REUNIÃO DE TRABALHO – 15h às 17h
Publicação dos textos do Colóquio; projetos de pesquisa; cooperação entre as instituições universitárias do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos sobre estudos literários; outras publicações; encontros internacionais; intercâmbios e cotutelas. Preparação do VIII Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea, em Brasília, e do V Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, em local a ser definido.


Segunda-feira, 19 de janeiro – St. Peter’s College, University of Oxford
Dorfman Centre – St. Peter’s CollegeNew Inn Hall Street – Oxford – OX1 2DL

ABERTURA DO COLÓQUIO – 8h30
Recepção dos participantes e abertura do Colóquio, com a presença dos organizadores.

MESA 1 – 9h às 9h50
Escrevendo-se na cidade: Exu e o Guia afetivo da periferia, de Marcus Vinicius Faustini
Vinícius de Carvalho (King’s College London)

O espaço urbano e subjetivo em O beijo na parede, de Jeferson Tenorio
Fernanda Borges (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: Claire Williams (St. Peter’s College, Oxford)

MESA 2 – 9h50 às 10h40
A espacialidade do narrador na literatura brasileira contemporânea
José Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

Poéticas da desigualdade social no romance brasileiro contemporâneo
Gabriel Estides Delgado (Universidade de Brasília)

Moderação: Phillip Rothwell (St. Peter’s College, Oxford)

INTERVALO

MESA 3 – 11h às 11h50
Cenas do retorno na narrativa brasileira contemporânea
Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília)

De confinamentos e deslocamentos: tensões espaciais em Dois rios, de Tatiana Salem Levy
Lúcia Osana Zolin (Universidade Estadual de Maringá)

Moderação: Gui Perdigão (St. Catherine’s College, Oxford)

ALMOÇO

MESA 4 – 14h às 15h20

Geografias afetivas, lugares identitários na literatura brasileira contemporânea
Sandra Regina Goulart Almeida (Universidade Federal de Minas Gerais)

Ser feminista no campo literário brasileiro: de personagens, teorias e palavras no “armário”
Virgínia Maria Vasconcelos Leal (Universidade de Brasília)

Um sentido para o fim: memórias e espaços transitórios em Hanói, de Adriana Lisboa
Júlia Braga Neves (King's College London/Humboldt Universitat zu Berlin)

Moderação: Cláudia Pazos Alonso (Wadham College, Oxford)

INTERVALO

MESA 5 – 15h40 às 16h30
Fora de lugar, fora do tempo: encontros incômodos em Habitante irreal, de Paulo Scott
Claire Williams (St. Peter’s College, University of Oxford)

“Escritas de ouvido” contemporâneas: por uma poética espaço-sonora
Marília Librandi-Rocha (Stanford University) e Sérgio Bairon (USP/Instituto Diversitas)

Moderação: Simão Valente (St. Catherine’s College, Oxford)

MESA 6 – 16h30 às 17h20
O não-espaço em Wesley Peres: narrativas líricas em deslocamento
Rosane Carneiro Ramos (King's College London/Capes)

Steampunk brasileiro: o espaço de ficção científica em Lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares
Georg Wink (University of Copenhagen)

Moderação: Raquel Ribeiro (University of Edinburgh)


Terça-feira, 20 de janeiro – St. Peter’s College, University of Oxford
Dorfman Centre – St. Peter’s CollegeNew Inn Hall Street – Oxford – OX1 2DL

REUNIÃO DE TRABALHO – 9h às 12h
Publicação dos textos do Colóquio; projetos de pesquisa; cooperação entre as instituições universitárias do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos sobre estudos literários; outras publicações; encontros internacionais; intercâmbios e cotutelas. Preparação do VIII Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea, em Brasília, e do V Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, em local a ser definido.

Com o apoio de :




















                         


                                          




sábado, 10 de janeiro de 2015

Liberté


Liberté

Sur mes cahiers d’écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J’écris ton nom

Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J’écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J’écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l’écho de mon enfance
J’écris ton nom

Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J’écris ton nom

Sur tous mes chiffons d’azur
Sur l’étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J’écris ton nom

Sur les champs sur l’horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J’écris ton nom

Sur chaque bouffée d’aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J’écris ton nom

Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l’orage
Sur la pluie épaisse et fade
J’écris ton nom

Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J’écris ton nom

Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J’écris ton nom

Sur la lampe qui s’allume
Sur la lampe qui s’éteint
Sur mes maisons réunies
J’écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J’écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J’écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J’écris ton nom

Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J’écris ton nom

Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J’écris ton nom

Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J’écris ton nom

Sur l’absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J’écris ton nom

Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l’espoir sans souvenir
J’écris ton nom

Et par le pouvoir d’un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer

Liberté.


Paul Eluard, Au rendez-vous allemand, 1945, Les Editions de Minuit

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Les noirs dans le cinéma brésilien

Conférence


Les représentations des noirs dans le cinéma brésilien

Noel dos Santos Carvalho
(Université Fédérale de Sergipe)

Le vendredi 9 janvier 2015
à 17h00, salle Carlos Serrano

(Conférence en portugais)


Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac

75005 Paris