domingo, 31 de agosto de 2014

Um dedo de prosa com Susana Fuentes

Um dedo de prosa com Susana Fuentes

Deslocamentos e desconfortos, eis alguns termos que melhor definam o percurso e o processo de criação da escritora Susana Fuentes. Autora do romance Luzia (7Letras, 2011), Susana Fuentes fois finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2012 na categoria Melhor Livro do Ano - Autor Estreante.  Seu livro de contos Escola de Gigantes (7Letras, 2005) foi selecionado para a Biblioteca do Professor no programa “Rio, uma cidade de leitores”, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro em 2010, sendo distribuído entre os professores da rede do município. Doutora em Literatura Comparada e Mestre em Literatura Brasileira pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, atualmente desenvolve pesquisa de Pós-Doutorado UERJ/FAPERJ. Participou de várias antologias e revistas literárias com os seus contos, e escreveu a peça teatral Prelúdios: em quatro caixas de lembranças e uma canção de amor desfeito, onde também atua.  Em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim no Rio de Janeiro em 2009, foi selecionada para participar do festival de teatro The New York International Fringe Festival em 2012. Em 2014 Susana Fuentes participou do Salão do Livro de Paris e do Printemps Littéraire Brésilien, organizado na Université Paris-Sorbonne.

Susana Fuentes e Leonardo Tonus na Université Paris-Sorbonne
Consultem os vídeos abaixo nos quais a autora fala do seu percurso literário, evoca o processo de criação do romance Luzia e comenta sua relação com o universo romanesco da escritora Adriana Lisboa.



Um pouco de leitura.

A árvore de que gostava tanto

A árvore de que gostava tanto. Subia, subia em seus galhos. Quando estava triste, escondia-se no alto, entre as folhas. Lembra-se de seu último refúgio, aquela árvore, e continua seu caminho na chuva a pé até sua casa, avança, a chuva faz mover as lembranças. De repente, outro clarão, era o passado vindo em sua direção.

Na Lagoa, abraçou-se à árvore em pensamento. Luzia ainda enxergava as raízes no ar, daí carimbou os pés no chão, imaginou o abraço mais forte. Enterrados os pés, uma nova árvore, suas raízes fincadas na terra. Demorou-se o tempo todo do caminho com o pensamento na árvore escolhida. As raízes de novo no solo, só o tronco, em raspas finas, desfolhava-se. Os pés descem da árvore, pisam a terra, não mais evitam o chão. Há que se plantar de volta a raiz. Fincar o lápis no livro, no caderno.

Num relâmpago, vê. Seu vestido molhado. Lembra-se daquele dia, ali não existia pensamento, o vestido ensopado. Não era água, era vermelho. O sangue no vestido. Os ossos gelam. Água, sempre a água, de novo. Viu Dora, viu seu corpinho, deu-lhe a boneca e o vestido de chita. Pronto, minha irmãzinha, com quem ia brincar e dividir segredos, correr e falar todas as bobagens e escapar da mulher do tio antes que ela pudesse nos pegar. Não ia deixar nada acontecer a você. A gente fugia, com você minhas pernas iam ter forças de correr o mundo.

Avante, vê o passado à luz do céu, usa a espada, desfere golpes de trovão. Avante. O raio lhe diz que está viva. A chuva ao seu redor, já, já, chega em casa. O guarda-chuva é redoma incerta, protege só o alto da cabeça, o peito, mas a sandália no chão desliza de novo, da perna escorre a água até a sola da sandália. Tem esta visão novamente, aquela tarde esquecida, na rua em Botafogo a sandália resvala no pé, foge o apoio do chão, está gelado, o vestido molhado nas pontas, em cima tudo seco, na barra do vestido o molhado, o vermelho, o gelado subindo-lhe pelos ossos, vem de baixo, aqui em cima ainda estou segura, o morno do peito, não, o gelo sobe pelas costas, o desconforto, não gosto da chuva, quero um pano seco, uma toalha branca perfumada, um cobertor macio para afundar, afundar, e não precisar voltar nunca mais.

Da Lagoa para o Jardim de Alá, quando Luzia viu, tinha perdido o guarda-chuva. Na rua, alguém lhe pergunta:
Você está bem?
Luzia sente escorrer uma lágrima. Sabe qual é a lágrima, apesar das gotas no rosto, apesar da chuva.

A criança, a chuva

Chove lá fora. Com o coração aquecido, no quarto de hotel em Maraberto, Luzia fecha os olhos e vê os tijolos sob a escada, os rolinhos de papel. A lembrança deles na volta da escola antiga, aos treze anos. A lembrança deles quando começou a pensar na viagem a Maraberto. Agora que já viajou até lá, a lembrança da lembrança. Luzia fecha os olhos e deixa vir a tarde dos seus treze anos, a lembrança escondida. Seu pensamento voa para o esconderijo de antes. Antes dos tijolos, o esconderijo era a árvore. Seu esconderijo. Naquela tarde de chuva, é para lá que se vê correndo. Ou não corre, anda sem rumo, o vestido está todo molhado. O molhado é vermelho, é água cor de tinta, é a água sem cor e gelada, a que escorre dela. Quente, vermelha, branco também. Continua a chover. O leite branco na perna, não sente dor, nada sente. Só o gelado da água, não quer tocar o chão, levanta no ar um joelho, depois o outro. Ninguém com quem conversar. Sobe na árvore, o joelho no ar, um e outro. Lá em cima, chora, no galho mais alto, seu esconderijo, chora uma dor sem culpa, não tinha mais um corpo seu.

Luzia tinha mantido o silêncio, e quando percebeu a mudança em seu corpo, nos seios inchados, doloridos, começou a viver alguns dias de inesperada paz. Na casa do tio, Luzia começou a fazer todo o trabalho, atenta a tudo. Anatércia andou desconfiada: a menina mais parece uma santa. Mas Luzia continuava o empenho no trabalho da casa, não a deixava esfregar uma panela, e a mulher do tio foi até se acostumando. O único momento de Luzia a sós era no alto da árvore, dali ninguém a tirava, e nessa hora é quando Anatércia cochilava. Mas o que ninguém sabia, e era segredo seu, só seu, era que Luzia olhava e via, via na sua barriga Dora crescer.
O sócio do tio a viu sorrindo daquele jeito estranho. Não gostou. Não gostou que a garota não se deixasse abalar. Pois sim, no dia seguinte, a árvore não estava mais de pé.
– Mandei cortar, Augusto, mandei cortar.
– Mas por quê, homem, não estava bem ali?
– Dava muito trabalho, você há de convir, cuidar da farmácia e ainda ficar com o pátio em ordem, dá muito trabalho, soltava muitas folhas, e depois quem pagará para varrerem o pátio o tempo todo? Já estava causando má impressão. Sabe o quê? A
árvore já estava era doente.
O tio abaixou a cabeça, levantou-se, pegou sua maleta, atravessou o jardim e subiu os degraus da varanda em frente. Não olhou para o toco, ficava o espaço vazio. Foi Luzia quem voltou do colégio e deu um grito. Deu um grito surdo, passou correndo pelo pátio e abraçou-se ao tronco caído.

A barriga cresceu

A barriga cresceu ao lado do cotoco da árvore. Depois, como se fosse inevitável, com a árvore abatida o bebê também se deixou abater. A criança nasceu e morreu, como se acelerando o percurso simplesmente morresse, sem crescer. Luzia não aceitou a fatalidade, e acreditou que Dora, esse foi o nome que deu à menina, crescia em algum outro lugar.     
Sua loucura particular, seu segredo. Estava no ar, na mesa, na cama. Sua irmãzinha Dora, a criança que morreu, escapou de seus braços. A árvore. Ali enterrou os brinquedos para Dora. E plantou flores para Dora. E Dora continuou crescendo, crescendo, Luzia também, crescia, terminava de crescer só em tamanho, e cada vestido novo era seu e era de Dora, no armário cuidava para ter além da conta, para as duas. Mesmo depois quando morreu o tio, foi-se a tia, e o apartamento fechado de sua mãe na Glória passou a ser seu. Quis acreditar que Dora estava lá, sob o teto da infância que ficou para trás. Ali onde a mãe teve seus últimos dias, quando Luzia ainda respirava felicidade. Depois não respirou mais. Coisa alguma. A árvore no quintal da casa em Botafogo foi o único lugar onde ainda respirou. Onde conseguiu sobreviver ao dia terrível. Ao ataque. A árvore era quem a mimava, cuidava das lágrimas em sustos. A irmã subia na árvore também, ela sabe que sim, carregada pelos braços da árvore, e lhe fazia cócegas nos cabelos cheios de nós. Dora, Dorinha, quando o dia está escondido na fumaça, no barulho dos sapos. Você quer pipoca? Pipoqueiro à vista. Olha o pipoqueiro! E Luzia no alto da árvore abria um sorriso porque de repente estava muito feliz.
Quando perdeu a árvore, começou a escrever com o papel
apoiado na barriga:

Uma menina. Dora. Adorada.

Quando perdeu a barriga, apoiou o papel no toco da árvore. E foi a última coisa que escreveu:

O bebê morreu. Um anjinho.

Esse papel ficou ali, no chão, ao sabor do vento. Na terra só as flores. E os brinquedos por último enterrados, onde as raízes persistiam vivas.

Referência das páginas:
A árvore de que gostava tanto (p. 48-50)
A criança, a chuva (p. 70-71)
A barriga cresceu (p.74 -75) 



De cristal, em líquida pureza.
Por Lúcia Bettencourt (*)

Luzia, o romance de Susana Fuentes, chega às nossas mãos em formato de livro, mas é feito de puro cristal. Como se sabe, os cristais com 24% de chumbo são considerados nobres, isentos de qualquer impureza. E é o chumbo presente em sua composição que proporciona às peças de cristal, maior transparência, maior peso e o inigualável brilho característico das mesmas. Pois é a qualidade plúmbea da história narrada no romance que ressalta a prosa elegante e límpida de Fuentes, sua habilidade narrativa e suas imagens poéticas.
Na história de Luzia, traumática, o chumbo da dor não esmaga a personagem. Derrete-a e funde-a em outras, que ajudam a cicatrizar a dor e o medo. As perdas se sucedem, um pai ausente, a mãe morta, a tia mesquinha e brutal, o tio indiferente impelem a menina que cai nas garras do sócio, desprezível. Nas memórias, desentranhadas com delicadeza, descreve-se o estupro, não com os atos, geralmente de violência, mas com as palavras de aliciamento e de ameaças veladas.  “Não vou te machucar”; “você não tem pena de um homem velho como eu?”; “você só não pode contar para ninguém”; “essa gente não entende, não são como nós”, e a menina cala seu desespero, assustada. Esconde a dor até não ser mais possível disfarçar.
A salvação de Luzia está em sua imaginação e também no palco, onde pode ser quem não é, mas, sobretudo, na escrita. As palavras, finalmente proferidas, fazem da história uma trama de romance e é assim que é possível olhar a dor com objetividade e distanciamento. No corpo por escrito o sinal de sangue se substitui pela marca do grafite (onde se suspeitava o chumbo).  Cada vez mais leve, possível de ser apagado, esse novo chumbo já não isola e é escrevendo o próprio corpo que Luzia toma de volta posse do que um dia foi seu. E é assim que nasce duas vezes, de sua mãe, de sua mão.
Numa linda cena de autoerotismo, a personagem conhece-se a si mesma: “o lençol lhe dava ali de presente a outra pessoa, o seu corpo”. Nessa ambígua referência, o nome murmurado é o de Joaquim Marino, mas a evidência é a própria pele, conquistada.
Trabalhando entre dados reais e realidades oníricas, a história se condensa e se desdobra em cenários líquidos.  Um Rio só de montanhas, as ruas de Esperanza, a distância de Maraberto. É preciso que o leitor atente para a presença da água, do mar. A própria epígrafe nos orienta: “No azul onde um falou neve, o outro falou mar.” A água, corrente, livre, libertadora se opõe àquela estagnada, congelada. O gato Murmar só bebe água corrente, as palavras brincam como ondas, nos livros, colados às orelhas, Luzia consegue escutar o mar, esse mar que se revela Azul Marino em Joaquim.
Os fatos do cotidiano se transmudam em beleza, num treinamento para transformar o passado. Descascar um inhame é um ato poético, ler é descobrir a liberdade, escutar música é fazer as pazes com a alegria, escrever é ser, enfim.
A história triste se revela uma história feliz. Há esperança, renascimento. Mar e ilha se complementam e justificam e as rosas aprendem que não precisam se desculpar por existir. Na catarse de Luzia existe até mesmo espaço para o amor, para o outro. E a violência, finalmente aceita, é positiva, criadora. A violência transmudada pela arte, nos desenhos de Lisbet, ou pela glória do corpo aceito, no sexo.
Susana Fuentes confirma, em seu romance, o talento já exibido em seus contos. Seu livro Escola de Gigantes entrou para a Biblioteca do Professor no programa Rio, uma cidade de leitores, da Secretaria Municipal de Educação, para a alegria dos leitores dos seus textos cuidados, bem construídos.
Que esse cristal acondicionado no livro de Fuentes ilumine a imaginação dos leitores e reverbere com o brilho merecido.
Luzia. Susana Fuentes (7Letras).

(*) Lúcia Bettencourt
Lúcia Bettencourt é escritora. Autora de A secretária de Borges, vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2005 (Record, 2006). Recebeu os prêmios Osman Lins de Contos, de 2005, e Josué Guimarães, obtido na Jornada de Passo Fundo em 2007.  Publicou também Linha de Sombra (2008) e O Amor Acontece – Um Romance em Veneza (2012), ambos pela Record. Seu livro O banquete: uma degustação de textos e imagens (Vermelho Marinho, 2012) recebeu o Prêmio da ABL na categoria Ensaio em 2013. Colaborou com o jornal Rascunho e o suplemento literário Idéias, do Jornal do Brasil. Doutora em Literatura Comparada pela UFF - Universidade Federal Fluminense, vive no Rio de Janeiro (RJ).



Assistam os videos do Salão do Livro de Paris 2014 clicando no link : Salão do Livro de Paris 2014.

Eunie Gutmann, Luize Valente e Susana Fuentes no Salon du LIvre de Paris 2014




quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A implosão do romance


 A implosão do romance

                                                                                                     
Ronaldo Cagiano (*)

Poeta, ficcionista e professor, Antonio Geraldo Figueiredo Ferreira é uma das gratas revelações da literatura contemporânea brasileira, num cenário nem sempre profícuo a dar vez e voz a bons escritores publicados por pequenas editoras ou vivendo longe do eixo hegemônico e monopolista da grande imprensa.
O autor foi revelado nacionalmente a partir de uma crítica homologatória que, em boa hora, foi entalhada por ninguém menos que o abalizado crítico e ensaísta Luiz Costa Lima, no suplemento cultural do jornal Valor Econômico, quando lançou luzes sob a potência de seu trabalho, tendo o romance despertado a atenção de todo o País, saudado ainda por manifestações favoráveis de Raimundo Carrero, Ariano Suassuna e Alfredo Monte.
Figueiredo foi finalista dos prêmios “Portugal Telecom” e “São Paulo de Literatura” do ano passado com uma obra monumental - As visitas que hoje estamos – empreitada de fôlego e meticulosa construção, emergindo da pequena Arceburgo, no sul de Minas, onde vive há mais de vinte anos esse paulista de 48 anos,  nascido em Mococa, formado em Letras pela USP, proprietário de dois armarinhos e professor de literatura e língua portuguesa em escolas e cursinhos, detentor da maior e mais sofisticada biblioteca da cidade, um paraíso em meio ao deserto estético que paira sobre a maioria das comunas do interior.
A obra é uma reafirmação do romance justamente a partir de sua negação como estrutura formal como o conhecemos tradicionalmente, pois o autor confeccionou uma verdadeira babel ficcional, em que vozes distintas e multifárias se encadeiam para erguer uma história caudalosa e fragmentária da vida de um pequeno espaço geográfico, o do interior, onde a cartografia psicológica de cada personagem impulsiona tanto a linguagem como a temática tão caleidoscópica como desafiadora para o autor e instigante para o leitor.
Em diversas entrevistas e incursões na imprensa após a eclosão tsunâmica de seu romance, Geraldo deslindou as bases de sua arquitetura romanesca, a partir de um olhar multifacético sobre o microcosmo de uma cidade de apenas dez mil habitantes,  matéria e circunstância para o livro, fruto de um olhar aguçado e reflexivo sobre as mazelas de uma vida sempre a mesma, onde o tempo passa devagar e as pessoas são coadjuvantes ou testemunhas dessa inércia.
Para o autor – que já teve o livro de poemas Peixe e míngua (Ed. Nankim, São Paulo) custeado com patrocínio de uma empresa da cidade, também só foi possível tirar os inéditos da gaveta e do anonimato, graças ao apoio de lei de incentivo, algo comum à maioria dos autores brasileiros num cenário cada dia mais excludente e sem critérios, onde cavar espaço e publicação é uma injusta via crúcis. 


O pontapé de Costa Lima, que atestou a indiscutível qualidade e originalidade da obra, a reboque da impactante chacoalhada que o autor deu no gênero (“Comecei a lê-lo há poucos dias.  E minha surpresa positiva se instalou de imediato e não me abandonou, até agora, quando já estou além de sua metade. A surpresa, boa, extremamente boa, e inspirada tem sido tamanha que me dispus a escrever uma resenha sobre ele”) foi fundamental para que o livro alcançasse a merecida ressonância, pelo indiscutível padrão da linguagem, pela inequívoca carga semântica das narrativas, pelo olhar crítico e metafórico sobre as vidas miúdas do interior.
As visitas que hoje estamos foge ao romance tradicional, burguês e contemporâneo, sem contudo negá-lo. É pelo recorte de várias situações que o todo se impõe, sem perder o liame, ainda que não seja uma prosa costumeira e linear. A partir de uma opção formal, cujos recursos assimilam dicções da crônica social e incorporam elementos de outras linguagens, como a poesia, o teatro, a crítica literária e o ensaio, delineando um estilo em que linguagem, tensão e densidade formam uma relação simbiótica. Ao imergir no aluvião da memória individual e coletiva, Ferreira auscultou o pulmão e radiografou as vísceras de uma cidade e seus protagonistas, para erguer, numa obra polifônica, que consumiu cerca de dez anos de carpintaria e coleta histórica e sensorial, uma profunda análise dessas vida anônimas e imutáveis, para demonstrar, com requintes metalingüísticos e outras sutilezas narrativas, que “A vida deve ser, e é, maior do que qualquer arte. Entretanto, esse é justamente o motivo pelo qual a grande obra permanece.”
Sem dúvida, As visitas que hoje estamos fará parte do verdadeiro cânone nacional, obra que sobreviverá aos modismos, às idiossincrasias de uma crítica acadêmica nem sempre honesta e aos bafejos oportunistas dos viciados cadernos de cultura dos grandes centros,  pela inventividade, pela liberdade com que esculpiu no gênero romance uma expressão mais dinâmica e inconformada, mais crítica e mais proeminente, porque falou com paixão e qualidade, sobre o que é essencial e profundamente humano sobre nossa precariedade existencial.

(*) Autor de Dicionário de pequenas solidões (contos, Língua Geral, Rio 2006) e O sol nas feridas (Poesia, Dobra Editorial, 2011, SP), dentre outros, Ronaldo Cagiano é mineiro de Cataguases e vive em São Paulo.


Assistam ao depoimento que o escritor concedeu ao Blog Estudos Lusófonos e no qual ele homenageia os escritores João Antonio, Samuel Rawet e Augusto Roa Bastos. Cliquem aqui

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Brasil ganha revista literária

Brasil ganha revista literária

A nova revista literária São Paulo Review, criada pelo escritor e colaborador deste blog, Alexandre Staut, em parceira com a escritora Viviane Ka, vai ao ar no dia 23, sábado. Traz inéditos de Jacques Fux (Prêmio São Paulo do Literatura 2013) e Ana Elisa Ribeiro, além de uma homenagem a Samuel Rawet, que morreu há exatos 30 anos, feita por Ronaldo Cagiano.

A publicação pretende ser um espaço colaborativo para críticas, bate-papo, inéditos, notícias e novidades sobre o mundo da literatura no Brasil e no mundo, com foco na pluralidade de vozes e diversidade cultural.

Consultem a revista no endereço :  www.saopauloreview.com.br


O conselho editorial da publicação é formado por Flávia Gusmão, Marta Barbosa Stephens (Inglaterra), Gisele Corrêa Ferreira, Kiko Sucupira, Humberto Werneck, Ivam Cabral, Ana Lima Cecílio, Maria Valéria Rezende e Leonardo Tonus (França), coordenador deste blog.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Le Brésil au salon du Livre de Paris


Le Brésil au salon du Livre de Paris


Les invités officiels de cette édition 2014 ont été les écrivains Ana Martins Marques, Cristóvão Tezza, Marcelino Freire, Michel Laub, Newton Moreno et Tércia Montenegro. Pendant l'événement, organisé par l’Ambassade du Brésil en France, trois ateliers enfance et jeunesse, six lancements de livre, cinq séances de dédicaces et six tables-rondes avec 13 écrivains ont eu lieu sur le stand du Brésil. Outre les invités officiels, le stand du Brésil a accueilli les auteurs brésiliens Guiomar de Grammont, Susana Fuentes, Julián Fuks, Alexandre Staut et Luize Valente. Des activités ont également été organisées en partenariat avec des institutions françaises renommées, comme l'Université Paris-Sorbonne, la Maison de l'Amérique latine et la Fondation Calouste Gulbenkian. Le Brésil participera à nouveau à la prochaine édition de cet événement majeur de la scène littéraire internationale et assurera une présence encore plus importante que celle des années précédentes. En 2015, le Brésil sera le pays à l’honneur du Salon du livre de Paris !

Les vidéos des tables rondes animées lors du Salon du livre de Paris 2014 sont disponibles sur les liens suivants :

Clip officiel de la participation du Brésil au Salon du Livre de Paris 2014. Cliquez ici.

 
Dire le quotidien. Rencontre avec les écrivains brésiliens Michel Laub, Ana Martins Marques et Tércia Montenegro. Table ronde animée par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne). Version française. Cliquez ici.


Amar, amaro. Rencontre avec les écrivains brésiliens Marcelino Freire, Newton Moreno et Cristóvão Tezza. Table ronde animée par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne). Version française. Cliquez ici. 



O Brasil no Salão do Livro de Paris

Os convidados oficiais deste edição de 2014 foram os escritores Ana Martins Marques, Cristóvão Tezza, Marcelino Freire, Michel Laub, Newton Moreno e Tércia Montenegro. O evento, organizado pela Embaixada do Brasil na França, contou com três ateliês para jovens e crianças, seis lançamentos de livro, cinco seções de dedicatórias e seis mesas-redondas com a participação de 13 escritores. Para além dos convidados oficiais, o stand do Brail, recebeu os escritores brasileiros Guiomar de Grammont, Susana Fuentes, Julián Fuks, Alexandre Staut et Luize Valente. Diversas atividades foram também organizadas em parceria com instituições francesas de renome, dentre as quais a Université Paris-Sorbonne, a Maison de l'Amérique latine e a Fundação Calouste Gulbenkian. O Brasil participará da próxima edição deste importante evento na cena literária internacional, assegurando uma presença ainda maior do que nos anos precedentes. Em 2015, o Brasil será o país de honra do Salão do Livro de Paris. Não percam !  

Assistam aos vídeos dos encontros da edição 2014 do Salão do Livro nos links abaixo :  

Clip oficial da participação do Brasil no Salão do Livro de 2014. Cliquem aqui. 
Encontros e desencontros. Encontro com os escritores brasileiros Michel Laub, Ana Martins Marques e Tércia Montenegro. Mesa-redonda moderada por Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne). Versão original. Cliquem aqui.
Amar, amaro. Encontro com os escritores brasileiros Marcelino Freire, Newton Moreno e Cristóvão Tezza. Mesa-redonda moderada por Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne). Versão original. Cliquem aqui.



Retrouvez l’enregistrement de la table ronde avec les écrivains Cristóvão Tezza et Michel Laub qui a eu lieu à la Fondation Calouste Gulbenkian le 13 mars 2014. L’évènement a éte organisé par l’Ambassade du Brésil en France dans le cadre du Salon du Livre de Paris 2014. La modération a éte réalisée par Leonardo Tonus, Maître de conférence à l’Université Paris-Sorbonne.
Cliquez ici. Tezza e Laub


Consultem a gravação da mesa-redonda com os escritores Cristóvão Tezza e Michel Laub que aconteceu na Fondation Calouste Gulbenkian no dia 13 de março de 2014. O encontro foi organizado pela Embaixada do Brasil na França dentro das atividades do Salão do Livro de Paris 2014. A moderação da mesa-redonda foi realizada pelo professor Leonardo Tonus da Université Paris-Sorbonne. Cliquem aqui :


Consultez les vidéos des éditions précédentes sur les liens ci-dessous :




Fiche des auteurs invités et programmation littéraire actualisée de l’édition 2014 sur le site de l’Ambassade du Brésil en France :

Fichas dos autores convidados e programação atualizada da edição 2014 no site da Embaixada do Brasil na França :