quinta-feira, 7 de maio de 2015

Exportando a Música Popular Brasileira



Exportando a Música Popular Brasileira

Entrevista com os integrantes do Grupo 3 no Som que no mês de Fevereiro de 2015 se apresentaram na Universidade da Sorbonne. Confiram a entrevista realizada por Vivian M.F. Ramos(*) na qual os músicos evocam seu percurso, trabalhos e projetos.

Como surgiu o grupo 3 no Som?
O grupo surgiu em 2010 com a mesma formação instrumental de gaita, violão e percussão. Depois de algumas mudanças de músicos, o trio se consolidou em 2011 com: Bruno Mota (percussão), Caio Chiarini (violão) e Diego Sales (gaita).

Qual a formação musical dos integrantes?
Somos todos formados no curso de Licenciatura em Educação Musical (LEM) pela Universidade do Estado de São Paulo (Unesp). Tivemos formações completares em conservatórios como o de Tatuí e a Escola Música do Estado de São Paulo, além de aulas particulares com alguns renomados instrumentistas brasileiros.

Por que a ideia de uma formação somente a partir da gaita, percussão e do violão?
A ideia inicial foi partir dessa formação instrumental. Podemos dizer que esta formação é muito interessante e desafiadora, pois são 3 instrumentos tentando preencher o máximo. Quando falamos isso, queremos dizer em termos de texturas sonoras. Nossa formação instrumental é muito distante uma da outra. Para se ter uma ideia, por exemplo, entre a percussão e o violão seria possível ter um baixo, e entre o violão e a gaita seria possível haver um cavaco. É aí que está o nosso desafio: preencher estes espaços. Por isso precisamos de ensaios e conhecer bem a maneira como cada um toca.
 
Os Oito Batutas
Quais são suas maiores influências?   
As nossas influências  são diversas; artistas da música brasileira (Hermeto Pascoal, Sivuca, Egberto Gismonti e cancioneiros como Cartola e Luiz Gonzaga) e o Jazz (John Coltrane). O grupo também permite que as influências individuais se apresentem em seu resultado sonoro, colocando outros gêneros em sua interpretação como Rock e o Blues.

Esta foi a segunda turnê do grupo na Europa. Como a música brasileira tem sido recebida no exterior?
Fomos muito bem recebidos nos dois países, tanto na Itália como na França. O nosso público foi diverso e tivemos a oportunidade interagir com o público jovem, idoso, músicos e não músicos. Além disso tivemos boa recepção de pessoas que desconheciam a música brasileira. Os resultados têm sido bastante positivos , o que nos deixa felizes.  
 Acreditamos que o diferencial está na nossa proposta de concerto didático (se é assim que podemos chamar), ou seja, tocamos uma série de gêneros brasileiros e discorremos acerca deles pontuando suas influências, o contexto histórico em que foram criados, etc. Essa maneira de expor o trabalho aproxima o público das obras expostas permitindo com que este tenha uma experiência mais completa.

Existe diferença entre tocar para o público brasileiro e para o público estrangeiro?
Nas duas situações das quais presenciamos (Itália e França) não houve diferença em relação à receptividade do nosso trabalho. Percebemos que tanto no Brasil quanto na Itália e França, o intercâmbio cultural se mostra necessário na medida em que há uma certa carência de novas experiências musicais e culturais.



Vocês exercem outras atividades além do grupo 3 no Som?
Sim, todos trabalham com educação musical e possuem outros grupos musicais.

Quais são os projetos futuros do grupo?
A nossa prioridade está em gravar nosso primeiro disco. Paralelamente à gravação, temos uma ideia de escrever um artigo sobre esta experiência e elaborar novos projetos musicais.

Das músicas do repertório, sabemos que vocês possuem composições próprias.
Todos nós possuímos composições e várias delas serão lançadas no CD. Atualmente, seis estão de fato dentro do nosso repertório. São elas: “Espia Lurdes”, “6 do Caio” e “Frevo Maldito” de Caio Chiarini; “A primeira dama”, “Santinha” e “Simples porém sincero” de Diego Sales.
Flautista, Candido Portinari, 1957
Há uma previsão para o lançamento do CD?
A previsão é para o final desse ano.

Quais as maiores dificuldades encontradas para a divulgação do trabalho?
Acreditamos que a maior dificuldade esteja nos meios de comunicação de massa. É muito difícil entrar nesse meio com a proposta que temos (música instrumental). Isso sem entrarmos no assunto Indústria Cultural...precisaríamos de uma longa conversa para tentarmos esclarecer algumas coisas...(risos)
Por este motivo, trabalhamos com formação de público, de forma alternativa, tocando nas ruas e praças da cidade de São Paulo, utilizando a internet e as redes sociais como aliadas, convidando as pessoas a conhecerem nossas páginas.  Nós costumamos publicar novos conteúdos para mantermos toda a rede atualizada com a nossa produção.

É possível viver só de música no Brasil?
Sim. Por isso resolvemos encarar a música como profissão. Acreditamos que viver de música não implica em apenas tocar...é preciso trabalhar nos diferentes campos por onde a ela passa, inclusive atuando como professores.


Links e Informações sobre o grupo:
Vera Cruz - https://www.youtube.com/watch?v=cNVIn9rNw6M
Santinha - https://www.youtube.com/watch?v=Br0J6XFVmTI
6 do Caio - https://www.youtube.com/watch?v=nld_OSb_8Vw
Documentário - https://www.youtube.com/watch?v=bgvAuQG4WK4
Programa Musicas que Elevam LBTV
https://www.youtube.com/watch?v=1vF3Mi7Bioo

Site: www.3nosom.com
Facebook: www.facebook.com/3nosom
Email: 3nosomcontato@gmail.com


Vivian Maria Florêncio Ramos é graduanda em Letras (Português-Francês) pela Universidade de São Paulo. Participa do projeto de intercâmbio PLI (Programa de Licenciatura Internacional) com a Université Paris-Sorbonne e colabora para o Blog Etudes Lusophones.

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