terça-feira, 15 de maio de 2012

O lado de fora


Lygia Pape, Ttéia

O lado de fora

Elvira Vigna

Fui para fazer uma experiência. Como seria minha vivência do espaço visitando um espaço de outra época, no caso, o espaço modernista que começava a deixar de sê-lo da artista neoconcreta Lygia Pape.
E com mais uma complicação. A exposição está na Estação Pinacoteca, que fica no meio de uma região barra pesada do centrão de São Paulo. Oba. Duplo choque, já sabia eu.
Então fui.
Pensei em completar indo de noite na peça do Antonin Artaud, que também questionou o espaço da sua época, e que tinha uma montagem de seus textos em cartaz no Teatro Augusta. E aqui também eu já me via sentindo como seria sair dos bares, pixações e muvuca do baixo-Augusta direto para uma sala de teatro, fechadinha, silêncio e tal.
Quase fui. Mas isso digo depois.
O que eu já sabia de antemão, sem nem me mexer:
Em ambos os espaços, eu veria os limites restritos de um espaço artístico, o deles, modernista, frente ao espaço artístico mais amplo, que inclui (e depende de ) o seu entorno, e que é o espaço artístico de hoje. O espaço criativo restrito de uma época que mal deixava de considerar a arte como algo autônomo, e o espaço de hoje, sempre contextualizado, atuado, o espaço possível da arte contemporânea. A diferença é grande.
Aliás, entre os dois artistas meus parceiros na aventura, eu também já sabia de uma outra diferença, a que existe entre eles, e que também é grande. O espaço usado por Lygia Pape fica, para quem entra nele hoje (pelos pés ou pela cabeça), bem mais restrito do que o de Artaud, embora o preso fosse ele. Num hospício durante sua vida. Ou em palquinho cercado por arame grosso, o cenário anunciado de "Artaud - A realidade é doida varrida". Pape muito mais contida do que Artaud. Mais do que já era, a cada dia mais, como se a contemporaneidade fosse caminhando para assimilar Artaud e se distanciar de Pape.
(Embora Antonin Artaud nascesse em Marselha em 1896 e Lygia Pape trinta anos depois, em 1927, Nova Friburgo, Rio de Janeiro.)
E isso não só pelo que fizeram. Mas como podemos recebê-los. E como são ofertados.
Por exemplo:

"A partir das minhas andanças de carro pela cidade - porque eu ando muito de carro - fui percebendo um tipo novo de relação com o espaço urbano, assim como se eu fosse uma espécie de aranha tecendo o espaço, pois é um tal de vai daqui, cruza ali, dobra adiante, sobe e desce em viadutos, entra e sai de túneis, eu e todas as pessoas da cidade, que é como se passássemos a ter uma visão aérea da cidade e ela fosse uma
imensa teia, um enorme emaranhado. E eu chamei de espaços imantados porque aquilo tudo era uma coisa viva, como se eu fosse caminhando ali dentro a puxar um fio que se trançasse e se enovelasse ao infinito."

Texto escolhido pela curadoria para apresentar Lygia Pape. Chama-se "Espaço Imantado". É o mesmo título da retrospectiva e também está presente à porta da instalação principal, da série Ttéia, que ocupa uma sala escura, logo na entrada mas em direção contrária ao caminho do visitante.
Há outras instalações. A Roda dos prazeres, de 1968, com corantes de comida que o público pode pingar em conta-gotas na própria língua. O vídeo Eat me, de 1975, em que as palavras gula e luxúria são repetidas em várias línguas enquanto se vê a boca e seu habitante, a língua, em tarefas de lamber, chupar ou revolver gosmas não identificadas.
Os Jogos matemáticos em uma grande parede. Os Tecelares. As dobraduras, os filmes, os livros. Duzentas peças ao todo.
E mais o que já se sabe:
O início da guinada em direção ao contexto, ao lado de fora, mas ainda meio longe, esse lá fora. O convite à participação de um fruidor, embora ainda educado e segundo regras. Um Olho, mais que um fruidor, mais que uma pessoa comum, dessas que passam (passamos) na rua.
Um platonismo compartilhado. Ao transpor o detector de metais disposto no corredor do elevador, nos tornamos, sem armas, o ideal de nós mesmos, única maneira de nos relacionar com o ideal conceitual da artista. Só eu acho engraçado? Você ascender a este mundo perfeito, o que não tem armas, para poder ver uma exposição?
Ainda lá, presente, o que Lygia Pape e seus companheiros de neoconcretismo mal começavam a atacar. A arte autônoma. Ainda lá, a presença do rótulo "especial" da coisa artística, ainda o Cubo Branco (mesmo que negro, como no caso da instalação dos fios da Ttéia.). E, ainda lá, o que vem junto com isso tudo, com esse cuidado zeloso, esse ambiente controlado: o subtexto de que aquilo que lá está, a merecer tantos cuidados, só pode ter muito valor. E durar muito. E ser, portanto, digno de investimento financeiro - e lucro. Pode comprar sem susto.
E mais - e é a mesma coisa - a aspiração de eternidade. Que é o que esse mercado, o de arte, na verdade vende. Eternidade não só da obra, lá, cuidada, imutável, para além do tempo. Mas, principalmente, a eternidade do poder vigente e das relações sociais vigentes, da época em que essa arte foi produzida, e em qualquer tempo em que seja consumida. Poder encarnado na figura de quem compra, e recompra. Ou apenas visita. Uma osmose, metonímia. Um contágio: a obra é eterna, e eterno sou eu em meu poder supremo, pois a detenho fisicamente na minha coleção, ou simbolicamente na minha análise erudita de conhecedor, de partícipe das esferas mais altas e educadas da sociedade. Eu, o poderoso, que vou dizer às pessoas inferiores o que elas de fato viram na exposição que visitaram. Eu, que assim, me torno alguém útil. Necessário mesmo. E digno de ser mantido no meu status atual. Pois mantenho a arte inútil (sem atuação no mundo real).
Uma ilusão: abre-se mão do passado (ou do registro de época, abstraído em prol do registro das relações abstratas dos elementos formais) em troca de uma garantia de futuro.
E, ainda lá, justamente, o fascínio com a abstração, a matemática. São pontos, linhas, sólidos. Não como parte de nada. Só isso mesmo: pontos, linhas, sólidos. Ou jogos de luz. Abstração a provocar reação igual: há um ritual respeitoso, igualmente desencarnado de impulsos e acasos e individualidades, igualmente avesso a vicissitudes do tempo (guarda-chuvas são deixados na entrada). Um ritual de caminhar com pouco barulho, de frases aos cochichos, gestos comedidos. Guardiães garantem o bom desenrolar - entendido como exclusão de variáveis - do espetáculo: há guardas em profusão, faixas de aqui não. Proibições.
Não se pode fotografar. Sequer um contato mediado, portanto. Não. Não se pode. E a foto distribuída pela divulgação não tem pessoas. Só as obras em um fundo neutro. Sintomaticamente.
Também não se pode entrar no espaço que a artista desejou que se entrasse. Você circunda a Ttéia. Não passa entre seus fios. O carpete sobre o qual os fios estão dispostos é a moldura desse quadro. Tudo que ela não queria.
Não é só o início desse caminho que levou a arte para fora de seu espaço separado e para dentro da vida o que hoje parece ser tão restrito. É que mesmo esse início restrito ainda diminui pela forma como nos é apresentado, tolhido. E, mais uma vez, isso é mais verdade em Pape do que em Artaud. O Teatro Augusta é dos mais informais. Um café. O sinal sonoro de início de espetáculo soa meio irônico, por grandioso, em meio às mesinhas onde compete com o espremedor de laranjas. O porteiro responsável por coletar os bilhetes é um fortão com roupa de bombeiro. A qualquer momento espera-se que arranque seu uniforme (estará preso com velcro?) e dance só de botas e sunguinha. O contexto de hoje, da Augusta, mantido até a entrada da sala, quase invadindo.
Nem precisava. Mas fica engraçado. A Estação Pinacoteca, com suas salas assépticas, é cercada de terrenos baldios. Viciados em crack, com seu andar suave de fantasmas, ficam pelos cantos. Nada menos controlável do que viciados em crack. Ou fantasmas. No entanto, Lygia Pape se julga uma aranha a tecer o seu espaço. Julga controlar o espaço. Exprimia uma ilusão modernista. A do controle, a da centralidade do conceito e de quem conceitua, a dar significado para o que está em volta. Não é assim hoje. Fazemos parte. Nós, o crack e até essa coisa tão estranha chamada museus. E o significado que nos inclui, exclui, muda a toda hora, é dado pelas tensões entre todos os componentes, igualmente. É sempre temporário. Não há aranhas. Ou donos. Valemos a mesma coisa (não muito) e só somos o que somos com o outro junto, também sendo. Velhos conhecidos do desconforto físico, do barulho excessivo e da ausência de constantes na nossa percepção diária, nos damos bem com as transgressões lógicas, as dissociações sensórias. E não vamos ao centrão de carro.
E o Artaud.
A realidade é doida varrida pelo Teatro Coletivo/SP
Ia ver. Rever. Estava marcado para as 19h. Era dia de Virada Cultural na cidade. O ator/diretor Marcos Fayad, responsável pelo "ritual teatral" (subtítulo do espetáculo), atrasou-se. Mais porosidade com o entorno é impossível.
Mas deu para pensar, outra vez, na ideia de ritual. Aqui em sentido contrário ao da ritualização da visita à Estação Pinacoteca. Ritual, aqui, porque não exatamente uma representação. Mas algo a ser reencenado, reatuado. Há aqui uma entrada, uma brecha, para modificações, desvios.
Fayad faz, em sua montagem, uma homenagem a contemporâneos de Lygia Pape: Rubens Corrêa e Ivan de Albuquerque, do Teatro Ipanema. Foram os primeiros a encenar a peça. Foram eles que me apresentaram, há muito tempo, a Artaud.
Lygia Pape e Antonin Artaud compartilhavam, então, um entendimento de espaço como algo que se abria. Embora pouco para o que viria depois. Compartilhavam um gesto de ir em direção ao lado de fora. Mesmo que esse lado de fora ainda fosse entendido como plateia.

Maio de 2012

Leiam as outras resenhas da escritora na rubica  Artes do blog

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Artes com Elvira Vigna


Daniel Senise, Obra

Artes 
O novo espaço do blog Estudos Lusófonos dedicado à arte contemporânea !

Todos os meses venham compartilhar com a escritora Elvira Vigna suas impressões sobre a cena artística brasileira contemporânea.

Participem!

Deixem suas observações no espaço reservado aos comentários nas páginas do blog, ou por email através do endereço :  etudeslusophonesparis4@gmail.com

domingo, 13 de maio de 2012

Dois olhares sobre a emigração


Dois olhares sobre a emigração

Isabel Mateus, écrivain
A Terra do Chiculate e as novas tendências da diáspora portuguesa”

Maria Isabel Edom, Professeure à l’Université de Brasilia
“Lisboa, terra estrangeira: emigração e perda em Luis Ruffato”

le mardi  22 mai 2012
salle 22  de 15h30 à 17h30

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac - 75005 PARIS

A Terra de Chiculate
Isabel Mateus

A obra divide-se em três partes e dá voz, através dos seus relatos, na primeira pessoa, aos seus “reais protagonistas”. Na primeira parte, intitulada “Naufrágio”, a narração da criança, entregue aos cuidados da avó materna, com apenas 12 meses, centra-se nas suas memórias indeléveis da infância e da juventude, exprimindo, sobretudo, o modo como a ausência dos seus pais se reflecte, de forma nefasta, na sua vida. Aliás, a sua experiência individual remete a temática para um panorama mais vasto, pois a sua situação vai ao encontro da mesma realidade familiar e social de tantas outras crianças e jovens do Portugal rural, principalmente do Norte e Interior do país, durante a época da Ditadura.
A segunda parte, “Viagem(ns)”, trata dos percursos de vida daqueles que deram “o salto”, isto é, dos seus sucessos e infortúnios provenientes desta epopeia da era moderna. Entre outras, aqui perpassam as histórias do passador, da criança e dos jovens arrancados à terra de origem, bem como as referentes aos homens e às mulheres e aos seus muitos trabalhos que passaram para se adaptarem ao novo país, à língua e à cultura. No presente, “os protagonistas” mais idosos desta efeméride deparam-se com outro tipo de problemas: surge o dilema do regresso para Portugal ou da sua permanência em França ou, então, a opção pelo contínuo vaivém entre os dois países, até que as suas forças físicas e psicológicas o permitam.
Quanto às várias gerações de luso-descendentes, debatem-se pela procura e pela afirmação da sua identidade portuguesa, resolvendo deste modo o conflito, por vezes existente, entre o desequilíbrio da influência das culturas francesa e lusa.
A última parte da obra resulta das impressões de viagem do narrador adulto em peregrinação pelos espaços da diáspora dos primeiros emigrantes portugueses, onde se incluem os seus próprios pais, os seus familiares e os seus amigos. A partir daqui, pretende-se que as suas reflexões e considerações elucidem o leitor acerca deste período da emigração ainda mal conhecida por muitos e, até então, com aspectos por desmistificar.
Ao mostrar o difícil passado recente da emigração portuguesa, A Terra do Chiculate alerta, igualmente, para a vigência e a actualidade do tema da emigração clandestina neste início de século.
Fonte website da autora. Clique aqui para consultá-lo.

Lisboa, terra estrangeira: emigração e perda em Luiz Ruffato

Maria Isabel Edom

Os deslocamentos de alguns protagonistas na literatura brasileira têm indicado algumas das motivações de saída do país e certamente poucas convergências quanto aos procedimentos de sobrevivência. Talvez se possa destacar, desde o romance Lorde, de João Gilberto Noll, dois aspectos que variam em gradação: a consciência do exílio e o contato com a clandestinidade. Personagens como os de Algum lugar, de Paloma Vidal; Azul-corvo, de Adriana Lisboa; e Estive Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato, apontam para essas diferentes motivações, encarnam a migração contemporânea e assinalam mapas culturais diversos – ao evidenciarem sobretudo os contatos com outros imigrantes. Na obra de Luiz Ruffato, a partida se apoia no na desilusão com o presente em uma cidade de Minas Gerais e no desejo de juntar dinheiro para voltar. O personagem aqui não é um intelectual escritor ou a filha em busca de um pai, tal como aparece nos outros romances. Sua vida simples nos diz sobre aqueles que podem ser contabilizados pelo número da ficha de atendimento do serviço médico da fábrica. Sua simplicidade é tanta que ele nem imaginava de que forma sairia do país, como conseguiria se estabelecer e permanecer em Portugal contrastando com o tamanho das dificuldades encontradas e da esperteza dos outros que, como ele, sobram nas estatísticas, para pensar aqui nos refugos dos projetos modernizadores de que nos fala Bauman. Os contornos da emigração em Luiz Ruffato se desenham pelas perdas sucessivas. O recurso à oralidade por meio do qual transborda a mineiridade encadeia passado e presente, mostrando a família e a cidade de Sérgio. As relações sociais no Brasil variam não apenas de acordo com a afetividade dos vínculos familiares e sociais, mas segundo um código de futuro e de sucesso que engloba o estabelecimento material e é uma exigência do presente. Assim o personagem projeta a sua vida e é de dentro dessa quimera que ele cai na clandestinidade em Portugal, permanecendo no âmbito das estatísticas, agora a dos refugos internacionais. A Lisboa procurada torna-se uma terra estranha, tal como foi para os personagens do filme de Walter Salles e Daniela Thomaz, “Terra estrangeira”, de 1995, onde se protagonizava de forma frenética e desolada a história de outro emigrante e suas perdas.

sábado, 12 de maio de 2012

Publication : Le Futurisme et les Avant-gardes au Portugal et au Brésil


Il ciclista, Natalia Goncharova 1913

Le Futurisme et les Avant-gardes au Portugal et au Brésil
Textes réunis par Maria Graciete Besse, avec le concours de José Manuel Esteves, Adelaide Cristóvão et José Salgado, Editions Convivium Lusophone, Paris, 2011

Dans le cadre des commémorations du centenaire de la publication du Manifeste Futuriste par Marinetti, les organisateurs de ce recueil ont voulu interroger sa fortune au Portugal et au Brésil, réunissant d’éminents spécialistes de cette question, lors d’un colloque international, réalisé à la Sorbonne en octobre 2009. Ce volume réunit une grande partie des communications présentées à cette occasion, visant à reconsidérer les spécificités du futurisme dans l’espace lusophone, tout en examinant ses prolongements, ses enjeux, ses ambivalences et ses contradictions. Les études ici proposées s’intéressent à la contextualisation des productions nationales dans le cadre des courants esthétiques avant-gardistes européens des premières décennies du XXe siècle, ainsi qu’à l’analyse minutieuse des différentes manifestations esthétiques et intellectuelles, dans un esprit d’ouverture pluridisciplinaire, attentif aussi à la littérature qu’à la peinture, au cinéma et à la musique.

Assistez à la présentation de cet ouvrage réalisée par Maria Graciete Besse (Université de Paris-Sorbonne) et Fernando Paixão ( IEB- Univesidade de São Paulo) le 17 novembre 2011 à la Maison du Portugal de la Cité Universitaire de Paris.  Cliquez ici pour la vidéo.

Sommaire
I-                    Reflets futuristes au Portugal
« Futurisme et décadence : Pessoa, Almada, Sá-Carneiro ». Fernando Cabral-Martins
« Mario de Sá-Carneiro et le futurisme ». Clara Rocha
« Vertiginisme et le futurisme praclétien chez Raul Leal ». José Salgado
« Futurisme, peinture et occultisme chez Raul Leal ». Pedro Martins
« Influences parisiennes sur les « ismos » de la génération d’Orpheu ». Albertina Pereira Ruivo
« Pessoa, Orpheu et le Modernisme de Coimbra ». Anibal Frias.
« Poétisation de la modernité chez Álvaro de Campos ». Maria Araújo da Silva
« Álvaro de Campos : pour un modernisme sexuel ». Fernando Curopos
« Le manifeste littéraire et la cohérence carnavalisée du discours moderniste portugais et brésilien ». Dionísio Vila Maior

II-                  Trajectoires avant-gardiste au Brésil
« Contra os cabelos curtos : le retour de l’ordre marinettien ». Silvia Contarini
« Entre la machine et la paresse : le paradoxe de Macunaíma ». Eliane Robert Moraes
« Le film Macunaíma : l’avant-garde des rapports de genre ? » Alberto da Silva
« Un flirt d’Oswald de Andrade avec le Futurisme : la joyeuse destruction de João Miramar ». Fernando Paixão
« Le Modernisme brésilien et le fantasme futuriste : le cas Plínio Salgado ». José Leonardo Tonus
« C’est du futurisme, ma chère : l’impact du modernisme sur la société brésilienne au début du XXème sicèle ». Adriana Coelho Florent





 CONVIVIUM  LUSOPHONE
18 bis, avenue Philippe Auguste
75011  Paris
Tel : o6 12 80 73 29




Regardez les interviews du poète Fernando Paixão et du professeur Eliane Robert Moraes pour le blog Estudos Lusofonos en cliquant sur les liens ci-dessous : 



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Autoria,experiência e aportes críticos rasurados


Alcoolicas, Hilda Hilst ( trecho original com rasuras e anotações)
fonte : http://www.hildahilst.com.br/
 Autoria,experiência e aportes críticos rasurados

IV Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea

Brasília – Universidade de Brasília – 25 a 27 de junho de 2012
Local: Auditório 1 do Instituto de Ciências Biológicas

Coordenação: Profª. Drª. Regina Dalcastagnè e Prof. Dr. José Leonardo Tonus

Comissão científica:
Profª. Drª. Maria Isabel Edom Pires (UnB)
Prof. Dr. Paulo C. Thomaz (UnB)
Profª. Drª. Virgínia Vasconcelos Leal (UnB)
Prof. Dr. Anderson Luís Nunes da Mata (UnB)
Organização: Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea
Apoio: Programa de Pós-Graduação em Literatura e Departamento de Teoria Literária e Literaturas da UnB

O IV Simpósio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea dá continuidade aos trabalhos de pesquisa realizados pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea acerca das relações entre literatura e sociedade, os procedimentos de representação e autorrepresentação de grupos marginalizados e a emergência de novos parâmetros críticos. Ao reunir professores, pesquisadores, doutorandos e mestrandos de diferentes instituições nacionais e internacionais, o encontro se constitui em um espaço propício para discutir aspectos relevantes do cenário literário nacional contemporâneo, especialmente no que diz respeito ao silenciamento de aportes críticos, práticas e experiências literárias. O estatuto do escritor face aos mecanismos de profissionalização e de internacionalização, a instrumentalização e a mediação da voz autoral, procedimentos de legitimação e exclusão de experiências literárias, rasuras e balizas críticas serão alguns dos temas debatidos ao longo deste Simpósio.

PROGRAMAÇÃO

Dia 25/6

8h30
MESA 1
Insulamento e literatura: em busca de definições
Gabriel Albuquerque (UFAM)
Debatedora: Regina Dalcastagnè

O escritor como mediador: estátua de sal?
Stefania Chiarelli (UFF)
Debatedora: Carmen Villarino Pardo

Profissionalização do escritor e processos de internacionalização da literatura brasileira atual
Carmen Villarino Pardo (Universidade de Santiago de Compostela)
Debatedor: Maria Isabel Edom Pires

Mediação: Virgínia Maria Vasconcelos Leal

10h30
MESA2
Resistência e intervenção no campo literário: o caso Edith
Anderson Luís Nunes da Mata (UnB)
Debatedora: Leila Lehnen

Academia, militância e criação literária: a produção de Lúcia Facco
Virgínia Maria Vasconcelos Leal (UnB)
Debatedora: Luciene Azevedo

Mediação: Stefania Chiarelli

14h30
MESA 3
Uma estética do desconforto: autoria e crise na representação
Regina Dalcastagnè (UnB)
Debatedor: Ricardo Barberena

Entre gambiarras e deslocamentos: assinado Marcelo Mirisola
Luciene Azevedo (UFBA)
Debatedor: Paulo C. Thomaz

Mediação: Lúcia Osana Zolin

MESA 4
16h
4 por 3$: A pulp fiction brasileira e o fetiche da polpa
Ricardo Barberena (PUC-RS)
Debatedora: Cíntia Schwantes

Os traços do literário no discurso historiográfico contemporâneo: o relato oral de sonhos como vestígios da experiência histórica
Paulo C. Thomaz (UnB)
Debatedora:Lúcia Osana Zolin

Mediação:Luciene Azevedo


19h
LANÇAMENTOS –  no restaurante Carpe Diem (104 Sul)
Lançamento do nº 39 da revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, do livro Deus, amor e morte, de Gabriel Albuquerque, do livro  Deslocamentos da escritora brasileira, organizado por Lúcia Osana Zolin, do livro sobre quadrinhos, organizado por Regina Dalcastagnè


Dia 26/6

8h30
MESA 5
Experiências e artefatos da exogenia  no romance brasileiro contemporâneo
José Leonardo Tonus (Universidade Paris Sorbonne – Paris IV)
Debatedor: Anderson Luís Nunes da Mata

Em viagem: sobre outras paisagens e experiências narrativas no romance contemporâneo
Maria Isabel Edom Pires (UnB)
Debatedor: Gabriel Albuquerque

Algum lugar, nenhum lugar: deslocamentos globais em Algum lugar, de Paloma Vidal, e em Azul corvo, de Adriana Lisboa
Leila Lehnen (Universidade do Novo México –EUA)
Debatedora: Virgínia Maria Vasconcelos Leal

Mediação:Paulo C. Thomaz

10h30
MESA 6
Um paradigma diferente para a formação feminina: Azul corvo e Fifth of March
Cíntia Schwantes (UnB)
Debatedora:Stefania Chiarelli

Aportes teóricos rasurados: a crítica literária feminista
Lúcia Osana Zolin (UEM)
Debatedor: José Leonardo Tonus

Mediação: Anderson Luís Nunes da Mata

15h00 – Reunião de trabalho



Dia 27/6

8h30 – 10h
MESA 7
Historiografias possíveis: autoria, campo, cânone, cordel, crítica literária e gênero
Bruna Paiva de Lucena (doutoranda, UnB)

Poéticas do deslocamento: representações de identidades femininas no Bildungsroman de autoria feminina contemporâneo
Wilma Coqueiro (doutoranda, UEM)

Entre muros e abrigos: corpos narrados em três casos da literatura brasileira contemporânea
Edma Cristina de Góis (doutoranda, UnB)

Mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira: gêneros em cena
Lígia de Amorim Neves (mestranda, UEM)

Mediação: Laeticia Jensen Eble

10h15 – 12h
MESA 8

Autores brasileiros publicados na Espanha entre 2000 e 2010
Luciana Guedes (doutoranda, Universidade de Santiago de Compostela)

“Branca para casar, mulata para f... e negra para trabalhar”: relações afetivo-amorosas de mulheres negras no romance e no rap brasileiros contemporâneos
Andressa Marques (mestranda, UnB)

Uma quebrada que fala, uma periferia que se escreve: literatura e movimento hip-hop
Laeticia Jensen Eble (doutoranda, UnB)

"Homem na estrada": percursos do narrador dos Racionais MC´S
Danilo Oliveira (mestrando, UnB)

Mediação: Bruna Paiva de Lucena

MESA 9
14h30 – 16h
Figurações do gesto literário: o escritor-personagem na narrativa brasileira contemporânea
Igor Ximenes Graciano (doutorando, UFF)

Outsiders: os personagens de João Gilberto Noll e Bernardo Carvalho
Carlos Henrique Vieira (graduando, UNIFESP)

O problema migratório brasileiro em Inferno Provisório, de Luiz Ruffato
Gabriel Estides Delgado (mestrando, UnB)

Estrangeiros na cidade ilhada de Hatoum
Maria Arantes Vasconcelos (mestranda, UnB)

Mediação: Ludimila Moreira Menezes

MESA 10
16h15 – 18h

Crescer nas margens: uma análise da trajetória das meninas em Lucy, de Jamaica Kincaid, Mulheres de Tijucopapo, de Marilene Felinto, Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, Purple Hibiscus, de Chimamanda Adichie, e The Bluest Eye, de Tony Morrison
Lorena Santos (doutoranda, UnB)

Capturas e tensões: representação da doença na literatura brasileira e francesa contemporâneas
Ludimila Moreira Menezes (doutoranda, UnB)

Formas (d)e tensões no OuLiPo e no concretismo: um estudo de La disparition, de Georges Perec, e de Galáxias, de Haroldo de Campos
Vinícius Carneiro (doutorando, PUC-RS)

O personagem e sua identidade numa narrativa que se expande através das mídias
Camila Gonzzato (doutoranda, PUC-RS)

Mediação: Igor Ximenes Graciano