quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Meninas, moças e a identitade nacional



Conférence avec les professeurs

Mirian Hisae Yaegashi Zappone
(Universidade Estadual de Maringá)
et
Ricardo Araújo Barberena
(Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

le mercredi 06 mars 2013
Salle 13
de 10h00 à 12h00

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac   
75 005 Paris


Leituras para moças no Brasil nas décadas 1940-1960  : o caso da Coleção “Menina e Moça”

Mirian Hisae Yaegashi Zappone
Universidade Estadual de Maringá

Os decênios de 1940-50 configuraram, segundo Micelli (2011), períodos de grandes vendas no mercado editorial brasileiro, sendo que cerca de 38% das publicações realizadas no país eram compostas de narrativas de ficção, das quais um terço diziam respeito aos romances de amor, as histórias policiais e os livros de aventura. Esses textos não foram produzidos no cenário literário brasileiro, sendo traduções de outras línguas, mas circularam efetivamente e foram, acima de tudo, lidos, configurando-se como concorrentes às obras consideradas de valor, embora tenham sido historicamente apagadas no cenário dos bens simbólicos no Brasil. Entretanto, como formas ficcionais que tiveram relevância junto aos públicos e, acima de tudo, considerando uma perspectiva sociológica, como propõe Escarpit (1969), o âmbito do qual se acerca o literário também envolve questões da produção material do livro e da sua leitura, ambas atreladas, inexoravelmente, ao desenvolvimento da burguesia e das sucessivas classes intermediárias nas quais ela vai se estratificando, produzindo o que se convencionou chamar de massas. Tendo como partida este cenário de leitura no Brasil, esta palestra objetiva apresentar dados sobre a Coleção Menina e Moça, editada pela livraria José Olympio e que consistiu na tradução e publicação de textos da conhecida Bibliotèque de Suzette (edita na França entre os anos de 1919 e 1965). A palestra focalizará dados sobre os aparatos editoriais utilizados na divulgação da coleção no Brasil, bem como alguns aspectos sobre representações de grupos sociais e dados sobre a composição narrativa de corpus desta coleção.

Brasil, um personagem à venda: a literatura brasileira contemporânea e a representação da identidade nacional

Ricardo Barberena
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

As narrativas contemporâneas da literatura brasileira, recolhidas nas duas últimas décadas do século XX e na primeira década do século XXI, tecem uma gama imagética que comprovam como as identidades nacionais não são estáveis e ontológicas, mas são formadas e transformadas no interior da representação. Como a unidirecionalidade das concepções fixas e sedentárias despertam sérias desconfianças, a ênfase do debate teórico passa a ser situada numa identidade heterogênea submetida às clivagens de toda ordem. As identidades nacionais, portanto, são incapazes de subjugar e apagar a complexa rede de diferenças manifestada por inúmeros discursos que se situam em uma relativa posição de “marginalidade”. Apesar de todo um passado crítico de silenciamento das diferenças culturais, os “outros” significados, que não são os institucionalizados, sempre estão presentes no interior da cultura nacional através de suas representações perturbadoras da identidade nacional. Desta forma, as identidades nacionais talvez não sejam tão imutáveis e estáveis como tradicionalmente se propunha, mas, sim, resultado das transitórias negociações de sentido que constituem um processo de identificação pautado por uma pluralidade de diferenças. Dentro dessa releitura dos significados culturais, as identidades nacionais podem ser estudadas como produto de um espaço de fronteira onde se discutem as diferenças através de uma relação híbrida de sentidos, pautada por um entre-lugar discursivo. Pensar a identidade em terras brasileiras, num momento pós-colonial, nos leva a refletir sobre a possibilidade de uma diferença que não seja compatível com as ideias da universalidade humana concreta e da sociedade igualitária secular, pois aquele evolucionismo primitivista de resgate do “selvagem” da natureza e de exaltação do outro “civilizado” está abalado por uma nova conjuntura social diferenciada daquela da Metrópole-Colônia. Na efetivação desse projeto, que não se restringe ao aporte pós-colonial, recorro ao suporte teórico de um discurso antropológico pautado pela relativização dos sujeitos sociais e pela construção de uma crítica contundente a uma ideologia universalizante. O exercício de tal relativismo antropológico representa a implantação de um poderoso instrumento de crítica cultural que avalia as desigualdades socioeconômicas e problematiza os tradicionais padrões de normalidade aceitos pela comunidade. Este viés crítico introduz uma reflexão política sobre o modo de relativizar as identidades nacionais, demonstra a impossibilidade da formação de uma análise da diversidade nacional alienada de uma perspectiva antropológica, pois tal teoria está organizada através de uma leitura das representações simbólicas como uma relação entre o símbolo e o que ele simboliza – uma função significante aberta e contingente constituída por traços de indeterminação e pluralidade.


Mirian Hisae Yaegashi Zappone é professora do departamento de Letras e do Programa de Pós-graduação em Letras  da Universidade Estadual de Maringá - Paraná. Pesquisa temas relacionados à leitura de textos literários, literatura infantojuvenil brasileira e letramento. Desenvolve projetos de ensino de leitura junto a professores da rede pública de ensino. Publicou, entre outros, os ensaios “A cor e a raça da personagem na narrativa juvenil contemporânea”( 2011) “Fanfics: uma caso de letramento literário na cibercultura?” (2008) e “Modelos de letramento literário e ensino da literatura: problemas e perspectivas. Teoria e Prática da Educação (2007). Organizou a antologia Leitura do texto literário: práticas e letramentos (Maringá: Eduem, 2010 ).

Ricardo Araújo Barberena possui Graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005) e Pós-Doutorado (2009), intitulado "Paisagens limiares na contemporaneidade brasileira: representações da identidade no Cinema e na Literatura", pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PUCRS). Atuação docente na área de Letras (Teoria Literária), com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: identidade, diferença, literatura, nação, identidade, cinema, literatura e cultura. É coordenador do Grupo de Pesquisa Limiares Comparistas e Diásporas Disciplinares: Estudo de Paisagens Identitárias na Contemporaneidade, do Acervo do Escritor Pedro Geraldo Escosteguy/ DELFOS – PUCRS e da Especialização em Literatura Brasileira na PUCRS

Um comentário:

  1. Parabens pela estrutura e conteudo de seu site, estou compartilhando aqui, Forte abraço Willian camiseta

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