terça-feira, 7 de abril de 2015

Um dedo de prosa com Cristovão Tezza

Um dedo de prosa com Cristovão Tezza

Escritor com um amplo reconhecimento nacional e internacional, Cristovão Tezza inicia sua carreira artística no teatro. Em 1968, ele integra o Centro Capela de Artes Populares (Cecap), dirigido por Wilson Rio Apa, no qual permanece até 1977. Tratava-se de um grupo inovador para época que se apresentava em locais públicos da cidade de Curitiba, dialogando, à sua maneira, com as culturas hippie, beatnik e com as artes de vanguarda dos anos 1960. Ainda na adolescência, Tezza participa da primeira peça de Denise Stoklos, além de outras montagens teatrais. Em 1974, ele viaja a Portugal para estudar letras na Universidade de Coimbra e, por conta da Revolução dos Cravos, perambula pela Europa.  Na década de 1980 torna-se professor na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e, posteriormente, na Federal do Paraná (UFPR) dando continuidade à sua carreira de escritor.
Como resumir a vastíssima obra de Cristovão Tezza que, para além de mais de 10 romances, conta com a publicação de contos, crônicas, ensaios, livros didáticos, premiados tanto no Brasil como no exterior ? Talvez a melhor maneira talvez seja evocando o sucesso do romance O Filho Eterno um dos livros da literatura brasileira contemporânea mais premiados nas últimas décadas. Eros, Tanatos, felicidades, tristezas, alegrias, crueldades, delicadezas e violências. Estas e outras contradições da experiência da afetividade constituem o eixo condutor deste romance que foge a todo tipo de convenção romanesca. Trata-se do relato de um pai que descobre que seu primogênito nasceu com síndrome de down. Situação  tragica encenada  sem qualquer didatismo ou sentimentalismo politicamente correto. Pelo contrário, o desmanche do heroísmo da figura paterna atinge aqui o seu paroximo, nomeadamente pela exposição das contradições humanas, dos preconceito e pela vergonha em relação a um filho que no final lhe revela o verdadeiro significado da palavra afetividade.  Assistam abaixo  a entrevista que Cristovão Tezza concedeu ao Blog Etudes Lusophones e descubram alguns dos seus textos ficcionais e teóricos.



Por que ler os clássicos brasileiros
Por Cristovão Tezza
Muito já se disse para defender a literatura brasileira e tentar quebrar a resistência que o próprio leitor parece sentir com relação a ela -pelas listas de best-sellers, percebemos de fato que há algo de estranho no reino das nossas letras.
E a defesa sempre parece ganhar um tom patriótico, repercutindo afinal nossa própria história literária, em que a questão da famigerada "identidade" tem sido freqüentemente um ponto de honra. Mas penso que podemos defender a literatura brasileira sem recorrer a álibis, observando apenas um ponto de partida -a língua portuguesa do Brasil, não como uma entidade oficial, mas como a linguagem que criou a forma da nossa visão de mundo, em toda a sua imensa variedade.
Do histórico pessoal e social da língua, não podemos nos livrar por escolha; a língua dirige nosso olhar, escolhe objetos e referências, estabelece relações, cria entonações, se multiplica em subentendidos e muitas vezes fala por nós. E, dentre todas as formas da língua, do padrão escolar aos mil dialetos populares da oralidade cotidiana, a literatura consolida um padrão de civilização, a passagem entre a liberdade da fala e a dureza da escrita; e, mais que isso, é o grande elo de ligação entre o indivíduo -esse desejo solitário de dizer, que é a alma da literatura- e a sociedade, a quem respondemos com nossa palavra.

Essa relação poderosa entre a nossa língua e o olhar que ela encerra, em estado de liberdade, pode ser encontrada na literatura brasileira com grande nitidez. Mais que isso, ela é a ponte que afinal pode nos tornar cidadãos do mundo. É um bom motivo para conhecê-la.
Dos 20 livros da "Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros", começo por lembrar a importância em minha formação pessoal dos poemas de Carlos Drummond de Andrade, versos que ressoam até hoje como formas insubstituíveis de reconhecimento do mundo, na minha língua.
Lugar das diferenças
A percepção da realidade pela voz de seus poemas criou um sistema de referências que nenhuma outra forma da linguagem -todas utilitárias, a serviço de algum objetivo imediato- seria capaz de dar. Em seguida, a leitura da prosa de Graciliano Ramos me abriu outro universo. A sua frase curta e seca, falando de um mundo a um tempo terrível e próximo, avançava como que desmontando as coisas que eu via pelos olhos dele.
Quase ao mesmo tempo, entrei nos textos de Machado de Assis para descobrir também naquela linguagem o que de fato me interessava na literatura, o ponto de confluência mental entre língua, indivíduo e sociedade, em que as formas da nossa sensibilidade são postas à prova página a página. Um bom texto literário não é apenas um sistema de referências descritivas, abstrato e redutível a um código -é uma voz pessoal que tem algo urgente a nos dizer, usando a nossa palavra.
Com Drummond, Graciliano e Machado, aprendi fundamentalmente um modo de olhar o mundo, de perceber suas relações e sentir seus valores; eles sugeriam sutilmente quem eu era e onde eu estava. E com eles descobri e consolidei minha linguagem pessoal.
Mas, é claro, como a literatura é o território das diferenças, ela revela milhares de modos de ver -cada bom escritor tem sua marca inconfundível, apresenta um repertório novo de referências e nos propõe um ângulo do olhar.
No caso da literatura brasileira, com um detalhe fundamental: usando substancialmente as palavras, entonações, sentidos e frases que deram forma à nossa cabeça, desde a aquisição da linguagem (considerando, também, a passagem nem sempre tranqüila ao mundo da escrita).
Exótico, épico e sensual
Para escolher, graduar e até mesmo negar, é preciso conhecer. A literatura brasileira nos dá muitas chaves para pensar nosso espaço e nossa vida. Com autores como Jorge Amado e Erico Verissimo, grandes narradores do Brasil do século 20, entramos em contato com concepções de mundo, de linguagem e de país cuja influência continua ressoando no nosso imaginário. O Brasil exótico e sensual e o Brasil épico se entrelaçam nesses autores e continuam a nos colocar questões importantes hoje, quando nosso perfil rural já não é o mesmo de 50 anos atrás.
E um autor como Guimarães Rosa acrescenta elementos mágicos e místicos, dando à sabedoria popular uma inesperada transcendência, pela força transfiguradora da linguagem. O apelo regional tem sido, aliás, fonte permanente de nossa narrativa -"Memorial de Maria Moura", de Rachel de Queiroz, que integra a coleção, é um belo exemplo. Em outra chave, o clássico "Macunaíma", de Mario de Andrade, o herói sem nenhum caráter, continua a nos desafiar com a sua proposta poética de uma identidade brasileira.
O charme do exotismo, um eterno canto de sereia, às vezes encontra seus inimigos ferozes pela voz da sátira. Autores tão díspares como Lima Barreto (e seu maravilhoso "Triste Fim de Policarpo Quaresma") e Oswald de Andrade (com o demolidor "O Rei da Vela") batem frontalmente na ilusão do nosso berço esplêndido. A voz da imagem do povo encontra ressonância no teatro de Ariano Suassuna ("Auto da Compadecida") e na poesia dramática de João Cabral de Melo Neto -em "Morte e Vida Severina", a dura lapidação formal do grande poeta encontra-se com o apelo popular.
Ainda no teatro, o clássico "Vestido de Noiva" inaugura outra desmontagem radical do homem brasileiro: mais que ninguém, Nelson Rodrigues entendeu que não somos santos. O lirismo, representado na coleção em versos e crônicas, estabelece um parentesco sutil que começa com o pernambucano Manuel Bandeira, passa pelo carioca Vinicius de Moraes e vai até o gaúcho Mario Quintana; o "Romanceiro da Inconfidência", de Cecília Meireles, recria com traços épicos emblemas da nossa história.
E o "Poema Sujo", de Ferreira Gullar, é uma síntese contemporânea de nossas múltiplas vertentes poéticas. Finalmente, dos prosadores urbanos mais recentes, dois momentos políticos fundamentais da nossa história estão representados na "Coleção Folha Grandes Escritores Brasileiros" -"Agosto", de Rubem Fonseca, tematizando o suicídio de Vargas, e "Reflexos do Baile", de Antonio Callado, retomando as complexas ramificações do golpe de 1964.
Publicado Folha de S. Paulo, Ilustrada, 17/fev/2008

Le fils du Printemps
– Je crois que c’est pour aujourd’hui, dit-elle. Mainte­nant, a-t-elle ajouté d’une voix plus forte, en lui touchant le bras, car c’est un homme distrait.
Oui, distrait, pourquoi pas ? Quelqu’un de provisoire, peut-être, qui, à vingt-huit ans, n’a toujours pas commencé à vivre. Dans le fond, hormis un éventail d’anxiétés heu­reuses, il n’a rien, il n’est encore rien. Et cette maigreur ambulante à la joie agressive, parfois insultante, s’est retrouvée devant sa femme enceinte comme s’il ne mesu­rait qu’à présent toute l’étendue du fait : un enfant. Un jour ou l’autre, il arrive, a-t-il éclaté de rire, expansif. On y va !
Sa femme qui, dans tous les sens du terme, le soutenait depuis déjà quatre ans, était maintenant soutenue par lui tandis qu’ils attendaient l’ascenseur, à minuit. Elle est pâle. Les contractions. La poche, a-t-elle dit – quelque chose comme ça. Il ne pensait à rien – au regard de la nouveauté, il serait le lendemain tout aussi nouveau que son fils. Il fallait plaisanter, en attendant. Avant de sortir, il se souvint d’une flasque de whisky, qu’il glissa dans sa deuxième poche ; dans la première, il avait déjà mis les cigarettes. Un dessin animé : le personnage fume cigarette sur ciga­rette dans la salle d’attente, jusqu’à ce que l’infirmière, le médecin, n’importe qui, lui montre un paquet et lui dise quelque chose de très drôle, et tout le monde rit. Oui, il y a quelque chose de drôle dans cette attente. C’est un rôle que nous jouons, le père angoissé, la mère heureuse, l’enfant en pleurs, le médecin souriant, la silhouette incon­nue qui surgit du néant et qui nous félicite, le vertige d’un temps qui, maintenant, s’accélère désespérément, tout tourne rapidement et irrémédiablement autour d’un bébé, pour ne s’arrêter que quelques années plus tard, parfois jamais. Il existe un décor entier monté pour le rôle, dans lequel on doit afficher son bonheur. Son orgueil, aussi.
Il s’attirera le respect. Il existe un dictionnaire entier de phrases appropriées pour la naissance. D’une certaine manière – maintenant, il démarrait sa Coccinelle jaune (ils ne disent rien, mais sentent quelque chose d’agréable dans l’air) et prenait garde à ne pas érafler le pare-chocs contre le pilier, comme c’était arrivé deux fois déjà – il était aussi en train de naître à cet instant, et cette image plus ou moins édifiante lui plaisait. Pourtant, il continuait de ne pas être
où il était – sensation permanente, celle-ci, raison pour laquelle il fumait tant, la machine insatiable exigeant du carburant. C’est un vaste champ d’idées : quand on s’y aventure, on n’y trouve rien, à part l’espoir d’un futur vague et indéfini. Mais moi non plus je n’ai encore rien, dirait-il, dans une sorte de métaphysique de compétition. Ni maison, ni emploi, ni paix. Bon, un enfant – et, tou­jours pour plaisanter, il se vit bedonnant, sévère, travaillant dans quelque chose d’enfin solide, avec une image publi­citaire de la famille congelée au mur. Non : il se situe dans une autre sphère de la vie. Il est prédestiné à la littérature – forcément supérieur, un être pour lequel les règles du jeu sont différentes. Rien d’ostentatoire : la vraie supériorité est discrète, tolérante et souriante. Il vit en marge, voilà tout. Ce n’est pas du ressentiment, parce qu’il n’est pas encore mûr pour le ressentiment, cette force qui, à tout moment, peut nous remettre agressivement à notre place. Il se peut que le début de cette résistance (mais il serait incapable de le savoir, si près de l’instant présent) soit dans le fait qu’il n’a jamais réussi à vivre de son travail. De son vrai travail. Une tension qui s’échappe presque tou­jours par le rire, la seule libération dont il dispose.
A l’accueil de la maternité, la fille, aimable, demande un chèque de garantie, et les choses vont trop vite, parce qu’on emmène sa femme au loin, oui, oui, la poche s’est rompue, entend-il, pendant qu’il remplit les papiers – et une fois
de plus, il ne sait pas comment remplir la case de la profession, tout juste s’il ne dit pas “c’est ma femme qui a une profession. Moi” –, et il trouve encore le temps de dire quelque chose, sa femme aussi, mais l’affection se transforme, sous des yeux étrangers, en solennité – quelque chose de plus grand, semble-t-il, est en train de se passer, une espèce de théâtre se dessine dans l’air, nous sommes trop délicats pour la naissance et il faut dissimuler tous les dangers de cette vie, comme si quelqu’un (l’image est absurde) emmenait sa femme vers la mort et qu’il n’y avait absolument rien d’anormal à cela. Il éprouve à nouveau l’horreur des hôpitaux, des bâtiments publics, des institu­tions solennelles, des colonnes, des halls, des guichets, des dômes, des files d’attente, de leur stupidité de granit – la grammaire de la bureaucratie se répète ici encore, dans cet espace petit et privé. Plus tard, il se retrouve dans une salle, devant sa femme étendue sur un brancard, qui, pâle, lui sourit, et ils se touchent la main, timidement, comme s’ils commettaient une transgression. Les draps sont bleus. Tout est aseptisé, il y a une absence brutale d’objets, les pas éveillent des échos comme dans une église, et de nouveau il éprouve l’angoisse de la fausseté, il y a une erreur première quelque part, et il ne parvient pas à la localiser, mais aussitôt après il n’y pense plus. Les secondes passent.
On dit des choses qu’il n’entend pas ; et dans l’attente, il perd la notion du temps – quelle heure est-il ? Tard dans la nuit. Maintenant, il est tout seul dans un cou­loir près d’une rampe vide et devant deux portes battantes, percées d’une fenêtre circulaire au milieu de chaque panneau par où, de temps à autre, il jette un coup d’œil mais ne voit rien. Il ne pense à rien, mais, s’il pensait, peut-être se dirait-il : je suis comme j’ai toujours été – seul. Il alluma une cigarette, heureux : et c’est très bien comme ça. Il but une gorgée du whisky qu’il tira de sa poche, se faisant son petit théâtre. Pour l’instant, tout va bien – il ne pen­sait pas à l’enfant, il pensait à lui-même, et cela compre­nait la totalité de sa vie, femme, enfant, littérature, avenir. Il sait qu’il n’a jamais rien écrit de réellement bon. Des piles de mauvais poèmes, depuis l’âge de treize ans jusqu’au mois dernier : Le Fils du printemps. La poésie l’entraîne sans pitié vers le kitsch, le tire par les cheveux, mais il faudrait dire quelque chose sur ce qui se passe, et il ne sait pas exac­tement ce qui se passe. Il a vaguement l’impression que les choses vont bien se passer, parce qu’elles sont le fruit du désir ; et quand on vit en marge, on prend des risques, sinon il serait prisonnier de la sous-vie du système, toute cette merde, il déclame presque, et il boit une autre gorgée de whisky et allume une autre cigarette. A vingt-huit ans, il n’a toujours pas terminé ses études de lettres, qu’il méprise, il boit beaucoup, rit d’une façon prolongée et inconve­nante, lit chaotiquement et écrit des textes qui encombrent son tiroir. Un crochet atavique le rattache encore à la nostalgie d’une compagnie de théâtre, qu’il fréquente une fois par an, dans une dépen­dance prolongée du gourou de l’enfance, une gymnastique interminable et insoluble pour ajuster l’horloge d’aujour­d’hui à la fantasmagorie d’une époque révolue. Rejeton attardé des années 70, imprégné de l’orgueil de la péri­phérie de la périphérie, il cherche intuitivement une issue. Il est difficile de renaître, dira-t-il, quelques années plus tard, la tête froide. En attendant,
il donne des cours privés de rédaction et révise attenti­vement des thèses et des mémoires de DEA portant sur n’importe quel sujet. La grammaire est une abstraction qui accepte tout. Il a renoncé à être horloger, ou c’est la profession qui a renoncé à lui, dinosaure médiéval. Si encore il avait la bosse du commerce, derrière un comptoir. Mais non : il a choisi de réparer des horloges, la fascination infantile pour les mécanismes et la délicatesse inutile du travail manuel.
Et cependant, il se sent optimiste, il sourit, en se voyant d’en haut, comme dans son dessin animé imaginaire devenu maintenant réalité. Seul dans le couloir, il boit une autre gorgée de whisky et se sent envahi par l’euphorie du père naissant. Les choses s’emboîtent. Un chromo publi­citaire, et il rit du paradoxe : comme si le simple fait d’avoir un fils impliquait une immolation définitive au système, mais cela n’est pas forcément mauvais, pourvu qu’on reste “entier”, qu’on soit “authentique”, “vrai” – il aimait encore ces mots ronflants pour son usage personnel, la mythologie des pouvoirs de la pureté naturelle contre les dragons de l’artifice. Il commence à se méfier de ces totalités rhéto­riques, mais il manque de courage pour rompre avec elles. De fait, il ne s’est jamais complètement délivré de cet imaginaire qui, au fond de son âme, impliquait de rester un pas en arrière, attentif, à chaque instant de la vie, pour ne pas se laisser dévorer par le terrible et inépuisable pouvoir du lieu commun et de l’impersonnel. Il fallait que la “vérité” sorte de la rhétorique et devienne une interro­gation permanente, une brève utopie, un éclat dans le regard.
Comme maintenant : et il but une autre gorgée d’alcool, presque euphorique. Il voulait créer la solennité de cet instant-là, une solennité pour son usage personnel, intime, intransmissible. Comme le metteur en scène d’une pièce de théâtre indiquant aux acteurs les éléments de la scène : sens-toi comme ceci ; avance jusque-là ; souris. Regarde comment tu prends la cigarette dans le paquet, assis tout seul sur ce banc bleu, pendant que tu attends l’arrivée de ton enfant. Croise les jambes. Pense : tu n’as pas voulu assister à l’accouchement. Maintenant, ça commence à devenir une mode, les pères assistent à la naissance des enfants, une participation quasi religieuse. Il semble que tout se transforme en religion. Mais tu n’as pas voulu, se surprend-il à dire. C’est que mon univers est mental, dirait-il peut-être, s’il était plus vieux. Un enfant, c’est l’idée d’un enfant ; une femme, l’idée d’une femme. Par­fois, les choses coïncident avec l’idée qu’on s’en fait ; parfois, non. En fait, presque jamais, mais alors le temps a déjà passé, et on s’intéresse à d’autres choses, qui relèvent d’une autre famille d’idées. Il n’a même pas voulu savoir si ce serait un garçon ou une fille : la tache épaisse de l’écho­graphie, ce fantôme primitif projeté sur un petit écran obscur, bougeant dans l’obscurité et la chaleur, ne s’est pas traduit en sexe, mais seulement en être. Nous préférons ne pas savoir, c’est ce qu’ils ont dit au médecin. Tout va bien, semble-t-il, c’est ce qui importe.

Cristovão TEZZA, Le Fils du printemps (Traduit par Sébastien Roy), Paris : Editions Métailié, 2009. Source : http://editions-metailie.com




Bibliografia completa

Ficção
• O professor
Romance. Editora Record, 2014. 240p.
• Beatriz
Contos. Editora Record, 2011. 142p.
• Um erro emocional
Romance. Editora Record, 2010. 192p.
• O filho eterno
Romance. Editora Record, 2007. 223p.(Edição especial, coleção vira-vira, junto com Trapo: Edições BestBolso, 2011.)
• O fotógrafo
Romance. Editora Record, 2011. 2ª ed., revista. 286 p. (1ª edição: Editora Rocco, 2004. 224p.)
• Breve espaço
Romance. Editora Record, 2013. 2ª edição, revista, com prólogo do autor. 350p. (1ª edição: Breve espaço entre cor e sombra. Editora Rocco, 1998. 268p.)
• Uma noite em Curitiba
Romance. Editora Record, 2014. 2ª edição, revista, com prefácio do autor. 238p. (1ª edição: Editora Rocco, 1995. 171p.)
• O Fantasma da Infância
Romance. Editora Record, 2007. 240p. 2a. edição. (1ª edição: Editora Record, 1994. 192p.)
• A Primeira Noite de Liberdade
Conto. Fundação Cultural de Curitiba & Ócios do Ofício Editora, 1994. Edição artesanal. Tiragem: 150 exemplares. Ilustrações de Poty Lazzarotto. 25p.
• A Suavidade do Vento
Romance. Editora Rocco, 2003. 2.ª edição, revista. 210 p. (1ª edição: Editora Record, 1991. 204p.)
• Juliano Pavollini
Romance. Editora Record, 2010. 3ª edição, revista. 239p. (1ª edição: Editora Record, 1989. 176p. 2ª edição: Editora Rocco, 2002. 214p.)
• Aventuras provisórias
Romance. Editora Record, 2007. 2ª edição, revista. 143p. (1ª edição: Editora Mercado Aberto, 1989. Coleção Novelas Exemplares. 106p.)
• Trapo
Romance. Editora Record, 2007. 255p. 3ª edição. (1ª edição: Editora Brasiliense, 1988. Posfácio de Paulo Leminski. 208p. 2ª edição: Editora Rocco, 1995. 196p. Edição especial, coleção vira-vira, junto com O filho eterno: Edições BestBolso, 2011)
• Ensaio da Paixão
Romance. Editora Rocco, 1999. 2.ª edição. 326p. (1ª edição: Criar Edições & Fundação Catarinense de Cultura, 1986. 252p.)
• O Terrorista Lírico
Romance. Curitiba: Criar Edições, 1981. 116p.
• A Cidade Inventada
Contos. Cooeditora, 1980. 125p.
• Gran circo das Américas
Romance. Editora Brasiliense, 1979. Coleção Jovens do Mundo Todo. 158 p.

Não-ficção
• Um operário em férias
Crônicas. Editora Record, 2013. 230p. Seleção e apresentação de Christian Schwartz. Ilustrações de Benett.
• O espírito da prosa - uma autobiografia literária
Ensaio. Editora Record, 2012. 222p.
• Entre a prosa e a poesia: Bakhtin e formalismo russo.
Tese de doutorado. USP, 2002. Editora Rocco, 2003. 319p.
• Prática de texto para estudantes universitários
Livro didático, em parceria com Carlos Alberto Faraco. Editora Vozes, 2001. 299p.
• Oficina de texto
Livro didático, em parceria com Carlos Alberto Faraco. Editora Vozes, 2003. 10ª edição: 2013. 319p.
• Os vivos e os mortos, de W. Rio Apa: visão de mundo e linguagem.
Dissertação de mestrado. UFSC, 1987. Inédita.

Participação em antologias

Ficção:
Une question de principes [Uma questão moral]. In: Le football au Brésil - onze histoires d'une passion. Org.: Paula Anacaona. Anacaona Editions, 2014. pp. 73-87.
Clases de refuerzo [Aula de reforço]. In: La invención de la realidad - antología de cuentos brasileños. Org.: Paula Parisot. Ediciones Cal y Arena, México, 2013. pp.217-229.
Der Schnitt [O corte]. In: Die horen - Zeitschrift für Literatur, Kunst und Kritik. Ein Spaziergang durch die Literatur Brasiliens. N. 251. Wallstein Verlag, 2013. Zusammengestellt von Michi Strausfeld. pp. 139-143.
Eine Frage der Moral [Uma questão moral]. In: Der schwarze Sohn Gottes - 16 Fussballgeschichten aus Brasilien. Berlin, Assoziation A, 2013. Org.: Luiz Ruffato. pp. 168-177.
Uma questão moral. In: Entre as quatro linhas - contos sobre futebol. Org.: Luiz Ruffato. Editora DSOP, 2013. pp. 173-181.
The cut [O corte]. In: Ten/Dez. Edição bilingue, comemorativa dos dez anos da Flip. Org.: Liz Calder e Flávio Moura. Ilustrações Jeff Fisher. Associação Casa Azul & Ministério da Cultura, 2012. pp. 40-43.

Alice and the writer [Alice e o escritor]. In: Brazil - a traveler's literary companion. Edited by Alexis Levitin. Foreword by Gregory Rabassa. Berkeley, California. Whereabouts Press, 2010. pp. 222-234.
O adotado. In: Recontando Machado. Org.: Luiz Antonio Aguiar. Rio de Janeiro: Record, 2008.
A palestra. In: Um homem célebre - Machado recriado. São Paulo: Publifolha, 2008.
Aula de reforço. In: SANCHES NETO, Miguel. Org. Contos para ler na escola. Rio de Janeiro: Record, 2007.
Os telhados de Coimbra. In: SANCHES NETO, Miguel. Org. Contos para ler em viagem. Rio de Janeiro: Record, 2005; e PELLEGRINI JR., Domingos. Org. Assim escrevem os paranaenses. São Paulo: Alfa-Ômega, 1977.
Crepúsculo de chumbo e ouro. In: SANCHES NETO, Miguel. Org. Contos para ler no bar. Rio de Janeiro: Record, 2007.
Doutor Cid e o escritor. In: PENTEADO, Rodrigo (Org.). Corrupção: 18 contos. São Paulo: Ateliê Editorial & Transparência Brasil, 2002.
Penélope. In: CARDOZO, Flávio José Cardozo e outros (org.). Este amor catarina. Florianópolis: Editora da UFSC, 1996.

Não-ficção:
"Sobre a autoridade poética". In: FARACO, C. A.; TEZZA, C.; CASTRO, G. (org.) Vinte ensaios sobre Bakhtin. Petrópolis: Vozes, 2006. pp. 235-254.
"Poesia". In: Bakhtin - outros conceitos-chave. BRAIT, B. (Org.). São Paulo: Editora Contexto, 2006. pp. 195-217.
"Polyphony as an Ethical Category". In: ZILKO, B. (Org.) Bakhtin & His Intellectual Ambience. Gdansk: Wydawnictwo Uniwersytetu Gdanskiego, 2002. pp. 185-192.
"Sobre o autor e o herói: um roteiro de leitura". In: FARACO, C. A.; CASTRO, G.; TEZZA, C. (Org.) Diálogos com Bakhtin. Curitiba: Editora UFPR. 3ª ed., 2001. pp. 273-303.
"A construção das vozes no romance". In: BRAIT, Beth. (Org.) Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Editora da Unicamp, 2001. pp. 219-226.
"Discurso poético e discurso romanesco na teoria de Bakhtin". In: Uma introdução a Bakhtin. Curitiba: Ed. Hatier, 1988.



Nenhum comentário:

Postar um comentário