quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um dedo de prosa com Arthur Dapieve


Um dedo de prosa com Arthur Dapieve

 Num primeiro momento, o escritor Arthur Dapieve  evoca o seu percurso literário e o seu trabalho enquanto jornalista e critico musical. Acesse o vídeo aqui.

Num segundo vídeo, Dapieve fala do seu ultimo  romance Black Music que, segundo ele, encena a violência do Rio de Janeira mediante uma nova clave estética contraria aos modismos hiperrealistas . Clique aqui e assista ao video.

Na última parte da entrevista, o escritor sublinha sua admiração pelo universo romanesco de Milton Hatoum, em sua opinião, um dos melhores escritores brasileiros do século XX.  Dapieve comenta o  romance Dois Irmãos e fala da universalidade dos temas aqui abordados. Veja o video  neste link.

Assistam à intervenção de Arthur Dapieve no encontro “A jovem literatura brasileira” realizado na Universidade da Sorbonne em Março de 2012.
Consultem  o link aqui.

Vejam a participação de Arthur Dapieve no Salão do Livro em Paris de 2012. 
O encontro foi organizado pela Embaixada do Brasil na França e contou com a participação do  Professor Leonardo Tonus da Universidade da Sorbonne.

Black music

            EU CANTO EM PORTUGUÊS ERRADO. ACHO QUE O IMPERFEITO NÃO PARTICIPA DO PASSADO. TROCO AS PESSOAS. TROCO OS PRONOMES. EU VOU TE DIZER UMA COISA PRA VOCÊ, NA MORAL: NÃO ENTENDO DIREITO O QUE ESSE TROÇO QUER DIZER, LARGUEI A ESCOLA CEDO. SÓ ENTENDO A PARTE DE CANTAR EM PORTUGUÊS ERRADO, PORQUE EU FALO EM PORTUGUÊS ERRADO MESMO, MAS ACHEI TUDO BONITO DESDE QUE OUVI A MÚSICA NO RÁDIO PELA PRIMEIRA VEZ. ELA É DAQUELE SUJEITO DE ÓCULOS QUE MORREU DE AIDS QUANDO EU AINDA ERA CRIANÇA E NÃO ME PREOCUPAVA COM NADA. AQUELA MÚSICA EM QUE ELE FALA QUE GOSTA DE MENINOS E MENINAS. EU NÃO. EU SÓ GOSTO DE MENINOS SÓ. MAS EU GOSTO É MUITO. PRECISO ATÉ SEGURAR A MINHA ONDA, PORQUE AGORA SOU MULHER DO HE-MAN. EU, A ELISÂNGELA E A CARLA CRISTINA. AO MENOS NÓS, NÉ? COM HOMEM NUNCA SE SABE. ELE PODE SE METER EM QUALQUER BURACO, AINDA MAIS SENDO DONO DO MORRO. MAS EU NÃO RECLAMO. NO MÁXIMO, TOCO UMA SIRIRICA ESCONDIDA, PENSANDO NOUTRA PESSOA. PORQUE DAR DE VERDADE PRA ESSA OUTRA PESSOA IA SER A MESMA COISA QUE DENUNCIAR A PESSOA COMO X-9 DA PM. MORTE CERTA PRA ELE. TALVEZ ATÉ PRA MIM. ENTÃO, MEU QUERIDO, EU FICO NA MÃO. E EU NÃO RECLAMO NÃO.

Arthur Dapieve (Rio de Janeiro, 1963) é jornalista, escritor, professor de jornalismo da PUC-Rio e Mestre em Comunicação Social. Desde 1993, assina uma coluna semanal no jornal O Globo. Antes, trabalhou em veículos como Jornal do Brasil, revista Veja Rio, site No mínimo e O Globo, como editor. Frequentemente, atua como comentarista de música e futebol – duas de suas especialidades – em programas de TV. Junto com Marcelo Madureira, apresentou o programa de humor Sem controle, no canal GNT.
Desde jovem, Dapieve já era fascinado por autores como Albert Camus e John Fante e desejava, um dia, escrever ficção. A estréia foi em 2004, com De cada amor tu herdarás só o cinismo. O romance trata de um publicitário quarentão que se apaixona pela estagiária. O caso arrebatador, embalado por muito rock’n roll, aos poucos se transforma numa melancólica história de amor. No segundo romance, Black music, de 2009, um seqüestro aproxima um menino americano, um traficante de 17 anos e uma de suas namoradas. Dessa relação alimentada por sexo, música (jazz, rap e funk), violência e sonhos ameaçados, emerge um lirismo contundente.
Repleto de referências literárias e musicais – que lembram o americano Lester Bangs e o inglês Nick Hornby – Dapieve mistura, com raro talento, profundidade e humor, erudição e pegada pop. Entre as obras de não-ficção do autor estão um perfil de Renato Russo, uma compilação de crônicas, um livro de referência sobre o rock brasileiro dos anos 80 e um ensaio sobre o suicídio. 
Fonte : Agência Riff

Black music
            La langue que je parle, plutôt que je chante, elle est pas correcte. Je comprends pas porquoi l’imparfait c’est du passé. Je confonds la conjugaison, les pronoms. Tu sais je vais te dire um truc, sérieux: je comprends pas vraiment la grammaire. J’ai lâché l’école trop tôt. Le portugais pas correct je comprends bien, ça oui parce que c’est aussi comme ça je parle. Pas vraiment comme il faut. Mais attention, la langue correcte je l’ai trouvée belle quand je l’ai écoutée à la radio pour la première fois. Tu sais, c’était la chanson de ce gars avec des lunettes, mort du sida quando j’étais encore toute gosse et je m’inquiétais de rien. Dans cette chanson, le gars disait qu’il aime les garçons et aussi les filles. Moi pas. Moi j’aime que les garçons. J’aime beaucoup les garçons. Mais je dois me contrôler, parce que je suis la femme de Musclor. Moi, Elisângela et Carla Christina. Au moins on est que trois, pas vrai? Ave les mecs, tu peux jamais savoir. Un boss de la favela peut se payer n’importe quel trou. Mais je me plains pas. Limite je me touche em cachette en pensant à um autre. Donner ma chatte em vrai à um autre, ce serait pareil que balancer aux flics, comme les X-9. Pour eux, c’est la mort direct. Pour moi aussi ça pourrait se terminer comme ça, peut-être. Alors tu vois chéri je me sers de mes doigts. J’ai pas à me plaindre, non.
Traduction de Philippe Poncet


Né à Rio de Janeiro, Arthur Dapieve est journaliste, écrivain et professeur à l'Université Catholique de Rio de Janeiro. Depuis 1993, il tient la rubrique culturelle hebdomadaire du journal O Globo et a écrit de nombreux essais sur le rock brésilienne dont une étude sur le groupe « Os paralamas do sucesso » et la biographie  du chanteur Renato Russo.  Il  publie son premier roman en 2004 ( De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo) et en 2009 Black Music. Dans ce roman, l’auteur évoque la violence cotidiennne des habitants d’une favela à Rio de Janeiro. Tout commence lorsque, par erreur, un jeune américain noir, passionné de Jazz et de Basket, est kidnappé, en plein centre de Rio pendan les fêtes de Saint Judas Thadée par un gang portant des masques de Ben Laden. Après un prologue où le narrateur pose le décor, se succèdente trois chapitres au cours desquels chaque personnage raconte et expose leur vision des faits : Maicom croit être kidnappé par un gang de terroristes du mouvement de l’Al-caïda ; Muclor, le chef du gand,  rêve de devenir un rappeur connu et Jo, sa petit-amie, évoque son amour pour le funk. C’est dans cet huis-clos, angoissant, au rythme des tentatives de prise de pouvoir entre gangs rivaux et des balles perdues sifflant de toute part, que ce roman à trois voix évoque l’univers cruel et dépourvu d’espoir des favelas.


Alguns links....quelques liens
  • Arthur Dapieve fala de sua paixão pelo romance de estreia do americano John Fante, Pergunte ao Pó.
  • “Arthur Dapieve, no ritmo das palavras”. Entrevista ao “SaraivaConteúdo” (28/10/2010).http://www.youtube.com/watch?v=CHrdejk2Qsc
  • Programa Jô Soares com Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura (27/07/2010). Três partes:
  • Entrevista a Sidney Rezende. (2/11/2006) - Duas partes:
  • “A difícil arte de viver em sociedade” por Luis Eduardo Matta ( 02/11/2004)
  • Blog Mystère Jazz ( en français)
  • Blog black novel ( en français)



Obra
Romances
De Cada Amor Tu Herdarás Só o Cinismo (221 págs.) - 2004, Objetiva
Black Music (116 págs.) - 2008, Objetiva

Contos & Crônicas
Miúdos Metafísicos (234 págs.) – 1999, TopBooks

Ensaios, História, Biografias
BRock – O rock brasileiro dos anos 80 (223 págs.) – 1995, Editora 34
Guia de rock em CD / co-autor: Luiz Henrique Romanholli (339 págs.) – 2000, Zahar
Renato Russo - O trovador solitário (188 págs.) - 2000 / 2006, Ediouro
Os Paralamas do Sucesso / com fotos de Mauricio Valladares e comentários de Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone (235 págs.) – 2006, Senac Rio e Jaboticaba
Morreu na contramão: o suicídio como notícia (191 págs.) – 2007, Zahar
300 discos importantes da música brasileira / co-autores: Tárik de Souza e Carlos Calado (435 págs.) – 2008, Paz e Terra
Conversa sobre o tempo / com Zuenir Ventura e Luis Fernando Verissimo (254 págs.) – 2010, Agir

Infantil & Juvenil
A morte explicada aos meus filhos  - (no prelo), Agir

Humor
Manual do Mané / co-autores: Gustavo Poli e Sérgio Rodrigues (124 págs.) – 2003, Planeta

Edições Estrangeiras
França: Black Music – 2012, Asphalte
Portugal: De cada amor tu herdarás só o cinismo – 2009, Quetzal
Portugal: Black Music – 2010, Quetzal

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