domingo, 10 de fevereiro de 2013

O mar azul de Paloma Vidal


Rencontre avec l’écrivaine

Paloma Vidal

Le mercredi 13 février 2013
De 11h00 à 12h30
Salle 13

Institut Hispanique
31 rue Gay-Lussac
75005 Paris

Paloma Vidal nasceu em Buenos Aires, em 1975. É escritora, tradutora e professora de Teoria Literária da Universidade Federal de São Paulo. Publicou as ficções A duas mãos (7Letras, 2003, contos), Mais ao sul (Língua Geral, 2008, contos, publicados em espanhol pela editora Eterna Cadencia), Algum lugar (7Letras, 2009, romance) e Mar azul (Rocco, 2012, romance). É autora dos ensaios A história em seus restos: literatura e exílio no Cone Sul (Annablume, 2004) e Escrever de fora: viagem e experiência na narrativa argentina contemporânea (Lumme Editor, 2011). Traduziu, entre outros, Margo Glantz e Clarice Lispector. Mantém o blog http://www.escritosgeograficos.blogspot.com  e é editora da revista Grumo (www.salagrumo.org).  

Mar Azul

Solitária numa cidade estrangeira, uma mulher no começo da velhice se dedica a tarefas corriqueiras. Observa o voo dos pombos no pátio, frequenta a piscina, marca consultas médicas que considera cada vez mais urgentes. Mas, dentro de casa, empreende uma atividade peculiar, quase clandestina: lê os diários de seu pai. E escreve suas próprias linhas nos versos das páginas. O contato entre as duas grafias vai desvelando as pistas de uma história sempre incompleta.

Mar azul , segundo romance e quarto livro ficcional de Paloma Vidal, retoma alguns dos elementos que a consagraram como uma das vozes mais marcantes da prosa brasileira contemporânea. A memória – zona opaca de elipses e de impasses – é pedra de toque para uma trama que nunca se deixa ver por inteiro. No compasso melancólico de um cotidiano marcado pelo exílio, o passado ressurge em fiapos, peças de um quebra-cabeça naturalmente movediço, no qual os nomes de personagens e cidades, a cronologia ou os fatos não exigem evidência; em geral, não passam de insinuações.

“Isto não é um diário, nem uma carta, nem uma autobiografia, nem qualquer outro modo de escrita íntima. Só escrevo porque ele escreveu do outro lado”, registra a protagonista. Escrever no verso é uma forma de estabelecer um contato não apenas com sua própria memória, mas também com a memória do pai, com as pegadas indecifráveis de sua ausência. E com um tipo muito familiar de barbárie.

A ausência e o luto, a distância e o esquecimento pairam sobre Mar azul. Apenas a água, o oceano e as lembranças de uma viagem à praia parecem um norte possível, alento para a dificuldade de fixar afetos, de decifrar as próprias dores. A solidão – fruto do hábito paterno de estar sempre de partida – aproxima a protagonista de Vicky, que se tornará sua melhor amiga. É a experiência desse convívio que abre o livro, cujas primeiras páginas são tomadas por fragmentos de diálogos entre as duas, ainda adolescentes.

São diálogos forjados pelo constante jogo de revelar e esconder, inquirir e insinuar, contornar o perigo e as ameaças secretas com um jeito ora titubeante, ora luminoso. Nesse jogo, perseguem a dúvida como elemento precioso e aflito da intimidade, enquanto refletem a identidade, marcada simultaneamente por vertigens de silêncio e ímpetos de violência, de quem foi jovem na América Latina, em algumas décadas do século passado.


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