segunda-feira, 25 de maio de 2015

La BD au Brésil! Quadrinhos no Brasil!

O Quadrinho brasileiro em outro patamar

Não, você não leu errado. Mas pode estar se perguntando: o que está fazendo um texto sobre quadrinhos num espaço sobre literatura brasileira contemporânea? Simples: os quadrinhos, mais do que nunca, estão na moda e se encontram em outro patamar. E não é por que eles são simplesmente a nova mina de ouro dos estúdios americanos. Não. As graphic novels  (“romances gráficos”), tão tradicionais nas livrarias francesas e belgas, já são tidos, por vários jornalistas, como literatura. E, para muitos, quadrinhos não são literatura, são muito mais que isso. São uma linguagem genuína, contos mestiços de palavras e imagens. E ainda entrelaçam artes tão grandiosas como a literatura, o desenho, a pintura, numa mesma peça para o consumo, seja em nichos de mercado, seja numa produção de massa.

Bill Kartalopoulos, editor da coletânea Best American Comics, diz que “os quadrinhos possuem propriedades específicas que permitem expressar ideias que não poderiam ser transmitidas de outra forma. Eles nos induzem a ler de formas diferentes do que apenas a prosa”.



Bem, o mercado de quadrinhos brasileiro é muito diferente do rico e consolidado mercado francês. O quadrinho nacional sempre viveu de "altos e baixos", muitos mais baixos do que altos, sempre vivendo da desconfiança de editoras como sendo um mercado de valor, soterrado por toneladas de super-heróis e super vilões americanos.

Porém, além de tentar venderem produtos para o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) através de adaptações literárias em quadrinhos, editoras brasileiras começam a olhar para o nosso quadrinho autoral. Muitos quadrinistas completos, que desenham e escrevem suas hqs, já publicam e conquistam seu espaço até mesmo fora do país. Ao mesmo tempo, Maurício de Sousa, o pai da Mônica e Cebolinha, até hoje o mais bem sucedido case quadrinístico brasileiro, tem prestado um enorme serviço ao mercado nacional lançando versões oxigenadas de seus personagens famosos desenhados por novos talentos, pelo selo Graphic MSP, já atingindo ótimas vendagens.


Além disso, a cena independente vem contando com um forte impulso vindo do financiamento coletivo. Mais de 100 hqs autorais e com a "cara do Brasil" já ganharam as ruas nos últimos dois anos através do principal site de crowdfunding do país. Arnaud Vin, editor da Nemo, selo do Grupo Autêntica dedicado aos quadrinhos, aponta alguns fatores para que o quadrinho brasileiro viva essa fase que ele define como "de bela exuberância, prolífica, forte e grande". O primeiro deles o dinamismo e a qualidade da produção independente , que desperta a atenção de um público cada vez maior. O segundo é proliferação de eventos "nerds" e "geeks” relacionados ao tema.  E o terceiro, o espaço que autores brasileiros galgam no exterior aliado ao respeito que conquistam internamente – lembra, inclusive, que dois quadrinistas, Fábio Moon e Marcelo Quintanilha, fizeram parte da delegação que representou o Brasil no Salão do Livro de Paris este ano, onde o Brasil foi homenageado.



O SUCESSO DO ANTI-HERÓI

Dentro desse cenário de novos quadrinistas lançando obras autorais, o carioca Luciano Cunha tratou de chutar a porta. Disposto a colocar em nanquim epapel toda a sua indignação contra a classe política brasileira, Cunha criou um anti-herói com tudo o que se tem direito: misterioso, sombrio, imparável emuito, muito violento. Apesar de nascido em 2010, O Doutrinador alcançou fama nas redes sociais durante a onda de protestos que varreu o país em junho de 2013. Catapultado pela mesma revolta em que o autor se inspirou, o personagem já tem 40 mil fãs no Facebook e sua ira contra corruptos não para de crescer. Os posts semanais viraram uma luxuosa edição impressa de 84 páginas, já esgotada. A reimpressão da primeira e a segunda aventura, esta com roteiro original do músico e ativista Marcelo Yuka, ex- O Rappa, já se encontram na gráfica. Mirando o mercado internacional, Luciano Cunha já encomendou as traduções da saga para o inglês e francês. O nome do personagem ganhou uma ligeira adaptação: "O Doutrinador em inglês ficaria num tom professoral demais, algo literal mesmo. Então o tradutor me sugeriu outro nome que eu realmente adorei: The Awakener, que é algo como "aquele que te desperta, que te acorda". Não significa o aparelho despertador, mas aquilo que, na verdade, o personagem quer suscitar, que é dar uma chacoalhada no leitor para que ele acorde para o problema e, de alguma forma, proteste no seu cotidiano." conta o autor.


Uma porta no Velho Mundo acaba de se abrir: O Shifter, site português de cultura pop, encomendou uma versão do Doutrinador atuando em Lisboa. Um jornalista da edição argentina da Rolling Stone chamou O Doutrinador de " El Eternauta brasileño", numa clara referência da importância política do personagem de Cunha. Sites americanos, ingleses, japoneses, uruguaios e até chineses já teceram elogios à obra. O jornal Metro, versão brasileira, chamou o personagem de "Cavaleiro das Trevas tupiniquim". A revista inglesa R.O.A.R classificou O Doutrinador como “um anti-herói na vanguarda da imaginação radical.” Com tantos elogios, Luciano Cunha espera ver logo um outro sonho se tornar realidade: publicar O Doutrinador na Europa. "Seria a realização total. França, Bélgica e Reino Unido tem uma longa tradição de amor às graphic novels. Chegar às livrarias destes países seria um  belo salto."

Outro movimento natural que vem acontecendo com os comics é a sua capacidade transmidiática. Luciano conta que já tem projetos bem encaminhados de transformar O Doutrinador em games para celulares, jogos de tabuleiros (RPGs) e até série para canal fechado.

É o quadrinho brasileiro alcançando outros patamares.

Siga O Doutrinador pela página : https://www.facebook.com/leiaodoutrinador?_rdr


La BD brésilienne dans un autre univers

Oui, vous avez bien lu ! Mais vous êtes en droit de vous demander ce que fait un texte sur la BD dans un espace réservé à la littérature brésilienne contemporaine ? C’est très simple, plus que jamais la BD est à la mode et peut se découvrir dans un autre univers que le sien. Et pas seulement parce que c’est la nouvelle mine d’or des studios américains. Non. Les romans graphiques si communément présents sur les rayons des librairies françaises ou belges, sont considérés par les journalistes comme de la littérature à part entière et pour certains même la BD est bien plus que de la littérature. C’est un vrai langage de mots et d’images, et qui utilise, en les mélangeant, d’autres langages tels que la littérature, le dessin, ou la peinture afin de créer un objet artistique qui s’adressera aussi bien à un marché confidentiel qu’à un marché de grande diffusion.

Bill Kartapoulos, éditeur du recueil Best American Comics affirme que la BD a des particularités qui lui permettent d’exprimer des idées qui ne peuvent être transmises autrement. La BD nous incite à lire d’une manière différente de celle que nous propose la prose. Bien évidemment, le marché de la BD Brésilienne diffère du marché de la BD française, riche et reconnu.



La BD brésilienne a toujours vécu des hauts et des bas, plus de bas que de hauts d’ailleurs, souvent victime de la méfiance des éditeurs qui n’y voyaient pas de marché potentiel, compte tenu de l’invasion des super-héros et des anti-héros américains.

Cependant, les maisons d’éditions brésiliennes, en adaptant des œuvres littéraires à la BD, commencent à s’intéresser à la BD nationale en essayant de vendre leurs produits au PNBE (Programme National des Bibliothèques d’ Ecoles). Plusieurs auteurs qui écrivent et dessinent leurs BD ont déjà publié et ont acquis une visibilité et même à l’étranger. De la même manière, Maurício de Sousa, le créateur de Mônica et Cebolinha, qui jusqu’à aujourd’hui reste le plus célèbre de nos créateurs de BD, participe grandement au développement du marché national. En remettant au goût du jour ses personnages redessinés par de nouveaux talents de la Graphic MSP, ses œuvres ont atteint des scores de ventes inégalés.

Par ailleurs, on constate dans le milieu de la diffusion indépendante, un fort développement dû au financement collectif. Depuis ces dix dernières années, grâce au principal site de crowdfunding du pays plus de 100 BD se sont imposées. Arnaud Vin, éditeur de NEMO, maison d’édition du groupe Autêntica, dédiée à la BD, souligne quelques caractéristiques  pour que la BD vive cette période qu’il définit comme « belle, exubérante, prolifique, forte et grande ». En premier lieu c’est le dynamisme et la qualité de la production indépendante qui retient d’attention d’un public de plus en plus important. Ensuite c’est la prolifération d’événements « nerds » et « geeks » liés au sujet. Enfin, c’est l’espace conquis par les auteurs brésilien à l’étranger en s’appuyant sur leur notoriété, comme Fábio Moon et Marcello Quintanilha qui ont fait partie de la délégation officielle pour représenter le Brésil, pays invité au Salon du Livre de Paris cette année


LE SUCCES DE L’ANTI-HEROS

Parmi les nouveaux auteurs de BD, le carioca Luciano Cunha, tente de faire bouger les lignes. Décidé à témoigner de son indignation envers la classe politique brésilienne, Cunha a créé un anti-héros avec tout ce que cela présuppose de mystère, de noirceur et de violence. Bien que créé dans les années 2010, O Doutrinador devint célèbre sur les réseaux sociaux durant les vagues de protestation qui secouèrent le pays en juin 2013. Habité par la même révolte que celle de son auteur, le personnage a déjà 40000 fans sur son facebook et sa colère contre la corruption ne cesse de s’amplifier.

Les parutions hebdomadaires donnèrent lieu à la sortie d’une luxueuse édition de 84 pages déjà épuisée. La réédition des deux premières aventures, dont celle tirée d’un scénario original du musicien et activiste Marcelo Yuka, l’ancien O Rappa, sont déjà sous-presse.  Luciano Cunha qui vise le marché international a déjà commandé une traduction de sa saga en anglais et en français.

« On a dû adapter le nom du héros au marché ciblé. La traduction du terme « Doutrinador » en anglais donnait un caractère trop professoral au personnage, un peu trop littéraire. Le traducteur m’a donc suggéré autre chose que j’ai beaucoup aimé The Awakener, celui qui te secoue qui te réveille. Cela n’évoque pas le réveil en tant que tel, mais plutôt ce que le personnage veut susciter, c’est-à-dire, donner un choc au lecteur pour que celui se trouve confronté au problème et qu’il remette en question son quotidien », affirme Luciano Cunha.


On vient d’ouvrir une porte sur le Vieux Continent : le Shifter, le website portugais de culture pop, a commandé une version de la BD O Doutrinador mais qui se déroule à Lisbonne. Un journaliste de l’édition argentine de Rolling Stone a appelé O Doutrinador « l’internaute brésilien » référence claire à l’importance politique du personnage de Cunha.

Déjà des sites américains, anglais, japonais, uruguayens et même chinois ne tarissent plus d’éloges sur l’œuvre. Le journal Metro, dans sa version brésilienne, appelle le personnage : « Le chevalier des trêves tupiniquim ».La revue anglaise, R.O.A.R. classe, enfin, O Doutrinador dans la catégorie des «anti-Héros d’avant-garde de l’imagination radicale ». Devant tant de succès, Luciano Cunha espère voir bientôt un autre rêve devenir réalité : publier O Doutrinador en Europe. « La boucle serait bouclée. La France, la Belgique et le Royaume Uni entretiennent une longue histoire d’amour avec la BD. Parvenir à entrer dans ces pays ça serait quelque chose. »

Une autre particularité de la BD actuelle c’est sa capacité à intégrer d’autres supports médias. Luciano raconte qu’il a déjà des projets bien avancés pour adapter O Doutrinador aux jeux pour les téléphones portables, aux échiquiers RPG et même aux série télévisées destinées aux chaînes privées.

Oui, vraiment la BD brésilienne pénètre des univers bien différents !

Suivez la BD O Doutrinador sur la page : https://www.facebook.com/leiaodoutrinador?_rdr


Luciano Cunha é carioca, tem 42 anos e desenha desde que se conhece por gente. Se primeiro emprego, aos 16 anos, foi desenhando a revistinha do Menino Maluquinho, com Ziraldo. Depois ilustrou para várias revistas e dirigiu arte para vários jornais diários no Rio de Janeiro, tendo trabalhado também em diversas agências de publicidade. Hoje é designer na gerência de comunicação de uma multinacional. Voltou a desenhar quadrinhos em 2010, quando decidiu desengavetar O Doutrinador


* traduction Leonardo Tonus

Nenhum comentário:

Postar um comentário