quinta-feira, 22 de maio de 2014

A colonização do Oeste

A colonização do Oeste

A jornalista e pesquisadora brasileira, Mazé Torquato Chotil estará na Casa do Brasil, sábado, dia 24 de maio, das 11h30 às 14h30 para o lançamento de seu último livro Minha aventura na colonização do Oeste.

A historia-aventura é contada por uma personagem que escreve cartas para uma filha distante. Aos poucos, ela nos envolve e nos faz viajar juntos “descendo” do seu Ceará até o “Sul”do país : o interior de São Paulo e a região da “Grande Dourados” desabitada, inóspita e desprovida de qualquer infraestrutura durante as décadas de cinquenta e sessenta onde se desenrola boa parte da história.  

Brasileira, nascida num sítio em Glória de Dourados-MS, Mazé Torquato Chotil é jornalista, pesquisadora, doutora em ciências da informação e da comunicação pela Universidade de Paris VIII. É autora de Lembranças do sítio, Minha Paris Brasileira e Ouvrière chez Bidermann : une histoire, des viés. Vive em Paris desde 1985.

Contato : Mazé Torquato Chotil : machotil@yahoo.fr


quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cândido Portinari : do Cafezal às Nações Unidas

Cândido Portinari : do Cafezal às Nações Unidas

Conférence de Monsieur le Professeur
João Cândido Portinari

À l’occasion de l’exposition Guerre et Paix de Portinari. Un chef-d’œuvre brésilien pour l’ONU au Grand Palais, le Département des Etudes Lusophones de l’Université Paris-Sorbonne a le plaisir de vous inviter à la conférence de Monsieur le Professeur João Cândido Portinari, Directeur du Projet Portinari et Commissaire de l’exposition.

Conférence en français

Modération : Leonardo Tonus
Maître de Conférences – Université Paris-Sorbonne

Le mercredi 21 mai
à 17 heures

Salles des Conférences D035
 Université Paris-Sorbonne
Maison de la Recherche
28, rue Serpente
75006 Paris

Tel : 33 (0)1 53 10 57 00
Metro : Odéon, Saint-Michel




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Febre

La Voix Lactée de Geneviève Cadieux
Febre
Carla Alexandra Ezarqui (*)

365. Abre o chuveiro e se pergunta que dia é hoje. Trezentos e sessenta e cinco dias. O vapor da água embaça o espelho. Trezentos e sessenta e cinco dias em pleno desenrolar de um história que ainda se escreve e se inscreve no corpo, talvez pelo tempo, essa mão sem sentidos, pois aquela mão ardente já se cansou de apagar, amassar o dia, jogar a semana fora, começar um papel novo. Um papel difícil de assumir, quando o pouco que se queria era respirar, mas respirar profundamente, naquele instante em que se consegue só respirar e sentir paz. Um instante. Sentir o ar que se renova e renova todo um processo de existir. Sentir a alma respirar, depois de todo o suor. 36,5 graus. Já faz algum tempo, deve estar passando. Não muda, nunca se sabe quando vem, mas vem, tão certa quanto a certeza de que ela vai voltar.
Franklin D. Roosevelt. Nona estação da linha um. Correspondência com a nove. Cores jaune e vert, nove. Rumo à estação Champs-Élysées. Fila, tumulto, quanta gente! Um pé, depois outro, outro e outro... A escada rolante cujos degraus desaparecem e reaparecem, assim como a febre estão sempre ali, um ciclo contínuo e infinito, a menos que a energia acabe. Os meus degraus ainda param qualquer dia. A escada carregando o peso do corpo, os degraus apanhando e empurrando a todo instante, um corpo pra frente, como a esteira de uma linha de montagem da máquina de fazer gente, a única diferença é que as pessoas saem na mesma forma que entraram. Forma. É muito difícil se manter o mesmo, enquanto se pensa. Se não se vive, ao menos, desloca-se. De uma estação à outra, compromissos-escadas-rolantes. A continuidade de uma vida inteira em modo escada rolante. Um som. A música. Eu conheço essa música, não consigo me lembrar, mas esse som... Nanananana-na-na, et si tu n'existais pas, nada teria existido e eu não sentiria esse borbulhar na alma. Tantos versos, tantas palavras descobertas ao descoberto, no momento em que a febre tomava conta de dois corpos e a música tocava e o verso se repetia... longe, o infante... que intuito tem... ele mesmo era.... a febre. Vinte e nove de abril, diplomata sessenta e um. Papeizinhos. Semáforo, seu melhor amigo. Viagens, distância, estrada. Fim de semana, voyage. Nove. A camiseta já estava molhada outra vez. O termômetro, jogado fora. Há números demais! Mas também, você não vai querer abrir a sua bolsa aqui e agora, não é? Me deixa. Que besteira numerar o que é pura palavra. Não dá pra medir a sua extensão, tão menos o não-palavra. A palavra cria um estado, o não-palavra, fantasmas falantes que deixam a cabeça a ponto de explodir. Os e-mails, as músicas, as conversas mais inexplicáveis. A poesia. O livro colocado de propósito embaixo do travesseiro. Índice, receita. Eu já tinha te falado, você deveria saber. As feias, belo e inesperado. Alguma coisa além da carne, a trinta e sete graus centígrados. Queimaduras. A escada, nanananana-na-na, a música que se acabava, a tentativa desesperada de acompanhar a melodia para encontrar a letra esquecida em meio a tantos papeis bem lá no fundo das gavetas da memória que não devem ser abertas, mas assim permanecem, já não se consegue trancá-las. Aliás, você sempre perde a sua chave, qualquer dia você ainda fica pra fora de casa. É preciso tirar os outros papéis de cima pra conseguir puxar. Não dá, está preso. A bigorna retém, porque pesa de razão e de tempo. Não lembrar é não sentir, de novo, a febre. O suor ainda escorre, as palpitações diminuem. Segundos eternos de deslocamento e quando se pisa firme, a música terminara. Et si tu n'existais pas. Não valeria a pena pedir ao cara que tocava o sax, tocar de novo. Ele poderia ser grosso, enquanto que minutos antes, bastaria jogar algumas moedinhas pra ele ficar satisfeito. Além do mais, no metrô tem tanta gente estranha, ele deve ser mais um desses loucos. Para de pensar essas bobagens, cuida da sua vida, o metrô está chegando, presta atenção, aperta o botão logo. As portas se abrem e a vida continua na próxima estação. Attention à la marche en descendant du train. Please mind the gap between the train and the platform. Attenzione al gradino scendendo dal treno. Atenção à lacuna! À porta também! Pardon, pardon, pardon, vai fechar, vai logo. Eu não sei o que eu faço com você, se de novo, você precisar voltar uma estação e não esqueça: às nove. Não se atrase! Lembre-se que o metrô sempre pode parar.


Meia noite, um ano e todo um tormento de meses na tentativa de escapar dela, dia após dia, de minuto a minuto. Nesse momento a falta de barulho faz pensar. Não pensa, não pensa. Só agradece a Deus e dorme. Do outro lado da rua ainda se ouve o movimento dos vagões nos trilhos, aqui o metrô é um cômodo estendido da casa. Trezentos e sessenta e cinco dias, trezentos e sessenta e seis agora. O pensamento já aprendeu a colocar a sua camisa de força pra dormir, pelo menos assim vocês se cansam menos. Dorme. Mas um barulho no meio da noite, uma algazarra lá fora, pode acordar a febre ainda antes que ela acorde o sono. Ela está em plena vigília, esperando o momento mais inoportuno de acontecer pra se liberar na pele, se acaso falta espaço na mente. Não sonha, você sabe que ela vem. Pronto, as lavas. Cuide delas agora, com bastante água. Eu te avisei. As gotas de suor caem involuntariamente, as lágrimas não. O calor. Trinta e nove graus.
"Eu não sinto mais, mas eu ainda sou...” A febre. “Que eu senti por você." A frase vem reprimida, em pedaços como o que ainda resta. Não pensa, não lembra, não sente de novo. Pior conhecer o céu e não vê-lo mais ou nunca ter enxergado? O que prefere quem não pode ver, enxergar o que há no final da escada ou simplesmente sentir-se levado? Eu sinto a felicidade ou só a recordo? Quando é que você vai parar com isso? Levanta, toma uma água. Quando foi embora? Que dia chegou? Memória. Tenho uma caixa de recordações, um monte de coisas sem valor que valem além da presença. Tudo o que se passou foi moldado pelo formato do acaso, agora cabe na caixa. É preciso ver acabado, ver de fora e de longe. Uma obra de arte enquanto se faz, não o é. O que se tem não é aquela coisa ali que eu disse, ou pas encore. Se ela ouvir, não volta mesmo. Detesta ser esperada. O que ela quer é surpreender, assim como a febre, dá no mesmo. Como a temperatura que sobe, o suor que escorre, o devaneio que equilibra a lucidez na corda bamba da loucura, só é febre quando acaba, se continuasse seria doença e porque não, a morte dos romances do século XIX? Resíduos acumulados cujo teor de nocividade corresponde ao tempo em que ficaram guardados, sem nenhum toque, apesar das milhares tentativas. Corroem. E nem experimente mexer lá. Não! No seu corpo... Trindade, curvas, o cartão. 1 La Défense – Château de Vincennes. Paz infinita, festa vinte anos... e continua a viajem, a dança... 9 Pont de Sèvres – Mairie de Montreuil. A embriaguez, o amor febril, as loucuras... O apito da porta, a paz. Tem um assento livre ali. O suor que não cessa, escorre, a frase que se repete interminavelmente como o ruído de uma obra em construção. Outra roupa molhada. Levanta, se troca e liga o note, se distrai, já vai passar, tão rápido que não dá nem tempo de começar a chorar. "Eu não sinto mais, mas eu ainda sou” tanta coisa escrita, que é impossível ler. O ser, o tempo, a febre, o que restou dos quatro. Está tudo ali, começo meio e febre. Pense as gotas de suor, pense na passagem do ser, de estação em estação, a febre que antes estado, passou a ser existência. O corpo não aguenta, a temperatura sobe. Distantes demais no tempo. “Eu também não sinto mais, mas sempre vou ser”... é preciso parar, o suor escore, o calor sufoca, a febre enlouquece... Para de reler esse e-mail. Exclui. “Em que você me transformou.” Trinta e nove graus, a febre. Descobre-se algo, simplesmente para saber que estava ali? Em você ou em mim? Existia. Respire, acalme-se, durma.
Espelho embaçado. Franklin D. Roosevelt, o cara gordo e barbudo do sax não está mais lá. Tente não falar sozinha, quando muito faça uma expressão leve com o rosto, sem entortar a boca como você costuma fazer, mas não se entusiasme, as pessoas podem tentar imaginar o que você está pensando. Direction La Défense prochain train dans une minute le suivant dans quatre minutes. Eu digo que você acaba ainda, como aquelas pessoas loucas do metrô. No metrô. Vá pela escada e aperte o botão verde.  



Carla Alexandra Ezarqui é graduanda em Letras (português-francês) pela Universidade Estadual Paulista. Participa do programa de intercâmbio PLI ( Programa de Licenciatura Inertnacional) com a Université paris-Sorbonne e colabora para o Blog Etudes Lusophones




quarta-feira, 7 de maio de 2014

Errância e paisagens urbanas em Samuel Rawet

Errância e paisagens urbanas em Samuel Rawet

Por Michel Mingote (*)

 Foi nas minhas andanças que formulei todas as questões, refiz todas as perguntas, sonhei todos os sonhos.
                                                                                                    Samuel Rawet    

A obra literária de Samuel Rawet, escritor judeu-polonês que emigrou na infância para o subúrbio do Rio de Janeiro, tornou-se fonte de diversos estudos teóricos na contemporaneidade. A abertura propiciada pelos estudos culturais, estudos de minorias e suas diversas representações na literatura, além do próprio interesse da teoria contemporânea em relação à alteridade, puseram em pauta a obra do escritor, lida principalmente pelo viés judaico. Embora essa questão seja importante e visível em sua escrita, identificável praticamente em toda a obra do autor, seja em seus contos, seja em suas novelas, outras perspectivas, outras abordagens de suas narrativas também são possíveis, uma vez que ele traça uma escrita singular, nômade e intensiva. Dessa forma, em suas narrativas, percebe-se, além de temas relacionados ao judaísmo, como a presença do mito do “judeu errante” e a influência do Hassidismo[1], uma relação muito intensa entre sujeito e paisagem, entre o observador e aquilo que ele vê.
A atitude perceptiva das paisagens, predominantemente urbanas, advém da condição errante de grande parte dos personagens que figuram em suas narrativas. O conto Crônica de um vagabundo, de 1967, por exemplo, apresenta um personagem errante, que, embora afirme a existência de uma espécie de busca pessoal, angustiante, do conhecimento de si, caminha ao acaso pela cidade, sem rumo certo. O conto se inicia com a apresentação do andarilho: “Era uma vez um vagabundo, pronunciou quando ergueu a maleta e caminhou em direção à rua. Gostaria de um dia ouvir uma história que assim começasse”. (RAWET, 2004, p.211) E logo em seguida a tônica de toda a narrativa, os passos firmes e bem determinados que, no entanto, não o levam a nenhum ponto de destino:

Caminhou com firmeza mas sem saber para onde ia. A necessidade de movimento projetava-o como se estivesse bem determinado em seus propósitos. O corpo doía-lhe da viagem noturna, e embora trouxesse uma carga de amargura suficiente para garantir um deslumbramento momentâneo diante da paisagem, ele que normalmente não era tão amigo assim de paisagens, caminhava em passadas firmes sem desvios de atenção nem rompantes de ódio (Idem). 


Esse ato de caminhar sem saber para onde, sem um destino preciso, também atesta o vínculo corpo/escrita/movimento. A necessidade do deslocamento perpassa todo o conto, e propicia a apreensão da paisagem urbana. É deambulando sem rumo preciso que o protagonista adentra a paisagem. Cabe ressaltar que esta errância urbana comporta momentos de pausa, de estaticidade, e também de negação de um olhar de deslumbramento:

“Numa esquina de bilhar engraxou os sapatos. Percorreu o trecho de avenida já deserto e com iluminação deficiente, parando às vezes em um canto, diante de uma porta ou lampião, sem o ingênuo encantamento de quem descobre coisas. Tudo lhe surgia como em um desfile permanente, ele mesmo participando, onde o máximo a atingir era a constatação do desfile” (RAWET. 2004, p.215).

Embora o personagem apresente esta negação, em outro momento ele deixa entrever a possibilidade de captar as singularidades do espaço urbano: “E nessa caminhada apenas varria com os olhos as paisagens idênticas em todas as cidades, em todos os cantos, idênticas porque à exceção dos detalhes em que poderiam diferir? Ou os detalhes...”. (RAWET. 2004, p.243) O caminhante observa, apreende a paisagem ao redor, capta as intensidades do espaço através da sua caminhada sem rumo, guiada pelo acaso. No conto, o exílio, a insignificância, a desterritorialização são assumidos, com a apresentação desse sujeito do não-lugar[2], que utiliza a caminhada como essencial na apreensão do lirismo subjacente à cidade. É caminhando que o personagem perde a sua individualidade, se desterritorializa, se torna um sujeito descentrado. Assim, as palavras do ensaísta Maurício Vasconcelos, acerca da escrita do brasileiro João Gilberto Noll, podem ser visualizadas no conto de Samuel Rawet: “A força desta novelística e o aspecto de revelação nela contido vem da entrega aos choques da caminhada, do deixar-se levar pela deambulação (como um modo de meditação, de aprendizado), pela perda de um sentido originário” (VASCONCELOS, 2000, p.248). O elo entre escrita e caminhada, o entrelaçado de visão e movimento, a entrega, configura, no conto, uma espécie de “escrita de caminhada”, ainda nas palavras de Maurício Vasconcelos, como radicalização da flânerie, em que ocorre uma transformação do caminhante pelo o que ele vê, pelo que se objetiva na paisagem. Ele contagia-se pelo que vê, advindo daí o apagamento dos traços pessoais, de uma subjetividade homogênea, fixa. Outrossim, o que se observa é uma outra relação entre o sujeito e a paisagem urbana, uma vez que ele atravessa e é atravessado pela paisagem, e percorre o espaço de uma forma mais intensiva, lírica, experiencial, não programada.


Dessa forma, a narrativa de Samuel Rawet atesta a possibilidade de se pensar a reinvenção da percepção sobre a cidade, sobre a paisagem urbana. De acordo com PEIXOTO (1998), redescobrir a cidade significa passar do olhar à visão, à vidência, significa testemunhar a presença, captar o invisível, o inefável: iluminações profanas. Os viajantes, imigrantes, os desterrados na própria pátria que muitas vezes aparecem nas narrativas de Samuel Rawet, apresentam a possibilidade de falar, narrar, re-apresentar a cidade para além de seus ícones, símbolos, monumentos e marcos. O que o estrangeiro, ou aqueles que não se enquadram na cidade, sujeitos do “não-lugar”, desterritorializados, instauram, é a possibilidade de um olhar desarmado, um outro tipo de percepção do espaço, uma outra visualidade, uma iluminação profana, apta a captar o invisível da cidade, suas intensidades, o lirismo subjacente à opacidade do tecido urbano:

Ou então retém a visão de um segundo que te custou anos de trabalho e de esforço. O instante em que pela primeira vez te deslumbraste com um entardecer metálico de uma franja vermelha na crista dos montes e uma chapa rósea se esbatendo em roxo, azul, cinza e noite. Quem sabe desgraçaste tua vida apenas para conquistar esse instante, que nunca mais se repetiu, nem te interessa mais. (RAWET, 2004, p.222)

E é caminhando pela cidade, deambulando pelas ruas, como se tateasse as reentrâncias, os buracos, os avessos, os espaços muitas vezes inabitáveis, com pouca luz, quase desérticos, que se dá a busca da desterritorialização. A busca interior, ou a “descida em si mesmo”, presente no conto, desvela a paisagem urbana, vai além da mera descrição e inventário da cidade. É através da caminhada que vem à tona afetos primários, sensações primordiais, “Todos os incidentes passaram a funcionar como evocadores de seu mundo animal, e como evocadores de um mundo próprio que não se coaduna com as palavras, nem com as sutilezas, mas com a ação bruta, encerrada em ganga e escória de hábitos e afetos” (RAWET, 2004, p.215). Mundo animal, mundo imanente, em que o sensível não é apenas evocado, mas re-apresentado. Dessa forma, pode-se afirmar que a força das narrativas de Samuel Rawet está na configuração de uma escrita intensiva, visceral, carnal, que toma o corpo como fundamento para a percepção sensível do espaço urbano.

Referências

AUGE, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. 5ª ed. São Paulo: Papirus, 2005.
COSTA, Flávio Moreira da. “Rawet fala de Rawet” In. Correio da manhã (jornal), Rio de janeiro, 18/06/1972.
RAWET, Samuel. Contos e novelas reunidas. SEFFRIN, André. (org), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.
RAWET, Samuel. Ensaios reunidos.  KHOL BINES, Rosana (org), Rio de janeiro: Civilização brasileira, 2004.
VASCONCELOS, Mauricio Salles. Rimbaud da América e outras iluminações. São Paulo: Estação Liberdade; Belo Horizonte, 2000.
PEIXOTO, Nelson Brissac. Paisagens urbanas. 2.ed. São Paulo: SENAC: Marca D'Agua, 1998.

((*)Actuellement inscrit à l’Université Fédéral de Minas Gerais (UFMG), sous la direction de M. le Professeur Élcio  CORNELSEN, Michel Mingote mène un projet de recherches sur la représentation et la perception du paysage urbain dans l’œuvre de Samuel Rawet, Georges Perec, Andrei Tarkovski e Jem Cohen. Intitulé « Perambulações urbanas: do olhar à visão », ce projet s’appuie sur une démarche comparatiste et vise à étudier la mise en scène des processus de déambulation  dans la contemporanéité, notamment, à partir des rapports entre les langages littéraires et filmiques. En 2014, Michel Mingote a effectué son stage doctoral à l’Université paris-Sorbonne sous la diretion de Leonardo Tonus, Maître de Conférences et Responsable du Département d’Etudes Lusophones de cette Université.

Leiam o artigo do professor Leonardo Tonus sobre a obra de Samuel Rawet no link : Humilhados, maginais e traidores. 


[1]  Em um depoimento publicado no Correio da manhã, em 1972, o autor comenta sobre a influência do Hassidismo em seu pensamento: “Tenho lembranças da vida na aldeia, lembranças do inverno, da vida religiosa, da convivência com parentes, lembranças inclusive de um mundo que não existe mais, e que mais tarde passou a me interessar por ser um mundo – não sei bem localizar – talvez na idade média, ou do século XVIII ou mesmo XVII. (...) Só muito tempo é que fui dar importância Àquilo, que estava ligado a um movimento que Martim Buber andou estudando – O Hassidismo – um movimento religioso da Europa Oriental, e que chegou a ter uma importância enorme para mim, filosófica inclusive”. (RAWET apud COSTA, 1972)
[2] Na concepção de Auge (2005), os não-lugares seriam aqueles espaços que não poderiam ser definidos como identitários, relacionais e históricos. Instalações necessárias à circulação acelerada das pessoas e bens (via - expressas, trevos rodoviários, aeroportos), além dos próprios meios de transporte ou grandes centros comerciais. Aqui, o termo utilizado faz referência a esse sujeito desterrado, descentrado, que apreende a paisagem para além dos seus marcos históricos, para além do aparelho de estado.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Concert de João Donato

À l’occasion de l’exposition « Guerre et Paix de Portinari. Un chef-d’œuvre brésilien pour l’ONU » au Grand Palais, le ministère de la Culture du Brésil et l’Ambassade du Brésil présentent le concert du pianiste brésilien João Donato (entrée libre).

Le mecredi 7 mai à 20h

Théâtre de l’Espace Pierre Cardin
1-3, avenue Gabriel – 75008 Paris
Réservations : culturalparis@gmail.com

João Donato (piano/voix)
Robertinho da Silva (batterie)
Arismar do Espírito Santo (contrebasse)
Raul Mascarenhas (saxofone/flûte)
Participation de Mihay

Création: Instituto João Donato / Arrangements et direction musicale: João Donato / Production: Elodie Salmeron