domingo, 30 de março de 2014

Concert-Lecture

Concert-Lecture

Dans le cadre du Festival Raccord(s), les éditions Chandeigne et la Librairie Portugaise et Brésilienne, en partenariat avec le Département de Portugais de l’Université Paris-Sorbonne, vous invitent à concert-lecture le vendredi 4 avril à 21h.

Irène Jacob, en français, et Rita Maubert, en portugais, vous proposent une brassée de poèmes accompagnée au piano par Andrea Corazziari.

Les textes sont issus de La Poésie du Brésil. Anthologie bilingue du XVIe au XXe siècle établie par Max de Carvalho, Magali de Carvalho et Françoise Beaucamp aux éditions Chandeigne.

Œuvres de Heitor Villa-Lobos, Cláudio Santoro et Christian Lauba.



Le vendredi 4 avril, 21 heures.

Amphithéâtre Richelieu,
Université Paris-Sorbonne
17 rue des Écoles - 75005 Paris

Entrée Libre sur inscription auprès du service culturel de l’Université Paris-Sorbonne
ou
01 40 46 33 72








sábado, 29 de março de 2014

Simbiose literária

Simbiose literária

Por Alexandre Staut*

Vizinhos na infância, em Cataguases, Minas, os escritores Eltânia André e Ronaldo Cagiano moraram muito próximos entre 1971-1975. Aos dez anos, Ronaldo conhecia Eltânia, que tinha cinco. Mas ela não se lembra dele. “Isso apesar de eu frequentar a casa dela, pois era muito amigo de seu irmão, Elierme José, meu contemporâneo e também poeta, que morreu precocemente, aos dezenove anos, num acidente de caminhão”, diz Ronaldo. Em 2007, ele leu a notícia sobre o lançamento do primeiro livro dela, Meu nome agora é Jaque, num jornal local. “Chamaram-me a atenção o título e o nome da autora. Logo intuí que era a menina dos porões da minha infância. Morávamos em porões análogos”, conta o autor, que foi se aproximando dela por e-mail, SMS, telefone e carta, até que, finalmente, marcassem encontro em Belo Horizonte. “Nesse dia começamos a namorar. A literatura nos (re)encontrou em 2007, depois de três décadas de afastamento”, conta ele.
A seguir, a entrevista que o casal concedeu, por email, a quatro mãos, para o Études Lusophones.

A literatura é algo muito presente na relação de vocês...
A literatura nos (re)uniu, a literatura é leitmotiv de nossas vidas, portanto presente em todos os momentos, como também outras artes e linguagens que compartilhamos, como cinema, teatro, pintura, música etc. Estamos sob as mesmas influências culturais e literárias, o que contribuiu para uma empatia maior entre nós, porque desde cedo amamos as mesmas coisas, assim como também viagens e uma boa mesa.

Quando estão escrevendo, como um participa do processo criativo do outro? Leem juntos? Tiram dúvidas? Um é o primeiro leitor do outro? 
Sem dúvida, compartilhamos tudo. Dividimos nossas experiências e ansiedades, nossos sonhos e frustrações, como nossas decepções diante de um mercado editorial tão oligopolizado e injusto, da mesma forma que outros momentos práticos da vida. Sempre há a intervenção, seja por meio de leitura, seja pela crítica ou sugestão, de um no trabalho do outro. Essa simbiose é fundamental. Tanto que já escrevemos uma novela juntos, uma arquitetura que levou em conta os distintos modos da escritura individual, no entanto, é uma narrativa bastante híbrida, que contempla a influência de um no texto do outro. Essa interação se processa normalmente, sem tensão, na condição de leitor e de escritor.

Um já trabalhou personagens do outro? Quando e como isso aconteceu?
Algumas vezes acontecem essas interferências no processo criativo, inclusive de sugestões sobre um determinado personagem. Isso tanto ocorre nos trabalhos individuais como nesse livro que escrevemos juntos, ainda inédito, Diolindas .

Poderiam falar sobre este trabalho?
A ideia surgiu a partir de uma conversa, ainda éramos namorados (Ronaldo morando em, São Paulo e Eltânia em Minas). Fomos construindo a história e os personagens a partir de fatos e experiências pessoais e de terceiros. O livro foi nascendo, a ficção baseada em vivencias (re)colhidas ao longo do tempo temperadas com ingredientes ficcionais e fantasiosos que foram amalgamando a trama. Uma novela que fala de conflitos entre gerações.


Quais projetos literários ainda pretendem fazer juntos?
Ainda é cedo para estabelecer prioridades no sentido de ampliar a escrita em parceria, porque cada qual necessita também dar continuidade aos seus projetos literários e isso demanda tempo, energia e recursos criativos que exigem demais do escritor. Mas não descartamos a possibilidade de mais adiante outra ideia emular um projeto semelhante ao Diolindas. É muito prazerosa a escritura a quatro mãos. Já publiquei dois livros em parceria, Espelho, espelho meu (com Joilson Portocalvo) e Moenda de silêncios (com Whisner Fraga), que foi um desafio prazeroso esteticamente (diz Ronaldo).

Ambos participam bem de perto do mundo literário de São Paulo. Quais observações gostariam de fazer sobre o métier?
Participamos mais como observadores do que como integrantes de determinados grupos ou movimentos, embora haja o contato com colegas de ofício em lançamentos de livros, palestras e debates. Entendemos que devemos dar prioridade à literatura e não à vida literária, sem, contudo, uma posição excludente ou de extrema misantropia.

Como é a sua experiência com a poesia, Cagiano?
Embora escreva outros gêneros, considero-me essencialmente poeta. Desde a infância minha relação com a literatura e com o próprio modo de olhar o mundo, deu-se por meio da poesia. Ainda pré-adolescente, tomou-me de assalto a poesia de Augusto Anjos, cujos versos expressavam as sombras e a inquietação de um ser agredido pela tuberculose, chamaram-me a atenção, pela maneira candente com que o poeta auscultava sua angústia e a transforma em matéria de inquirição poética. Todo aquele niilismo, todo aquele sentimento de vazio, deserto e angústia foram determinantes na minha formação, catapultaram-me para uma percepção mais aguda da nossa finitude.


Quais autores brasileiros contemporâneos têm apreciado?
Ronaldo: Há muitos autores brasileiros, fora dos arruídos da mídia hegemônica e monopolista do eixo Rio-São Paulo, que admiro pela qualidade e densidade de suas obras, escritores, tanto de poesia quanto de ficção, que nada devem a certas mediocridades incensadas que estão nas grandes editoras, fruto desse ambiente literário mercantilizado, requentado e panelizado, que funciona à base de compadrios e afinidades, que sempre mostra mais do mesmo. São autores publicados principalmente por pequenas editoras, não são alcançados pelo guarda-chuva onipotente e excludente das da mídia, entre os quais, destaco: Edmar Monteiro Filho, Jádson de Barros Neves, Sérgio Fantini, Alberto Bresciani, Alexandre Marino, Ronaldo Costa Fernandes, Anderson Braga Horta, Lina Tâmega Peixoto del Peloso, Sérgio Tavares,   Guilherme Gontijo Flores, Francisco de Morais Mendes, Tércia Montenegro, Jéter Neves, Leo Barbosa, Gilberto Tadeu Nable, Mauricio de Almeida, Alexandre Guarnieri, Andityas Soares de Moura, dentre outros. Pela alta voltagem de suas produções, mereciam maior espaço nos cadernos de cultura e literatura e atenção da crítica.
Eltânia: Além desses, há um escritor de que gosto bastante: João Anzanello Carrascoza. A arte, seja ela qual for, tem que me arrepiar. É com o corpo, com as sensações que me entrego. E o Carrascoza tem um livro de contos: “Dias Raros”, que me emocionou a partir de uma viagem em Minas Gerais, enquanto o ônibus me levava ao meu destino eu e os personagens íamos em grande estilo: rindo, chorando, contemplando o mundo pela janela do veículo.  Claro, gosto de outros, entre os quais Roniwalter Jatobá. Não consigo deixar de reler o seu livro - Crônica da Vida Operária. Os contos do Roni são ótimos. Não entendo o discurso que ouvimos de que o conto não vende, pois as livrarias estão repletas de bons livros do gênero, para o qual também não faltam leitores.

Ambos são contistas. Como veem a produção constística atual?
Ronaldo: Há uma produção intensa, diria um verdadeiro boom, principalmente pela facilidade com que se produz e se faz circular hoje o livro no Brasil. Hoje, os suportes eletrônicos têm contribuído para a divulgação de um fabuloso material literário e na aldeia virtual há, sem dúvida, uma vitalidade criativa. Claro, nem tudo o que cai na rede é peixe, então com os devidos descontos que se deve dar, separando-se o joio do trigo, garimpa-se uma literatura de qualidade que, mais cedo ou mais tarde, haverá de apresentar-se também na circulação tradicional, por meio de revistas, suplementos literários, livros.
Eltânia: Escrevo apenas ficção, seja conto, crônica ou romance. A minha relação com a poesia é intensa, mas como leitora. Ela, a poesia, desafia-me sempre. Cada dia eu me entrego mais à leitura de poemas; muitas vezes peço ajuda para o Ronaldo e ele, várias noites, lê poemas para mim antes de dormimos. Também tenho no carro pen-drive que um amigo gravou com vários poemas em várias vozes. Ia me esquecendo: o assunto é sobre conto, então, ficamos com a resposta do Cagiano.  


Cagiano, poderia falar do seu trabalho de agitador e mediador cultural?
Não me considero um agitador nem mediador cultural. Apenas alguém que, nos vinte e oito anos que morou em Brasília, onde pude consolidar minha relação com a escrita e consequentemente publiquei meus primeiros livros, contribuiu para solidarizar-se com os colegas de ofício, que como todo autor enfrenta os gargalos do processo editorial e dessa forma tornar menos angustiante a relação de autor e obra com o público e com os mecanismos de produção e divulgação, aí atuando uma tendência natural ao intercâmbio com diversas regiões do País, dinamizando um contato produtivo nesse sentido. Talvez tenham associado a mim a imagem de agitador/mediados, justamente pela interlocução que sempre tentei realizar entre os diversos agentes literários e culturais e outros autores em diversas regiões, assim também pelo fato de ter publicado três antologias, que mapearam a produção literária candanga: Poetas mineiros em Brasilia (2001), Antologia do conto brasiliense (2003) e Todas as gerações - o conto brasiliense contemporâneo (2006), iniciativas que me possibilitaram mapear minimanente a cena da produção poética e ficcional da Capital da República, de certo modo projetando certa visibilidade, mas de nenhuma forma me considero um ponta-de-lança, sobretudo num cenário cada dia mais exigente e competitivo. Considero que fiz uma pequena semeadura nesse terreno onde há muito o que colher.

Eltânia, de que maneira o trabalho como psicóloga junto a populações carentes tem impacto no seu processo de escrita?
Tudo que capto da vida, seja através de minha experiência e/ou de meu olhar sobre o mundo, me impacta. Os livros que leio, as conversas que entreouço pelas ruas, o cinema, o teatro, as telas que me impressionam, a comida, o afeto, minha infância, eu-menina, eu-mulher, enfim cada detalhe pode servir à literatura. A loucura, há tempo, me seduz. Trabalho com saúde mental em bairro periférico de São Bernardo do Campo, recebemos casos de psicoses e neurose graves, e estou lá não apenas como profissional, mas inteira, e creio que é inevitável a simbiose entre essa experiência e a ficção, todavia creio que preciso distanciar-me minimamente do cenário para que ele cresça na arte.

Poderiam falar um pouco sobre os trabalhos individuais - atuais - de vocês?
Ronaldo: Além de dois livros à espera de uma editora, um de contos (Todos os desertos) e um de poesia (Incorpóreo silêncio), alinhavo outros trabalhos ficcionais e poéticos, ainda indefinidos, mas que apontam pela continuidade de um projeto pessoal de fazer da literatura uma ponte dialética entre mim e o mundo, por meio da minha escritura. Por outro lado, na medida do possível, escrevo sobre livros e autores que me agradam, com algumas resenhas e críticas em jornais e revistas, atividade ao mesmo tempo prazerosa e desafiadora.
Eltânia: Estamos lapidando Diolindas, que escrevemos juntos há alguns anos (um romance dentro de outro – época de início de nosso namoro). Este ano, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo aprovou um projeto de criação literário para uma história juvenil, que tem o título provisório de Desde o Ventre, mas sem a certeza de publicação. Tenho ainda em fase de construção outro romance – Da Varanda vejo o mundo. Há um volume de contos, que finalizei no final do ano passado, também pelo ProAC: Poderia o mundo durar mais do que eu? Tenho também alguns contos avulsos na gaveta. Não sondei nenhuma editora, ainda não encaminhei nenhum dos meus trabalhos para avaliação em busca de mercado.



Poderiam falar sobre os personagens de cada um de vocês? O que eles desejam? Em que ponto se encontram?
Ronaldo: Nossos personagens são eclosões de nossa própria inquietude, veículos de uma pulsão interior que quer dar vez e voz a muitos questionamentos e inquirições, que não quer salvar nada ou resolver os dilemas individuais ou coletivos, mas fazer a necessária catarse, capaz de nos tornar mais humanos diante da desumanidade que viceja nesse mundo-cão. Como disse Northrop Frye, "a literatura é o único território em que nos sentimos verdadeiramente livres" e se não for por ela, de outra forma não poderíamos fazer a denúncia, o libelo ou o acerto de contas com nossos próprios passivos psicológicos, afetivos, morais e políticos.
Eltânia: Ronaldo já disse tudo. 




*Alexandre Staut nasceu em Pinhal (SP), em 1973. É autor dos romances Jazz Band na Sala da Gente (2010) e Um Lugar Para se Perder (2012). Tem contos publicados na França e em Moçambique. Participou do “Printemps Littéraire Brésilien”, organizado pela Université Paris-Sorbonne e do Salão do Livro de Paris de 2014.

Consultem a entrevista que Ronaldo Cagiano concedeu ao Blog Etudes Lusophones no link : Um dedo de prosa com RonaldoCagiano.

Leiam a resenha de Alexandre Staut sobre o Livro “As manhãs adiadas” de Eltânia André no link : Eltânia André.

terça-feira, 25 de março de 2014

Rui Simões

Filmer la révolution, expliquer la dictature, interroger la société portugaise contemporaine.

Rencontre avec le cinéaste portugais Rui Simões autour de son travail
 (projection d’extraits de ses films)


 Deus Pátria Autoridade (1975) est le film/documentaire fondamental pour comprendre l’histoire portugaise de la première moitié du XXe siècle et surtout l’idéologie salazariste de l’Estado Novo. Avec Bom Povo Português (1980), Rui Simões continue son travail dans une approche militante du cinéma, travaillant avec des images d’archive, affichant l’importance du montage et des plans pris avec une camera-oeil. Ici, c’est la révolution d’avril surtout pendant sa première année, le temps du PREC (période révolutionnaire en cours). Plus tard avec, Ilha da Cova da Moura (2010), il nous montre une Lisbonne postcoloniale, point de départ pour une interrogation des coordonnées contemporaines de la société portugaise, de ses fantômes et de ses avenirs.



Le vendredi 28 mars 2014
11-13h salle 224

Centre universitaire Clignancourt
2, rue Francis de Croisset
75018 Paris

Organisation : Maria-Benedita Basto / UFR d´Études Ibériques et Latino-américaines







domingo, 16 de março de 2014

Printemps Littéraire Brésilien

Printemps Littéraire Brésilien

Rencontres avec des écrivains, débats, conférences et projections de films

Du 18 au 26 mars 2014

Organisateur : Leonardo Tonus
(Université Paris-Sorbonne)

PROGRAMME


Entre heranças e catástrofes
Le mardi 18 mars à 18h30
Rencontre avec les écrivains Cristóvão Tezza e Michel Laub
Débat animé (en portugais) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

Centre Calouste Gulbenkian
39, Bd de La Tour-Maubourg - 75007 Paris
Métro : La Tour-Maubourg

Agitadores e agitados culturais
Le jeudi 20 mars à 15h00
Rencontre avec les écrivains Marcelino Freire et Guiomar de Grammont
Débat animé (en portugais) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne), Paula Anacaona (Editions Anacaona) et Eliézer Rodrigues (Université Paris-Sorbonne/USP)

Université Paris-Sorbonne
Centre universitaire Clignancourt – Amphi Mayeur
2, rue Francis de Croisset - 75018 Paris
Métro : Porte de Clignancourt


Um dedo de prosa com o escritor Alexandre Staut
Le vendredi 21 mars à 12h00
Rencontre animée (en portugais et en français) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne) et Grâce-Mélodie Mariano (Université Paris-Sorbonne)

Université Paris-Sorbonne
Hall de la Bibliothèque du Centre Clignancourt
2, rue Francis de Croisset - 75018 Paris
Métro : Porte de Clignancourt


Os judeus desconhecidos de Luize Valente
Le lundi 24 mars à 16h00
Projection du documentaire A estrela oculta do Sertão (2005) réalisé par Elaine Eiger et  Luize Valente.  En présence de la réalisatrice.
Débat animé (en portugais) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne), Simon Gonzalez (Université Paris-Sorbonne) et Astrid Cerqueira (Université Paris-Sorbonne)


Université Paris-Sorbonne
Centre universitaire Clignancourt – Amphi Mayeur
2, rue Francis de Croisset - 75018 Paris
Métro : Porte de Clignancourt



Bate-papo poético
Le mercredi 26 mars à 12h00
Rencontre avec les poètes Ana Martins Marques et Marcílio França Castro
Débat animé (en portugais) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne), Gabriela Lopes de Azevedo (Université Paris-Sorbonne/USP) et Sabrina  Rafaela Alves (Université Paris-Sorbonne)

Institut d’Etudes ibériques et latino-américaines - Salle 14
31, rue Gay-Lussac - 75005 Paris
Métro : Saint-Michel, Odéon, Cluny-la-Sorbonne



Do lado de cá, do lado de lá
Le mercredi 26 mars à 17h00
Vozes femininas afro-brasileiras no cenário contemporâneo e anotações para o romance Luzia. Conférence par l’écrivain Susana Fuentes ( UERJ/FAPERJ)

Rencontre avec l’écrivain Tércia Montenegro
Débat animé (en portugais) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne), Alessandra Pajolla (Université Paris-Sorbonne/UEM ) et André Freitas ( Université Paris-Sorbonne/UFC)

Centre universitaire Clignancourt- Amphi Vidal de la Blache
2, rue Francis de Croisset - 75018 Paris
Métro : Porte de Clignancourt





Au Salon du Livre de Paris
Evénements organisés par l’Ambassade du Brésil en France



Le samedi 22 mars
Dizer o cotidiano – 14h -15h30
Rencontre avec les écrivains Michel Laub, Ana Martins Marques et Tércia Montenegro

Amar, Amaro – 16h-17h30
Rencontre avec les écrivains Cristóvão Tezza, Newton Moreno et Marcelino Freire
Débats animés en portugais (avec traduction simultanée) par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)


Le dimanche 23 mars
Deslocamentos contemporâneos – 14h - 15h30
Rencontre avec les écrivains Julián Fuks, Alexandre Staut et Luize Valente

Olhares Femininos – 16h-17h30
Rencontre avec les écrivains Guiomar de Grammont et Susana Fuentes
Débats animés en portugais par Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

Salon du Livre de Paris - Stand du Brésil : P55
Paris Porte de Versailles (Pavillon 1) - Boulevard Victor - 75015 Paris
Métro : Porte de Versailles
 Avec l’Appui de
Université Paris-Sorbonne
Ambassade du Brésil en France
Editions Anacaona
Editions Métailié
Librairie portugaise & Brésilienne

  



 Avec la participation de :

Sabrina  Rafaela Alves, Gabriela Lopes de Azevedo, Astrid Cerqueira, Carine Figueira, André Freitas , Simon Gonzalez, Beatriz Lordello, Grâce-Mélodie Mariano, Thaisnara Matos, Alessandra Pajolla, Eliézer Rodrigues


et l’ensemble des étudiants de la 3ème année de la LLCE – Portugais de l’Université Paris-Sorbonne



sexta-feira, 14 de março de 2014

Escritor, jornalista ou os dois?

Escritor, jornalista ou os dois?

Por Iva Oliveira

Para que escrever senão para contar uma boa história? Para que escrever senão para arrastar o leitor pelas mãos e levá-lo para um mundo desconhecido, percorrendo cada detalhe do caminho?

Só que, no caso do escritor e jornalista brasileiro Klester Cavalcanti, os detalhes são reais, uma vez que o trabalho dele se intitula jornalismo literário. E isto seria algum demérito?! Não, ao contrário, principalmente se considerarmos os três prêmios Jabuti (o maior da literatura brasileira) que ele conquistou e os mais de 10 mil exemplares vendidos de Dias de Inferno na Síria, seu mais recente livro, que teve três tiragens e uma segunda edição (Editora Benvirá). E não seria justamente esta experiência diária em redações a responsável pela fluidez do texto e a “briga” por informações sempre precisas?!

Além disso, as fontes em que Klester Cavalcanti bebe são de grandes nomes da literatura como Fiódor Dostoiévski e José Saramago.

“Eu parto da informação, o que não significa que o personagem não será tratado psicologicamente ou que a história não terá movimento”, observa Klester Cavalcanti, que, recentemente, recebeu um grande elogio do cineasta brasileiro Fernando Meirelles (realizador de sucessos como Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira). “Meirelles me enviou um e-mail, dizendo que tinha adorado meu livro (Dias de Inferno na Síria) e que meu texto é cinematográfico. Quer elogio melhor que este?”, observa Cavalcanti.


E não só Meirelles como outros cineastas estão de olho nos livros de Klester para levá-los para a tela do cinema. O primeiro projeto já está fechado: o livro O Nome da Morte (que fala sobre um matador de aluguel) será filmado por Henrique Goldman (o mesmo de Jean Charles).

“Percebo que as pessoas gostam de histórias reais. É só reparar que, no Oscar deste ano, por exemplo, dos nove filmes indicados, seis contavam fatos verídicos”, observa Cavalcanti. E completa: “No Brasil, o escritor Laurentino Gomes também faz sucesso justamente por isso. E Laurentino foi mais do que meu chefe na Editora Abril, ele foi meu mentor”. Laurentino figura entre os autores de livros mais vendidos por obras como 1808, 1822 e 1889.

Os dias de inferno na Síria

Como bom jornalista, Klester “fareja” uma boa história. Assim foi também com Dias de Inferno na Síria. Ele trabalhava como editor-executivo na revista IstoÉ quando vislumbrou a possibilidade de contar in loco o que estava acontecendo por lá. “Sempre quis cobrir uma guerra, mas, mais do que isso, queria contar como o conflito influencia a vida das pessoas”, relata o escritor.

Klester tirou o visto de imprensa e propôs a reportagem à revista. Diante da alegação de que não havia verba, o jornalista resolveu pagar a passagem do próprio bolso e a editora arcou com ajuda de custo.

No visto constava a observação de que Klester deveria se dirigir ao Ministério da Informação em Damasco, coisa que ele não fez. “Já saí do Brasil decidido a ir direto para Homs, onde se concentram os conflitos. Se eu fosse ao Ministério, eles iriam colocar um oficial para me acompanhar e me Impedir de ver a guerra de verdade. E eu não estava na Síria para mostrar apenas o que o governo quisesse", diz ele.



Klester sabia do risco que estava correndo e bastaram algumas horas em Homs para que ele fosse preso. Aí sim começou o seu calvário. “Imagina você ser preso em um país onde não fala a língua e no meio de uma guerra. Tinha certeza de que iria morrer”, conta ele.

A Klester não foi permitido sequer um telefonema e queriam que ele assinasse um documento em árabe, coisa que não fez. “Então eles ficaram mais violentos e começaram uma sessão de tortura”, relata o escritor, que teve o rosto queimado com um cigarro para ser obrigada a assinar um documento escrito em árabe.

O jornalista ficou durante seis dias em uma cela com 20 presos árabes e a sua companhia constante era um caderninho onde anotava tudo, principalmente a história de vida daquelas pessoas. “No momento da minha prisão, confiscaram meu celular e minha câmera, mas, felizmente, eu entrei na penitenciária com minha mochila como todos os outros presos da ala em que eu fiquei aprisionado. Na minha mochila, estavam roupas, minha carteira e, o mais importante, meu bloco de anotações e duas canetas”.

O que era um tormento se transformaria depois em livro. “Não tinha pensado nisso quando fui para lá, mas tudo mudou com a minha prisão”, diz Cavalcanti.

Ali, ao lado daquelas pessoas tão cheias de fé, Klester repensou a sua existência, criou laços de amizade (muito bem retratados no livro) e treinou, mais do que nunca, a paciência. “Posso dizer que minha vida mudou muito depois que voltei da Síria. Estou mais focado no presente e tenho questionado a questão da imortalidade. Para que fazer planos se você não sabe se vai existir o amanhã”, pondera ele.

O escritor foi libertado por interferência da direção da revista IstoÉ e da Embaixada Brasileira na Síria.

E foi justamente esta mudança de vida que fez com que o escritor tomasse uma decisão importante: abandonou a redação da revista IstoÉ e passou a se dedicar somente à divulgação do livro. “Tenho certeza de que este trabalho de corpo a corpo tem ajudado muito na venda”, afirma ele. Klester vem fazendo cerca de dez palestras por mês e conquistou a admiração de pessoas de todo Brasil, que demonstram isso principalmente pelas redes sociais, como o Facebook. “Todo dia, recebo dezenas de depoimentos de pessoas que leram o livro. Isto é muito gratificante”, finaliza.

Família unida lê livro

Entre os muitos depoimentos de leitores que Klester Cavalcanti recebe todos os dias, um deles chama a atenção. É de um delegado de polícia, que leu o livro com toda família. Leia a seguir:

“Caro Klester,

Finalmente terminamos de ler hoje DIAS DE INFERNO NA SÍRIA. Como havia comentado antes com você, minha esposa também não resistiu e passou a ler a grande história de dor, medo, amor e fé que você experimentou na Síria. Até mesmo Clarissa, nossa filha, de repente, indagou: ‘Papai, ele ainda não saiu da prisão? Meu Deus!!!’. Cara, você descreve o ambiente com uma riqueza de detalhes que chegamos a imaginar como tudo era naquela ‘jaula’ e como a guerra civil devasta aquele povo. No momento em que você insiste para você mesmo que não vai soltar lágrima alguma naquele local, naquele momento de despedida, me pego emocionado, imaginando tudo que você passou. Poucos segundos após, pela voz da minha esposa, corroborada pelas lágrimas correndo pelo seu rosto, que estava lendo o livro em voz alta, para nós dois, foi suficiente para denunciar que ela estava chorando e muito. Brinquei com ela, quando então a mesma retrucou: ‘Não foi você que passou por tudo aquilo’. Muito mais que pelo próprio sofrimento que você passou, nossa emoção se deu por conta dos vínculos de amizade que você construiu naquele ambiente tão inóspito. Você não chorou, mas imagino que fez muita gente chorar como fez conosco. Enfim, nesse caso foi um mal que veio para o bem. Talvez se você não tivesse sido preso naquele lugar sombrio, não teria tido um material tão rico para compor o seu livro, que reputo um trabalho extraordinário, produzido com dor, angústia, amor, fé, amizade e muita sabedoria. Parabéns, Grande Sahafi. A minha curiosidade é saber se você agora tem notícias de Ammar Ali, Adnan e Walid, seus companheiros de Cárcere.” (Aneilton Castro)


Klester Cavalcanti é jornalista desde 1994. Já trabalhou em alguns dos maiores veículos de comunicação do Brasil, entre eles Veja, Viagem e Turismo, Vip, O Estado de São Paulo e IstoÉ. Conquistou prêmios de relevância internacional, como o de Melhor Reportagem Ambiental da América do Sul, conferido pela agência Reuters e pela IUCN (União Mundial para a Natureza), e o Natali Prize, o mais importante prêmio de Jornalismo de Direitos Humanos do mundo.  Foi agraciado, também, com o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e com o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. Dias de Inferno na Síria é seu quarto livro, após Direto da Selva, Viúvas da Terra e O Nome da Morte, os dois últimos vencedores do Prêmio Jabuti de Literatura, em 2005 e em 2007, respectivamente.

 

Iva Oliveira nasceu em Cerqueira César, interior de São Paulo, e formou-se em Letras e Jornalismo pela Unesp. É autora do livro A Força da Fé - 30 Celebridades Revelam Histórias de Superação nos Momentos mais Difíceis da Vida (Panda Books). Trabalhou nos veículos de comunicação mais importantes do Brasil e atualmente tem uma empresa de produção de conteúdo sobre televisão que presta serviço para a Agência Estado, do grupo Estadão.