sexta-feira, 31 de maio de 2013

Corpos sem correspondência


Filhos da Terra Bastarda e Memórias de um Corpo Eviscerado: um caso genitivo

         Elizabeth Brose (*)

Escrevi Memórias de um Corpo Eviscerado[i],  tendo em mente a elaboração de uma personagem complexa, bem brasileira e urbana. E, por brasileira, tento afastar a personagem de clichês relativos aos trópicos e tendo a aproximá-la mais dos conflitos relativos à diversidade da sua composição. Ela é, simultaneamente, estrangeira e uma espécie de representante de uma identidade nacional borrada, ou seja, as questões: “ela é natural de” e “foi gerada por” compõem as indefinições dos contornos da personagem.   Ela, um significante, pensa-se como construção criada a partir de algo e que pertence a alguma coisa.
Esses indeterminantes possibilitam seu preenchimento com vários nomes. Todos são femininos, mas são muitos e caracterizam um olhar outro. Ora ela, menina, se chama por um nome e estabelece a relação de posse com o grupo familiar, em outro momento ela, uma boneca, indica sua inserção numa história longínqua de técnicas de elaborações tradicionais de representação do corpo humano feminino, feito de pano ou porcelana ou borracha. Em outra seção do livro, o significante “ela” se preenche pelo nome de uma mulher contemporânea, reflexiva, diagnosticada. “Ela” ocupa seu vazio pronominal com uma palavra agregadora, uma denominação, que se estenda à noção de pertencimento, de complemento, de adjetivação. Já o aspecto feminino do pronome “ela”, ao se expandir em palavras, vai sugerindo a procura pelo corpo fêmeo.    
De certa forma, o pronome feminino se deixa completar pela multiplicidade e não obviedade de suas várias dimensões. Lembra, nesse sentido, um pouco o trabalho do escultor, Jamie McCartney, The Great Wall of Vagina, cuja obra mostra a genitália feminina não mais como um algo misterioso e coberto por pelos, mas como uma pluralidade de aparências, formas assimétricas e dobras expostas. Os vários nomes do pronome feminino e seus corpos apontam para uma noção de corpo sem correspondência linear entre os lados esquerdo e direito, desvencilhado da exigência de medidas iguais ou ainda de ocultamento desse corpo, encorajando, portanto, o questionamento do “corte” genital feminino, tanto como um órgão que se expõe como um órgão que não se deixa capturar pela obsessão da cirurgia estética.  


       Nesse espaço de inclusão e exclusão do corpo, de pertença e distanciamento, a personagem mostra-se um ser que expõe a complicação: ser de fora e de dentro. A personagem tem marcas, que a distinguem e a identificam com mulheres e homens, apontando para suas contradições. Ser mulher conectada ao seu útero, experimentando as dores da ruptura com a tradição e negando justamente os papéis sociais lineares da mulher. A contradição impera.
Bem comum a uma parte significativa dos brasileiros, a nostalgia de pertença ocorre nas reflexões da personagem, que revê sua história depois de receber um diagnóstico e de começar um tratamento contra o câncer. A doença não ocupa o centro do texto, mas deflagra a crise. Diante da possibilidade de morte, o pensar sobre a vida. Esse contato da personagem com sua realidade, com a sua angústia, aponta para a comunicabilidade e a incomunicabilidade das suas experiências. Ao pensar e repensar, ela mostra seu mergulho na língua, tateando os próprios limites da fala, escolhendo palavras e inventando outras para expressar o que lembra, o que vê, o que leu e o que deseja.
Já o livro Filhos da Terra Bastarda, a ser publicado pela editora Descaminhos, foi criado em parceria com Marcus Pimenta. Nossa escrita resulta de um brincar, que durou um ano ou mais. O jogo se deu com essas peças: tela do computador e duas falas distintas: uma derramada, a minha; e a outra, concisa e objetiva, a de Marcus Pimenta. Das muitas idas e vindas, o texto se construiu como em um jogo de tênis: a bola tornou-se o objeto comum. Nesse movimento, a massa textual foi se transformando em algo de origem real indecifrável. Um enigma saber quem escreveu o quê. Mais uma vez, uma questão de genitivo.
Nesse texto, Raiane é a personagem que se chama e se ouve chamar por um único nome. Ela se encontra em situação de uma “conversa sem diálogo” com os outros personagens. Conversar, para ela, significa compreender o hiato que é a falta de complementação entre eles. Não há possibilidade ou sonho de completude, a ilusão de integração se ausentou das personagens. Elas se comunicam, mas evidenciam a falta que as constitui. As falas são mínimas, substantivas e imperfeitas. A distância das personagens de si mesmas sugere a consciência inquieta da vida com um suposto fim inexorável. Ainda assim, Raiane vai delineando o desejo de extrapolar a experiência crua sem a elaboração pela palavra como a cena da corrida silenciosa no carro sobre o asfalto. As personagens se colocam como vazios entregues a discursos aleatórios diante de uma realidade, que vai sendo descrita como concreta, violenta e arrebatadora.
         Eu diria que a personagem principal é o próprio desafio discursivo. Por exemplo, como pensar um momento de Alzheimer, a descrição de um jarro, uma ação ou uma não-ação, com falas distintas e inconciliáveis? A narrativa apresenta essa tensão discursiva não apenas da perspectiva de personagens bem autônomas, mas também do ponto de onde parte a própria narrativa. Pelo que não se conforma, pelo que não se ata, a escrita foi sendo produzida. Ainda assim e por isso mesmo, ela repercutiu como um folguedo entre os dois brincadores com o verbo, que se mostra como laços de falas. Nesse livro, a palavra e a reformulação dela é a própria ação. 
         A editora Descaminhos surge nesse percurso como um projeto colaborativo de publicação digital do livro Filhos da Terra Bastarda. Os fundadores da Descaminhos, Leda Cintra e André Caramuru, constataram a chegada no Brasil dos e-books, e decidiram participar deste momento editorial, lançando autores clássicos e fora de catálogo como Pagu  - Patrícia Galvão, 1910-1962, Jorge Andrade, Geraldo Ferraz e Maria de Lourdes Teixeira. Autores premiados e ausentes das prateleiras das livrarias.
         Além deles, há os autores contemporâneos consagrados ou inéditos, cuja publicação via e-books disponibiliza o texto a leitores de qualquer lugar do mundo via Amazon, líder mundial do mercado de e-books e que traz ao Brasil o e-reader Kindle. Entre essas obras contemporâneas, inclui-se Filhos da Terra Bastarda. Além dessa obra, também a Descaminhos, com seu catálogo francamente brasileiro e fiel à escrita literária, é um caso genitivo.

Maio/ 2013

Obrigada, Prof. José Leonardo Tonus, pelo convite supercarinhoso para escrever no seu blog dedicado à literatura



Elizabeth Brose é doutora em Letras, Teoria da Literatura pela PUCRS com tese publicada, "Máscara de Múltiplas Faces", sobre obras do escritor angolano Pepetela. Lançou os livros Metodologia do Ensino de Literatura (2009) e Leitura e Literatura (2009), escritos com a profa. Dra. Marília Fichtner e a profa. Me. Ana Paula Charão. Em 2009, recebeu homenagem da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa da PUC-GO o diploma de Mérito Editorial. Coordenou com a profa. dra. Beatriz Viégas-Faria e a psiquiatra e editora Betina Mariante Cardoso o livro Kate Chopin: contos traduzidos e comentados - Estudos LIterários e Humanidades Médicas (2011). Publica ensaios críticos em livros especializados, entre eles Ficções do Século XXI, coordenado pela Profa. Dra. Helena B. Couto Pereira, ed. Mackenzie (2011). Lançou o livro de ficção Memórias de um Corpo Eviscerado pela Luminara Casa Editorial (2011). Filhos da Terra Bastarda, pela editora Descaminhos, no prelo em 2013.




[i] Brose, Elizabeth, Memórias de um Corpo Eviscerado. Casa Editorial Luminara, 2011.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um dedo de prosa com Tatiana Salem Levy



Assistam ao depoimento que a escritora concedeu ao Blog Etudes Lusoophones durante sua passagem por Paris em 2012. Num primeiro vídeo Tatiana S. Levy evoca seu percurso, bem como as obsessões que marcam seu processo de escrita. Cliquem aqui : Percurso

Num segundo vídeo ela nos fala de seus dois romances e como surge em seus trabalhos a temática da memóira familiar. Cliquem aqui : Obsessões e Obras

Na última parte da entrevista, a escritora revela suas impressões sobre o belíssimo romance  Os Malaquias de Andréa del Fuego. Cliquem aqui : Os Malaquias

Não deixem de consultar as intervenções da escritora durante o Salão do Livro de Paris de 2012 e o encontro sobre Literatura Brasileira Contemporânea realizado neste mesmo ano na Université Paris-Sorbonne.Cliquem em :



Tatiana Salem Levy é tradutora, escritora e doutora em Estudos Literários pela PUC-Rio. Publicou o livro A experiência do fora: Blanchot, Foucault e Deleuze e diversos contos em antologias e revistas literárias nacionais, dentre as quais : Paralelos (2004), 25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira (2005), Recontando Machado (2008), Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa (2009). Seu primeiro romance A chave de casa foi vencedor do prêmio São Paulo de Literatura em 2008 e finalista dos prêmios Jabuti e Zaffari & Bourbon. O romance articula-se em torno de diversos eixos narrativos cujas histórias  (o relato do processo imigratório do avô da narradora ao Brasil ; o intinerário dos pais oponentes ao regime militar;  a agonia da mãe ;  a viagem da narradora em busca de suas origens na Turquia e em Portugal,  sua relação amorosa obessiva e destuidora com um homem ; o processo de conversão à escrita) se intercalam ao longo do romance sem uma ordem aparente. Os fragmentos são dispostos sem numeração de capítulos rompendo  a ordem linear dos acontecimentos. É pela fragmentação textual que narradora mima os movimentos labirínticos de sua memória e a imobilidade física e psicológica em que  se encontra. Como sugere o incipit do texto :

Escrevo com as mãos atadas. Na concretude imóvel do meu quarto, de onde não saio há longo tempo. Escrevo sem poder escrever e : por isso escrevo. De resto, não saberia o que fazer com este corpo que, desde a sua chegada ao mundo, não consegue sair do lugar. (p. 9)

A questão em torno do processo da recuperação identitária é retomada em 2010 quando a autora organiza, em colaboração com escritora Adriana Armony, a antologia Primos – história da herança árabe e judaica.  Numa entrevista concedida à Saraiva em 2011, Tatiana Salem Levy  comenta :  

Escolhemos desde nomes mais novos como Leandro Sarmatz e Marcia Bechara até escritores mais consagrados como Moacyr Scliar, Salim Miguel... O leitor se dá conta como essas culturas são parecidas, mas também diferentes. A ideia era ressaltar convergências e divergências. Eu fui me dando conta como as pessoas a minha volta conhecem muito pouco dessa cultura. Na verdade são várias culturas... O Brasil teve uma grande imigração, tanto árabe quanto judaica. Nós vimos aqui esses dois povos convivendo juntos. Por exemplo, no Saara, Rio de Janeiro, em que árabes e judeus até hoje convivem no comércio. São povos muito parecidos, tem a mesma origem semita... A sensação que tenho é que as pessoas acham que árabes e judeus só podem se odiar, como se fossem duas culturas antagônicas. Não é isso. O conflito entre árabes e judeus hoje é localizado, tem a ver com território, construção de dois Estados. Mas que não tem necessariamente a ver com antagonismo de culturas. Quando fui para Israel fiquei muito impressionada com a semelhança que existe entre palestinos e judeus. Nós queríamos mostrar que o conflito não está na base dessas duas culturas.

Em 2011, Tatiana Salem Levy publica Dois rios  pela editora Record, romance que narra a história de um triângulo amoroso envolvendo os irmãos gêmeos Joana e Antônio e a bela francesa de cabelos revoltos Marie-Ange. O texto nasce de sua passagem pela Ilha da Córsega na França e pela Ilha Grande  no Brasil quando a autora decide “escrever uma historia que juntasse os dois universos insulares. Dois rios surge da paixão de Tatiana pelo mar e da vontade de inseri-lo em suas tramas, sempre baseadas em algo que toca sua vida. “Sou movida a impulso e emoção, e a minha literatura terá sempre isso”, revela a escritora. Para Tatiana, o mar pode levar para o mundo, para o desconhecido; mas também pode levar pessoas queridas, nos tirar de onde gostaríamos de estar. “Eu quis explorar essas duas facetas: numa parte o mar impulsiona; na outra, provoca a espera.”

Tatiana Salem Levy é também crítica literária com artigos sobre a obra de Luiz Ruffato e  Samuel Rawet sobre a questão do corpo a partir da leitura dos trabalhos de Jean-Luc Nancy.

Leonardo Tonus
Université Paris-Sorbonne
Maio 2012





Um pouco de leitura : A chave de casa

Para escrever esta história, tenho de sair de onde estou, fazer uma longa viagem por lugares que não conheço, terras onde nunca pisei. Uma viagem de volta, ainda que eu não tenha saído de lugar algum. Não sei se conseguirei realizá-la, se algum dia sairei do meu próprio quarto, mas a urgência existe. Meu corpo já não suporta tanto peso: tomei-me um casulo pétreo. Tenho o rosto abatido, olheiras muito mais velhas do que eu. Minhas bochechas pendem, ouvindo o chamado da terra. Meus dentes mal conseguem mastigar. Sinto um incômodo abissal, como se a gravidade agisse com mais intensidade sobre mim, puxando duas vezes meu corpo para baixo.

Não tenho a mais ínfima ideia do que me aguarda nesse caminho que escolhi. Da mesma forma, não sei se faço a coisa certa. Muito menos se existe alguma lógica, alguma explicação admissível para essa empreitada. Mas ando em busca de um sentido, de um nome, de um corpo. E por isso farei essa viagem de volta, para ver se não os esqueci perdidos por aí, em algum lugar ignoto.

Sem me levantar, pego a caixinha na mesa-de-cabeceira. Dentro dela, em meio a pó, bilhetes velhos, moedas e brincos, descansa a chave que ganhei do meu avô. Tome, ele disse, essa é a chave da casa onde morei na Turquia. Olhei-o com expressão de desentendimento. Agora, deitada na cama com a chave nas mãos, sozinha, continuo sem entender. E o que vou fazer com ela? Você é quem sabe, ele respondeu, como se não tivesse nada a ver com isso. As pessoas vão ficando velhas e, com medo da morte, passam aos outros aquilo que deveriam ter feito mas, por motivos diversos, não fizeram.

E agora cabe a mim inventar que destino dar a essa chave, se não quiser passá-la adiante.

(...)

Não faço outra coisa senão olhar, tocar, observar a chave. Conheço seus detalhes de cor, o tamanho preciso de suas curvas e de sua argola, seu peso, sua cor gasta. Uma chave desse tamanho não deve abrir porta alguma. A essa altura já deveriam por certo ter mudado, se não a porta, certamente a fechadura. Seria um disparate acreditar que tanto tempo depois a chave da casa permaneceria a mesma. Tenho certeza de que até meu avô é consciente disso, mas também imagino que deva ter uma curiosidade enorme de saber se ainda está lá o que deixou para trás. Que coisa estranha, que coisa esquisita deve ser: largar o país, a língua, abandonar a família em direção a algo completamente novo e, sobretudo, incerto.

Ele me contou que o navio onde viajou era descomunal, seu primeiro e único navio. A embarcação estava abarrotada de pessoas, todas com a mesma esperança que ele: conseguir uma vida melhor em país diferente. Dos irmãos, foi o primeiro a vir, apenas duas malas na mão e alguns contatos no Brasil. Não mais do que vinte anos quando deixou a Turquia. Tempos depois o irmão mais novo se juntaria a ele. A irmã gêmea faleceria de tuberculose. O irmão mais velho casaria e continuaria em Esmirna. A mãe, ele só reencontraria longos anos mais tarde, quando, viúva, decidiria se mudar para o Brasil.

Quantas vezes não ouvi essa mesma história? A dor de nunca mais ter visto o pai nem a irmã, de nunca mais ter pisado na terra que primeiro fora sua. A dor de só ter trazido a mãe a tempo de perdê-la. De ter visto tanta miséria no navio, tanta miséria na terra que deixara. Quantas vezes?

E agora o que ele quer? Que eu vá atrás da sua história, recuperar o seu passado? Por que essa chave, essa missão descabida?



Alguns links

Entrevistas:
“A Jovem Literatura Brasileira”. Encontro realizado na Université Paris-Sorbonne
(Março- 2012) com o professor Leonardo Tonus

Salon du livre de Paris 2012/ Mars 2012.
Présentation réalisée par Leonardo Tonus (Maître de Conférences/Université Paris-Sorbonne)
https://www.youtube.com/watch?v=MjrYKy2hmJU

Memórias de uma tímida escritora.
Entrevista concedida a Ramon Mello. Blog de Ramon Melo. 6 dez. 2007.

Sensações da juventude e a Literatura.
Entrevista concedida a Fernanda Mariano. Folha da Região, São Paulo, 14 jun. 2009:
http://www.folhadaregiao.com.br/noticia?120003

Fazer romance em vez de tese pode ser produtivo, diz Tatiana Levy.
Entrevista concedida a Teresa Chaves. Folha Online, São Paulo, 30 jun. 2009 :  http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u588104.shtml

Dois Rios, por Tatiana Salem Levy.
Entrevista realizada pela Editora Record. 26 de outubro de 2011.

Tatiana Salem Levy - Encontros de Interrogação (2011)
Depoimento gravado durante o Encontros de Interrogação, em setembro de 2011, no Itaú Cultural.Vídeo: Gasolina Filmes. Entrevista: Gabriel Carneiro

McCormick Villa Chats - Tatiana Salem Levy
1 de Março de 2011
Embassy of Brazil Washington.DC


Ensaios e artigos

ARROXELAS, Aline. A chave de casa, de Tatiana Salem Levy – Na zona cinzenta das intersecções. Site Vacatussa. 6 mar. 2009. Disponível

LEVY, Tatiana Salem. Do diário à ficção: um projeto de tese/romance.
Disponível em: <http://www.avatar.ime.uerj. br/cevcl/artigos/3Do% 20di% 1rio%20%E0%20fic%E7%E3o%20(Tatiana%20Salem%20Levy).doc.>.

LEVY, Tatiana Salem. Maria Gabriela Llansol: a rapariga que combatia a impostura da língua. Disponível em: <http://members.fortunecity.com/ prgalvao/Mariagrabrielallansolarapariga.html>.

Contos
Que importa um nome?



quarta-feira, 22 de maio de 2013

José Lins do Rego en français.



L’Enfant de la plantation de José Lins do Rego 
aux éditions Anacaona

Paula Anacaona (*)

L’Enfant de la plantation de José Lins do Rego, a été publié au Brésil en 1932 et traduit une première fois en 1953 par Jeanne Worms-Reims (éditions Deux Rives). J’ai décidé de retraduire et republier ce roman dans le cadre de la publication de trois des œuvres de cet auteur qui me paraissent les plus significatives : L’Enfant de la plantation (Menino do Engenho), la Horde sauvage (Cangaceiros) et Crépuscules (Fogo morto).


Quelques éléments sur le contexte historique

José Lins do Rego, né le 3 juin 1901 dans une plantation du Paraiba, un état rural du Nordeste du Brésil, et mort à Rio en 1955, est considéré comme l’un des plus grands écrivains brésiliens du XXe siècle.

Au moment de la publication de l’Enfant de la plantation, le Modernisme a 10 ans (ce mouvement avait été créé lors de la Semaine d’Art Moderne de São Paulo, en 1922). L’Enfant de la plantation est une révélation, une révolution de la propre révolution esthétique de 1922, à laquelle José Lins do Rego apporte une sève nouvelle, une force instinctive, une réalité sociale et une spontanéité personnelle. Le livre est acclamé par la critique car José Lins a réussi à concrétiser dans la pratique littéraire cette nouvelle langue spécifiquement brésilienne que les modernistes recherchaient.

La force de ce nouveau romancier, fils du sertão et pénétré d’esprit nordestin, est de refléter dans sa fresque monumentale un problème social typiquement brésilien, l’agonie d’une caste, la fin d’un patriarcat rural, la disparition d’un monde. Balzac avait étudié dans ses romans la formation de la grande bourgeoisie en France au début du XIXème siècle, Proust la décadence de la noblesse et de cette grande bourgeoisie à la fin de ce même siècle, et notre campagnard originaire de Pilar décrit la mort des domaines agricoles, l’agonie des plantations, l’emprise croissante des grandes usines – en somme la déshumanisation de l’économie par la mécanisation de l’agriculture, entraînant la ruine du patriarcat et la dispersion de tout un peuple descendant d’esclaves et qui ne s’était pas encore fixé dans un travail libre. [2]

La publication de l’Enfant de la plantation au Brésil en 1932 marque une étape cruciale dans l’histoire des lettres brésiliennes. José Lins do Rego a fixé dans sa mémoire et concrétisé esthétiquement ce langage populaire, primitif et authentiquement brésilien véhiculé par les récits populaires des troubadours nordestins et qui l’ont bercé toute son enfance. C’est avec les histoires de la vieille Totonha, les histoires de famille racontées par les domestiques, que sa carrière d’écrivain a commencé. Il ne lui restait plus qu’à y ajouter des schémas narratifs plus élaborés, qu’il trouva dans la tradition culturelle considérée « éduquée ». José Lins do Rego décrit son processus de travail et d’écriture de la sorte :

Ordre direct, discours principal avec le sujet clair, pronoms placés comme à la forme orale et surtout, adoption de solutions qui sont les solutions de la langue du peuple ».[3]

Une langue de départ régionale… une langue d’arrivée nationale ?

Je me suis donc trouvée face à ce problème : en français, comment transcrire cette ruralité, ce régionalisme dans le langage ? Devais-je employer moi aussi du vocabulaire régional ? Auquel cas, de quelle région – le vocabulaire provençal, breton ? Cela n’a aucun sens…

Ce même dilemme s’était posé à moi de façon très aiguë lors de la traduction du Manuel Pratique de la Haine (éditions Anacaona, 2009), dans lequel l’auteur, Ferréz, emploie abondamment et avec escient l’argot de la favela de São Paulo – un vocabulaire, des tournures de phrase, des schémas de pensée propres à cette génération, à ces quartiers, à leurs codes. Comment le traduire en français ? En utilisant l’argot des « cités » de Paris… ou de Marseille ? En utilisant du verlan ? Les mots d’origine arabe qu’on utilise dans le « 9-3 » – mais complètement hors contexte au Brésil ? Bref, tout régionalisme, quelle que soit son époque, est compliqué à délocaliser.

Il est intéressant de remarquer que les nouvelles éditions des œuvres de José Lins do Rego en portugais possèdent un lexique, où sont répertoriés les régionalismes. Preuve que, pour un lecteur brésilien extérieur à cette zone géographique, la langue de Lins do Rego possède une touche régionale que celui-ci n’est pas toujours à même de décoder…

Lors de son passage par la traduction, l’Enfant de la plantation a perdu, je le reconnais, une certaine saveur régionale. Et je n’ai pas trouvé comment résoudre ce dilemme. Mais l’œuvre a gardé toute sa saveur brésilienne. Tout mon travail s’est axé vers cet objectif, que j’espère avoir atteint.

Voici quelques remarques assez concrètes sur les problèmes auxquels j’ai été confrontée lors de cette nouvelle traduction, et les solutions que j’ai trouvées.

O Engenho, por Frans Post (1668).

Le titre et l’univers de la plantation de canne à sucre


Le titre, Menino do engenho. Engenho, peut évoquer, en portugais, différentes choses : la plantation (les champs), et/ou la fabrique (le moulin à sucre), et/ou la maison du maître et des esclaves. En fonction du contexte, le brésilien sait de quoi l’on parle… mais évidemment, dans le titre, on parle de l’ensemble – le domaine, en quelque sorte. L’enfant du domaine ? Pas très joli. L’enfant des champs et du moulin ? Encore moins.

J’ai donc repris le titre de 1953, l’Enfant de la plantation, en mettant de côté toute une dimension de l’engenho… Mais peu importe. L’important, par le titre, est de planter le paysage.

Continuons sur le vocabulaire de la canne à sucre, que j’ai pu assez facilement retrouver par le biais de la littérature des Caraïbes françaises. L’engenho (outre la fabrique et les champs) se compose de la casa grande (la maison de maître) et de la senzala (la maison des esclaves). [Petite parenthèse : le livre référence de Gilberto Freyre (un des plus grands anthropologues et historiens brésiliens), qui explique les fondements de la société brésilienne, s’appelle justement…  Casa-grande e senzala (publié au Brésil en 1933, et en France chez Gallimard sous le titre… Maîtres et esclaves.]

Tout d’abord, la casa-grande : les choix étaient multiples. Dans l’ancienne traduction, on trouve alternativement « la grande maison », « le manoir », « l’habitation ». Les deux premiers choix ne me satisfaisaient pas du tout. En cherchant un peu dans la littérature caribéenne j’ai trouvé « le domaine », « l’habitation », « la maison de/du maître »… Il me semblait que « la maison de maître » convenait le mieux, et c’est ce que j’ai majoritairement utilisé, en alternant parfois avec « l’habitation ».

La senzala : Pendant des années, les brésiliens m’ont répété : il n’y a pas de traduction pour la senzala… J’avais du mal à les croire. La France, avec son héritage colonial dans les Caraïbes, ses plantations de canne à sucre, n’aurait pas de mot pour décrire les habitations des esclaves ?... Ce qui est vrai, c’est que le mot senzala fait partie du vocabulaire de tout  brésilien et tombe sous le sens. En revanche en France, je n’ai pas réussi à trouver d’appellation commune et largement répandue. Étrange ! De façon générale, je retrouvais souvent « camp d’esclave » ; ou bien « les paillotes des esclaves », ou encore « la case » (la fameuse case de l’oncle…). À la Réunion, j’ai trouvé assez fréquemment « longère » pour désigner le camp d’esclaves, mais c’est un régionalisme très prononcé, qui n’est pas employé ailleurs. Petit à petit, le mot « case » m’est apparu le plus pertinent…. Et tout naturellement m’est venue « la rue case-nègres » : une rue constituée d’un alignement de cases, réservées aux nègres - et, je l’avoue, l’idée de faire un clin d’œil à ce joli livre de Joseph Zobel me plaisait aussi. Je crois avoir la trouvé la traduction parfaite pour senzala !…. Et je compte bien la réutiliser ailleurs.

Pourtant, c’était là que nous étions heureux, comme dans un palais. Pour aussi curieux que cela paraisse, c’était nous, les enfants de la maison de maître, qui recherchions la compagnie des gamins de la rue case-nègres. Quand nous jouions, c’étaient eux qui commandaient parce qu’ils nageaient comme des poissons, montaient n’importe quel cheval à cru, tuaient les oiseaux à la fronde, se baignaient à toute heure, et ne demandaient jamais la permission pour aller où bon leur semblait. Ils savaient tout faire mieux que nous : lâcher un cerf-volant, jouer à la toupie, lancer les osselets. La seule chose qu’ils ne savaient pas faire, c’était lire – ce qui n’avait pas grande importance à nos yeux.  (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 82)

La végétation 


Quel casse-tête ! C’est un problème récurrent lors de toute traduction d’œuvre brésilienne, et dans les livres au paysage rural, n’en parlons pas ! Parisienne convaincue, n’ayant absolument pas les pouces verts, j’ai malgré tout pris un plaisir particulier à faire mes recherches dans ce domaine.
Le sertão : J’ai mis une note de bas de page pour la première fois. Petite vanité – je ne l’ai même pas mis en italique ! Après tout, nous connaissons tous le bush australien, le mettons-nous en italique ? Assez logiquement, je milite (dans mes livres !) pour l’inclusion de certains termes brésiliens au patrimoine linguistique mondial… par exemple, traduisons-nous le whishy américain par « eau-de-vie », ce que je vois souvent pour traduire cachaça, l’alcool brésilien national ? Et le sertão est l’un d’eux. Toute tentative de le traduire par « maquis », « broussailles », comme je l’ai vu parfois, est inexacte. Le sertão possède une réalité (géospatiale, sociologique, historique, culturelle, etc.) unique et il serait erroné de chercher à le rapprocher d’un autre paysage.

En revanche, j’ai laissé caatinga[4] en italique, avec une note de bas de page, car ce n’est pas un mot qui englobe autant de réalités que le sertão.

Le fleuve, qui était descendu de plus d’un mètre, se remit à grossir le soir. Il fut décidé que nous quitterions la maison en char à bœufs pour nous réfugier dans la caatinga1. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 46)

Les brésiliens ont, de manière générale, un rapport très étroit avec la nature – beaucoup plus proche que le français moyen – et par extension un patrimoine linguistique en termes botaniques beaucoup plus étendu. Et j’ajouterais même que les brésiliens ont une relation sentimentale avec la nature très forte – qui leur vient des peuples autochtones, peut-être ? À cette différence de relations homme/nature entre nos deux peuples s’ajoutent également les différences flagrantes en termes de végétation en elle-même. Demandons par exemple à un français de citer quelques arbres : il citera le chêne, le châtaigner, le bouleau, le hêtre… Le brésilien citera l’ipé, le pau-brasil, le juazeiro, le cajueiro… aïe aïe aïe ! Le lecteur français ne peut connaître cette végétation – et ne peut avoir les souvenirs visuels et olfactifs et les émotions qui vont avec. Le français comprendra-t-il toute la beauté d’une scène se passant à l’ombre (délicieuse) d’un marizeira ? Ombre d’autant plus délicieuse que le soleil est de plomb, que la sécheresse sévit régulièrement dans la région, etc etc…

Le problème se corse avec des auteurs comme José Lins do Rego, qui prend visiblement plaisir à évoquer ces arbres, parties intégrantes, fiertés de la culture régionale…

Ainsi, José Lins parle de juazeiro, pitombeira, marizeira, ipés – et il est compris par les brésiliens…. Alors que pour les français, ces arbres n’évoquent rien. Que faire ? Plusieurs choix :
1.   Opter pour leur traduction en latin – obscur ;
2.   Opter pour leur traduction en français – lorsqu’elle existe (j’ai pas mal cherché dans les glossaires de botanique des Caraïbes françaises) ;
3.   Laisser en portugais avec une note.
4.   Laisser en portugais sans note.
J’avoue avoir pris tous les partis, sauf le latin – en portugais avec une note, en portugais sans note, en français ….  Quelques exemples :

Un peu plus loin, sous un marizeira[5]1 dont le feuillage tombait jusqu’au sol, se trouvait une de ces piscines naturelles que le courant du fleuve creuse le long de ses rives. Et c’est là, étendu dans l’herbe encore humide de rosée, aux côtés d’oncle Juca – qui avant de se baigner remplit son verre d’eau du fleuve et but ce remède pour le sang – que débuta ma relation intime avec la plantation de canne de mon grand-père. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 19)

Il m’a semblé qu’ainsi le lecteur français pouvait avoir une idée physique de l’arbre, avec ces précisions (visuelles, olfactives) relativement évidentes pour le brésilien.


Le cajueiro : j’ai trouvé cette jolie traduction française, « pommier cajou », qui me semblait parlante visuellement :

« – Faisons un pique-nique sous les pommiers-cajous !
Nous emportâmes notre goûter, du pain et du fromage que les fourmis mangèrent. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 137)

Le jucá : c’est un bois très dur. J’ai trouvé cette appellation « bois-de-fer » assez parlante, même si en termes botaniques, elle n’est pas tout à fait exacte par rapport à l’espèce scientifique jucá. Mais l’idée est là, le lecteur comprend l’esprit….

Enfin, le cajazeira[6] : j’ai trouvé une traduction française : le prunier mombin… Inconnu au bataillon. Au bout du compte je ne l’ai donc pas utilisée, car elle n’apportait rien de plus.

« La route assombrie par les cajazeiras exhalait une odeur acide de cajá1 mûr. Nous cueillions en marchant de petites mangues jaunes et des crève-boeuf rouges – que nous nous gardions bien de manger parce que c’était du poison. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 35)

Et la liste est encore longue….


Les relations sociales et les appellations

C’est là encore une thématique récurrente dans les choix à faire dans la traduction d’œuvres brésiliennes. C’est drôle à dire… mais les gens « s’appellent » encore beaucoup !

L’utilisation de Seu : Ce pronom de traitement est l’abréviation de Senhor (Monsieur) et était utilisé autrefois pour marquer le respect, la déférence – aujourd’hui il est utilisé de façon très généralisée.
J’aurais pu le traduire par M’sieur – ce qui est une pratique courante dans la traduction d’œuvres brésiliennes. Je l’ai fait très rarement – dans 95% des cas, j’ai tout simplement laissé le Seu, pour donner une couleur locale, rappeler où nous étions ; et j’ai mis une note lors de la première apparition.

De même, j’ai laissé les « dona… » facilement compréhensibles pour les français.

On avait fait venir le piano de dona Amélia, la femme de Seu Lula.  (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 150)

Le terme Coronel[7] : qui connaît le Brésil rural connaît l’importance de ces hommes – véritables barons féodaux des campagnes brésiliennes. Je l’ai laissé, avec une note lors de la première apparition :

«Sors de là, petit dévergondé, tu n’as pas honte ! Je vais le dire au coronel1 ! » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 55)

Le terme Doutor : Idem – qui connaît le Brésil rural connaît l’importance de ce titre – qui, sans rapport avec la médecine, désigne une personne ayant fait des études ou diplômée de l’université. Idem, je l’ai laissé.

La commère[8] : un terme qui n’est plus du tout usité en France… et qui traîne cette vilaine image de colporteuse de ragots. Quel dommage ! C’est une appellation qui crée un vrai lien social. Je l’ai utilisée en français, avec une note :

Soudain le soleil brilla dans les champs, chauffant la feuille de canne encore humide de rosée. Les portes et les fenêtres des maisons des colons s’ouvrirent, et des familles entières sortirent dans la cour prendre un bain de soleil gratuit. Parfois le char s’arrêtait pour permettre à ma tante de parler à des commères1 qui accouraient, réjouies de pouvoir échanger deux mots avec leur maîtresse. Et leurs enfants en chemise longue, qui venaient demander la bénédiction de leur marraine.
– Dieu te bénisse.  (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 93)


Ma mère ou maman ? Cela peut paraître bête… mais je me suis bien cassé la tête sur cette question ! La première traduction avait opté pour « ma mère », que je trouvais un peu froid – alors que le narrateur a une relation très tendre (et idéalisée) avec sa mère.

Le portugais a un terme pour mère (mãe), un terme pour maman (mamãe)… mais dans les faits, la plupart des enfants appellent leur maman… mãe. J’ai donc souvent opté pour « maman », plus affectueux. Voici d’ailleurs comment s’ouvre le roman :

J’avais à peu près quatre ans lorsque ma mère est morte. Un matin, alors que je dormais dans ma chambre, je fus réveillé par une intense agitation dans toute la maison. Des gens criaient et couraient en tous sens, et la chambre à coucher de mon père était remplie d’inconnus. Je m’y précipitai en courant et vis maman étendue par terre, papa écroulé sur elle, l’air hagard. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 9)

L’ancienne traduction utilise souvent « mon grand-père » ; j’ai opté pour « grand-père », plus affectueux – et malgré tout respectueux. Ainsi, l’ancienne traduction :

- Allons, dit mon grand-père d’un ton de commandement. (© J.W.Reims, traduction 1953)

Devient :

        Allons ! dit grand-père de sa voix autoritaire. (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 68)

Enfin, la première traductrice utilise le mot « mulâtre » pour traduire cabras, littéralement des « types », des « gars », ou tout simplement des « hommes ». Un terme qui revient fréquemment. Je ne peux que la saluer : elle a tout compris des relations sociales du Brésil…. Celui qu’on appelle le type, le gars (par opposition au doutor, au coronel), surtout à la campagne, c’est effectivement souvent un mulâtre, un vague sang-mêlé à l’origine plus ou moins douteuse…. Mais n’est-ce pas là un parti pris de la part du traducteur, que d’utiliser un terme aussi connoté ethniquement ?
Ainsi, l’ancienne traduction :

« Des colons étaient arrivés de Maravalha et de Taipu, plus de cinq cents hommes combattaient à présent l’implacable ennemi. Le feu ne pouvait plus dépasser le ruisseau qui était transformé en tranchée et au-delà duquel se tenaient des mulâtres munis de branches prêts à taper sur la première flamme. Le vent avait abandonné son allié sur le champ de bataille. Tous les hommes étaient en lambeaux, leurs pieds étaient brûlés, leurs visages noirs de suie et leurs yeux rouges. Zé Guedes avait la poitrine en chair vive. Les cendres du champ de cannes fumaient. » (© J.W.Reims, traduction 1953)

Devient :

« Des colons arrivèrent de Maravalha et de Taipu. C’étaient plus de cinq cents hommes qui  combattaient à présent l’implacable ennemi. Le feu ne passerait pas le ruisseau parce qu’il était entouré de tranchées. Et parce que des gars l’attendaient avec des branches pour lui taper dessus. Le
vent avait abandonné son allié sur le champ de bataille. Tous les hommes avaient les pieds brûlés, le visage noir de suie, les yeux rouges, les vêtements en lambeaux. Zé Guedes avait la poitrine à vif. Et les cendres du champ de canne, fumantes. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 122)

Noir ou nègre ? Pour terminer sur ces questions d’origine ethnique, auxquelles nous sommes forcément confrontés dans toute œuvre brésilienne, la première traductrice employait le mot « nègre », que j’ai remplacé par « Noir ». Question d’époque… et de politiquement correct !

Voici un petit panorama des questions que je me suis posées. Pour certaines, la réponse est (à peu près) définitive, pour d’autres, je réfléchis encore, j’affine mes choix, je regarde les solutions des autres traducteurs…  Et je pense déjà aux titres des prochains livres de José Lins do Rego !

Lins do Rego : des titres aux consonances régionales

Dès le titre, Lins do Rego plante le décor : que ce soit Menino do engenho, Cangaceiros, ou Fogo Morto, cela ne fait pas l’ombre d’un doute : l’œuvre se passe dans le Nordeste, le vocabulaire est typiquement régional. Pas très vendeur de mettre une note de bas de page pour un titre…


Cangaceiros (sortie prévue : automne 2013).
Le terme apparaît à plusieurs reprises dans l’Enfant de la plantation – car ces bandits font partie du paysage du Nordeste brésilien. Je l’ai évidemment laissé en portugais, en italique, avec une note (Injustice ! Le cow-boy américain n’a pas de note et n’est même pas en italique…) Mais je trouvais compliqué de donner en titre de livre un mot incompréhensible pour le lecteur français moyen…
« Au seul nom de ce cangaceiro[9]1, le ton d’une conversation changeait. On ne parlait de lui qu’à voix basse, comme si les mots pouvaient lui parvenir, emportés par le vent. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 31)

Le titre de ce livre sera : la Horde sauvage.


Fogo Morto (sortie prévue : début 2014)
Littéralement « feu mort », « feu éteint ». En fait, c’est une allusion à la fournaise, à la cheminée des engenhos qui, lorsque la plantation se meurt, ne fonctionne plus car on n’y moud plus de canne à sucre. Dans l’Enfant de la plantation, on y trouve une allusion :

« Pauvre Santa Fé ! Je ne l’ai connu qu’à son crépuscule. Rien n’est plus triste qu’une plantation dont la cheminée est éteinte. Une désolation de fin de vie, de ruine, qui donne au paysage rural un air mélancolique de cimetière abandonné. » (L’Enfant de la plantation, éditions Anacaona, 2013, page 111)

Le titre de ce livre sera Crépuscules.

Bref, je ne peux que vous conseiller la lecture de l’Enfant de la plantation : Cette histoire d’un Brésil rural, aujourd’hui disparu, est fondamentale pour comprendre le Brésil urbain contemporain. Ce roman est un petit bonbon, imprégné de tendresse et d’intense humanité, au style savoureux, naturel, débordant (du moins, j’ai essayé…)

« Tout le Brésil est dans ce livre transparent » (et ce n’est pas moi qui l’ai écrit, c’est Blaise Cendrars). Bonne lecture !…

Paris, Mai, 2013


Anacaona est une maison d'édition indépendante française, fondée en 2009 par Paula Anacona. Les éditions Anacaona se veulent une passerelle de diffusion de la littérature marginale brésilienne – littérature faite par les minorités, raciales ou socio-économiques, en marge des nerfs centraux du savoir et de la grande culture nationale, avec leur langage, leurs histoires, leur façon de raconter le Quartier. Une littérature de rue, une littérature populaire avec du sens, un principe, un idéal : honorer ce peuple qui a construit ce pays sans jamais recevoir sa part. Le talent littéraire est ici mis au service d’une cause politique ou sociale – éclairer les masses ignorantes, accroître la capacité critique du public, construire un futur meilleur.

Pour plus d’informations sur José Lins do Rego et les autres publications des Editions Anacaona :  www.anacaona.fr

Consultez, également, l’interview de Paula Anacaona pour le blog Etudes Lusophones sur : http://etudeslusophonesparis4.blogspot.fr/2012/10/les-marginaux-moteurs-de-la-culture.html

Texte publié originalement sur le site La République des Livres de Pierre :  http://larepubliquedeslivres.com/comment-transcrire-le-regionalisme-de-jose-lins-do-rego/


[2] Tristão de Athayde, préface à l’édition de Menino do Engenho, 1971.
[3] José Lins do Rego, entretien avec Medeiros Lima, Politicas e Letra, 1948.
[4] Écosystème et type de végétation du Nordeste du Brésil, constitué de cactus, buissons et arbustes épineux adaptés à l’aridité de la région et au sertão. Caatinga signifie « forêt blanche » en tupi, même si pendant la saison des pluies, la caatinga devient toute verte.
[5] Le marizeira est un arbre du Nordeste (Calliandra spinosa), caractéristique de la caatinga. Ses fleurs odorantes sont blanches quand elles sont jeunes puis deviennent roses, ce qui donne à cet arbre une importante valeur décorative.
[6] Le cajá, ou mombin, est le fruit du prunier mombin (cajazeira). C’est un fruit à gros noyau, jaune vif, à la saveur acidulée et légèrement astringente.
[7] Ce terme, sans rapport avec la hiérarchie militaire, est utilisé dans l’intérieur du Brésil pour désigner un chef politique, en général grand propriétaire.
[8] La commère désigne, pour un parent, la marraine de ses enfants. Le terme est également utilisé par extension pour désigner une amie, une voisine, etc.
[9] Bandits nomades du sertão du Nordeste. La formation de ces bandes lourdement armées s’inscrit dans une révolte contre la domination des propriétaires terriens (les coronels) et le gouvernement. Bandits sociaux, Robin des Bois cruels et généreux à la fois, ils étaient détestés et vénérés.