terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um dedo de prosa com Marcio Souza


Um dedo de prosa com Marcio Souza
Está no ar mais um episódio da série « Um dedo de prosa », realizado pela equipe do Blog Estudos Lusófonos. Desta vez o entrevistado é o escritor Márcio Souza que conversa sobre seu percurso literário desde a publicação do romance Galvez, Imperador do Acre em 1976. O escritor fala, igualmente,  do seu atual projeto em torno de uma tetralogia sobre a história do Grão-Pará.  Márcio Souza num último video faz uma homenagem ao poeta e músico amazonense Aldilsio Filgueiras. 

Assistam aos videos : 

Percurso Literario : Percurso e projetos
Tetralogia e o Grão-Para : Tetralogia
Marcio e Aldisio : Aldisio Filgueiras





Percurso biográfico

Márcio Gonçalves Bentes de Souza (Manaus, 1946) é romancista, ensaísta, dramaturgo, cineasta e jornalista. As suas obras, inseridas no ambiente sociocultural da Amazônia, conjugam fantasia e realidade num estilo vivo, sempre inteligente e divertido, por vezes farsesco ou absurdo. Aos 14 anos, começou a trabalhar como crítico de cinema no jornal O Trabalhista. No início de sua carreira queria ser diretor de cinema mas preferiu  escrever do que passar pela «intensa carga emocional e de trabalho das 4-5 semanas de filmagem[1]» . Em 1965, assumiu a coordenação das edições do governo do Estado do Amazonas, mas logo, em seguida,  deixou Amazônia para estudar Ciências Sociais na Universidade de São Paulo. Perseguido pela ditadura militar, interrompeu seus estudos em 1969.  Regressou a Manaus três anos depois e entrou para o Teatro Experimental do Serviço Social do Comércio (Tesc/Sesc), grupo que tem uma visão crítica do processo histórico da Amazônia e discute temas ligados às culturas originárias dos povos indígenas. Em 1976, assumiu o cargo de diretor de planejamento da Fundação Cultural do Amazonas e publicou seu primeiro romance ( Galvez, Imperador do Acre) sobre a conquista do Acre pelo Brasil. O livro obteve grande sucesso de crítica e de vendas. Em 1983, mudou-se para o Rio de Janeiro por problemas com o governo do Estado do Amazonas. A seguir, escreveu 11 outros romances, dentre os quais Mad Maria (1980) que relata a construção da ferrovia Madeira-Mamoré entre 1907 e 1912, A ordem do dia (1983), uma paródia política com espionagem e suspense, O Fim do terceiro mundo (1990) romance satírico-fantástico. Márcio Souza presidiu a Fundação Nacional de Arte (Funarte) entre 1995 e 2002 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Mais recentemente, tem-se dedicado a uma tetralogia sobre os anos em que a antiga Província do Grão-Para, durante período colonial, era um Estado separado do Brasil. Três volumes já foram publicados : Lealdade (1997), Desordem (2001), Revolta (2005). O quarto, Derrota, é ainda inédito. Participou de muitos encontros internacionais de literatura e foi professor convidado da Universidade da California, Berkeley, escritor residente nas Universidade de Stanford e Austin, Texas. O autor gosta de se descrever como «um escritor dos leitores[2]» e faz «um esforço muito grande alcançar esse equilíbrio» entre fatos históricos, questãos sociais e políticas e questãos individuais e reflexivas[3].


Parcours biographique

Márcio Gonçalves Bentes de Souza (Manaus, 1946) est romancier, essayiste, dramaturge, cinéaste et journaliste. Inscrites dans le contexte socio-culturel d’Amazonie, ses oeuvres au style mordant, toujours intelligent et vivant, souvent satirique ou absurde, conjuguent fantastique et réalité. Dès l’âge de 14 ans, il signe des critiques de cinéma pour le journal O Trabalhista. Il aurait pu devenir réalisateur, mais a préféré l’écriture à «l’intensité de la charge émotionnelle» que requiert un tournage de quatre à cinq semaines. Après une brève expérience comme coordinateur des éditions du gouvernement de l’état d’Amazonas, il part étudier les Sciences Sociales à l’Université de São Paulo. En 1969, persécuté par la dictature militaire, il interrompt ses études et regagne Manaus trois ans plus tard. Il intègre le Teatro Experimental do Serviço Social do Comércio - Tesc/Sesc, une troupe ayant une vision critique du processus historique de la formation de l’Amazonie qui lutte pour la défense des cultures des peuples indigènes. En 1976, il prend la direction du projet de la Fundação Cultural do Amazonas (Fondation Culturelle d’Amazonie). La même année, son premier roman est publié : Galvez, Imperador do Acre (L’empereur d’Amazonie) est un trafiquant de caoutchouc qui se lance à la conquête du territoire de l’Acre. Le livre obtient un grand succès public et critique. Parmi les onze autres romans de l’auteur, on peut citer Mad Maria (1980) dont l’action se déroule en 1911 pendant la construction de la ligne de chemin de fer Madeira-Manoré à travers la forêt amazonienne, ou encore A ordem do dia (1983), farce politique mêlant espionnage et suspense. En raison de problèmes avec l’état d’Amazonas, il s’installe à Rio de Janeiro en 1983. En 1995, Márcio Souza est nommé à la tête de la Fundação Nacional de Arte (Funarte) et y restera pendant la présidence de Fernando Henrique Cardoso jusqu’en 2002. Il se consacre actuellement à l’écriture d’une tétralogie qui relate la lutte du Grão-Pará (aujourd’hui l’Amazonie) pour son indépendance à l’époque de la colonisation portugaise et de l’empire brésilien. Trois volumes sont déjà parus : Lealdade (1997), Desordem (2001), Revolta (2005) et le dernier, Derrota, est à paraître. Maintes fois convié à des rencontres littéraires internationales, l’auteur a été reçu comme professeur par l’Université de Berkeley et accueilli en résidence d’écrivains à l’Université de Stanford. Il dit écrire «pour les lecteurs» et s’efforce de trouver le juste équilibre entre faits historiques, questions sociales et politiques, entre approche réflexive et individuelle.

Parcours biographique et traduction réalisés par Catherine Charmant-Leber, membre de l’Equipe du Blog Estudos Lusófonos

Augusto Pampolha Veloso, Marcio Souza e Prof. Lenardo Tonus
Encontro realizado na Universidade da Sorbonne
Dezembro/ 2011
Nossos agradecimentos a Augusto Pampolha Veloso pela leitura dos textos de Marcio Souza durante o encontro  realizado na Universidade da Sorbonne em Dezembro de 2011. Agradecemos, igualmente, a Dominique Stoenesco pelas fotografias cedidas ao Blog Estudos Lusofonos.


[1] Cadernos de literatura brasileira, n° 19, Dezembro 2005, p. 27.
[2] Op. cit., p. 38.
[3] Ibid. p. 48.


Liens…links



Vídeos

Programa Jogo de Ideias ( Itaú Cultural) , dirigido e apresentado pelo jornalista Claudiney Ferreira.  6ª edição do Fórum das Letras de Ouro Preto, em 2010.

Programa  Cultura e Pensamento, Belém, de 25 a 27 de outubro de 2010.


Textos do autor

« Amazônia e modernidade ». in : Revista de Estudos Avançados, vol.16 no.45 São Paulo May/Aug. 2002

“Afinal quem é mais modern neste país?” in : Revista de Estudos Avançados, vol.19 no.53 São Paulo Jan./Apr. 2005

« A literatura no Amazonas : as letras na pátria dos mitos », in :Poligramas,  No. 29, Universidad del Valle, Cali, 2008.

Estudos, Artigos e Teses

Enciclopédia Itaú Cultural literature Brasileira

Carlos Alexandre Baumgarten. “O novo romance histórico brasileiro”, in : Revista Via Atlântica, outros ensaios. n. 4, p. 168-,  Paulo, Out/2000

Luiz Guilherme Fernandes da Costa Sakai e Geruza Zelnys de Almeida, “O cine-folhetim em Galvez, imperador do Acre, de Márcio Souza”in : Todas as Musas,  Ano 02 Número 01 Jul-Dez 2010

Renato Otero da Silva Júnior. Galvez Imperador do Acre : O discurso do romance e a ficcionalização da história. Dissertação de Mestrado,  Universidade Federal do Rio Grande, 2006.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Brasil de Dilma Russeff: mulheres no poder?


« O Brasil de Dilma Russeff: mulheres no poder? »

 Conférence par le Professeur

Luis Felipe Miguel
(Instituto de Ciência Política/Universidade de Brasília)

le mercredi 11 janvier 2012
salle 22  de 14h00 à 15h30

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 PARIS


Do ponto de vista da presença política das mulheres, as eleições brasileiras de 2010 deixaram um saldo ambíguo. Foi eleita a primeira presidente da história e, no primeiro turno, duas candidatas do sexo feminino receberam 7 em cada 10 votos válidos – feitos que, dez anos antes, seriam inimagináveis. Por outro lado, foram eleitas apenas 45 deputadas federais, isto é, menos de 10% da Câmara, quantidade menor do que nas eleições anteriores. Também foram somente duas governadoras eleitas, contra quatro em 2006. As governadoras eleitas em 2010 são a filha e a nora de ex-governadores, isto é, ambas representantes da “velha” forma familiar de acesso das mulheres à política, ao passo que, em 2006, Ieda Crusius e Ana Júlia Carepa sinalizavam a “nova” forma de ingresso, por meio da atuação profissional e em movimentos sociais. Na montagem da equipe ministerial, as pressões partidárias impediram que a nova presidente cumprisse a modesta meta, auto-atribuída, de um terço de mulheres no primeiro escalão. No segundo escalão, o novo governo manteve uma proporção de mulheres ligeiramente inferior à que havia antes, mal ultrapassando o 20%. Além disso, a vitória de Dilma Rousseff cobrou um preço. Desde antes do início da campanha eleitoral, houve a busca deliberada de “suavização” da imagem pública da futura presidente, isto é, de adequação aos estereótipos predominantes, o que incluiu tanto cirurgias plásticas quanto o relevo concedido a suas pretensas características maternais. Mas houve, sobretudo, o triunfo de uma agenda refratária aos direitos das mulheres. A partir do final da campanha do primeiro turno, os candidatos conservadores associaram-se a uma investida religiosa, que impôs uma agenda retrógrada e anatematizou a luta pelos direitos das mulheres, assim como dos homossexuais. Dilma Rousseff viu-se, assim, constrangida a apresentar concessões e a recuar em relação a posições anteriores.

Tendências e (não)lugares na Literatura Brasileira do século XXI

Regina Silveira, Biscoito ARTE, 1976

Conférence par le Professeur

Ricardo Araújo Barberena
( Pontifícia Universidade Católica/ RS)


Tendências e (não)lugares na Literatura Brasileira do século XXI

le mercredi 04 janvier 2012
salle 14  à 11h00

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 PARIS

A presente conferência busca problematizar os deslocamentos identitários de uma paisagem cultural latino-americana atravessada por plurais processos de afiliação simbólica e afetiva. Nesse sentido, a última década tem-se mostrado especialmente significativa no que se refere à disseminação de escrituras pontuadas por sujeitos-margem, interditados por um ser/estar em migrância e travessia. Como elemento-chave nesse processo de reivindicação de uma identidade nacional descentrada, as narrativas literária contemporâneas introduzem um arcabouço imagético que aponta para confluências identitárias inscritas num contracânone em dissonância em relação aos emblemas de uma cultura nacional unificada. Se admitirmos que essas narrativas se articulam sob uma diversidade cultural que é parte atuante nas diferentes instâncias político-simbólicas, cabe, então, levantar um outro ponto de discussão: qual é a figura de nação que emerge das representações propostas pelo texto/tecido. De imediato, propomos uma resposta: desenha-se uma nação sob a rubrica da travessia. Em incessantes deslocamentos, deflagra-se a constante migração de uma identidade nacional que não pode ser resumida em posições estáveis que essencializem os valores e os significados de uma brasilidade. Afinal, dentre esse manancial diegético e imagético, ecoa uma erosão interna pronunciada através de uma política representacional que se mostra aberta ao reconhecimento das minorias sociais. E aí se desencadeia a travessia entre o “lá e o cá”, o arquivo-olvidado e o rosto renascido. Poderíamos, por conseqüência, apregoar uma hermenêutica da errância: um deslocamento mítico-simbólico que se aproxima do porvir da própria linguagem. Mas essa nação que se move através da sua diferença cultural não deve ser confundida como uma forma de absolutizar a alteridade por intermédio de um aglomerado pluralista e apolítico.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Séminaire sur José Saramago


Heterodoxias ficcionais e historiográficas no romance saramaguiano: o desejo e a morte em História do Cerco de Lisboa e As Intermitências da Morte

Conférence par Mme la Professeure Cristina Vieira
Université de Beira Interior

Le mercredi 14 décembre 2011
14h-16h/ Salle 22

Institut Hispanique
31 rue Gay-Lussac
75005 Paris

Tendo por título “Heterodoxias ficcionais e historiográficas no romance saramaguiano: o desejo e a morte em História do Cerco de Lisboa e As Intermitências da Morte”, esta comunicação centra-se em dois conhecidos romances, mas distanciados no tempo, de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura 1998, conhecido por escrever e pensar a realidade de formas ousadas e inesperadas, ou seja, heterodoxas. O desejo e a morte, termos que ecoam o binómio clássico eros / thanatós, não poderiam escapar ao olhar atento deste romancista, até pelos impactos sociais e políticos que os mesmos envolvem, sendo a sociedade e a política áreas ideológicas em que Saramago se envolve na sua escrita.
A análise intertextual dos romances História do Cerco de Lisboa (1989) e As Intermitências da Morte (2005), de José Saramago, permitem uma abordagem da relação História / ficção que se pauta pela heterodoxia a vários níveis, sendo nosso foco de atenção a ficcionalização da morte, o que passa pela análise de três aspectos, a saber: o modo como a morte está presente nestas duas narrativas, na História e na historiografia (muito particularmente no caso militar de um cerco); a forma de retratar o(s) desejo(s); e os diferentes elos entre a morte e o desejo nos dois romances. Estas são as três grandes linhas desta comunicação, que têm, todavia, como linhas de fuga dois vectores basilares: a problematização do que é transformar o passado em História e a relação paradoxal do Homem com a morte e com o desejo.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um dedo de prosa com Ronaldo Cagiano


Um dedo de prosa com Ronaldo Cagiano

Assistam ao depoimento que Ronaldo Cagiano concedeu ao Blog Estudos Lusofonos e no qual ele homenageia os escritores João Antonio, Samuel Rawet e Augusto Roa Bastos. 

Ronaldo Cagiano lê e comenta o seu conto "À Maneira de João Antônio e Samuel Rawet"  : Samuel Rawet e João Antonio

Ronaldo Cagiano lê um trecho de Eu o Supremo de Augusto Roa Bastos : Augusto Roa Bastos


Parcours littéraire..percurso literário

Né à Cataguazes, Ronaldo Cagiano a vécu à Brasília pendant 28 ans où il a étudié le droit. Actuellement il vit à São Paulo. Livres publiés : Palavra Engajada (poésie, SP, 1989),Colheita Amarga & Outras Angústias (poésia, SP, 1990), Exílio (poésie, SP, 1990), Palavracesa (poésie, Brasília, 1994), O Prazer da Leitura, em parceria com Jacinto Guerra (contes pour la jeunesse, Brasília, 1997), Prismas – Literatura e Outros Temas (critique littéraire, Brasília, 1997). Canção dentro da noite (poésie, Brasília, 1999), Espelho, espelho meu (littérature pour la jeunese, en collaboration avec Joilson Portocalvo,  Brasília, 2000), Dezembro indigesto (nouvelles, Prix Bolsa Brasília de Produção Literária 2001), Concerto para arranha-céus (nouvelles, LG, DF, 2005) et Dicionário de pequenas solidões (nouvelles, Língua Geral, Rio, 2006). Il a organisé les anthologies Poetas Mineiros em Brasília (Varanda Edições, DF,  2002), Antologia do conto brasiliense (2003, Projecto Editorial, DF) et Todas as gerações – conto brasiliense contemporâneo  (LGE, Brasília, 2006).

Nasceu em Cataguases (MG), viveu 28 anos em Brasília, onde formou-se em Direito. Atualmente mora em São Paulo. Livros publicados:  Palavra Engajada (Poesia, SP, 1989),Colheita Amarga & Outras Angústias (poesia, SP, 1990), Exílio (poesia, SP, 1990), Palavracesa (poesia, Brasília, 1994), O Prazer da Leitura, em parceria com Jacinto Guerra (contos juvenis, Brasília, 1997), Prismas – Literatura e Outros Temas (crítica literária, Brasília, 1997). Canção dentro da noite (poesia, Brasília, 1999), Espelho, espelho meu (infanto-juvenil, em parceria com Joilson Portocalvo,  Brasília, 2000), Dezembro indigesto (contos, vencedor do Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária 2001), Concerto para arranha-céus (contos, LG, DF, 2005) e Dicionário de pequenas solidões (contos, Língua Geral, Rio, 2006). Organizou as coletâneas Poetas Mineiros em Brasília (Varanda Edições, DF,  2002), Antologia do conto brasiliense (2003, Projecto Editorial, DF) e Todas as gerações – conto brasiliense contemporâneo  (LGE, Brasília, 2006).

Quelques liens...alguns links

Jornal de Poesia

Textos de Ronaldo Cagiano no site Germinaliteratura

Poemas de Ronaldo Cagiano no site Antonio Miranda

“A nova poesia argentina” por Ronaldo Cagiano ( Junho de 2011)

“A poética dos silêncios”, por Ronaldo Cagiano ( Junho de 2011)

Coluna de Ronaldo Cagiano na Revista Bula

Resenhas de Ronaldo Cagiano para o site Verdes Trigos

Resenhas de Ronaldo Gagiano para o site Cronópios

Trecho do livro  Dicionário de pequenas solidões

Entrevista de Ronaldo Cagiano a Rodrigo de Souza Leão ( 2005)

Resenha sobre o livro O sol nas feridas para o jornal Correio Braziliense, (30/09/2011)

Entrevista para UNESP

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Contes du quotidien


Contes du quotidien

Conférence de Wilma SCHIESARI-LEGRIS

auteure de Crônicas e Contos Cruéis, Ed.Luna, S.Paulo, 2011

Le mercredi 14 décembre 2011

10h30, salle 22

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 Paris

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A poética de Maria Teresa Horta : a linguagem como pele


A poética de Maria Teresa Horta : a linguagem como pele

Conférence par Madame le Professeur Ida Alves

Spécialiste de Littérature Portugaise à l’UFF (Universidade Federal Fulminense, Rio de Janeiro), chercheur du CNPq,  boursière de la CAPES (post-doc à l’Université de Paris III)

Le 13 décembre 17h30, salle 22

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 Paris

Em 2010, Maria Teresa Horta completou cinquenta anos de produção poética, sempre fiel às questões estéticas e políticas que sustentam sua realidade de mulher, cidadã, jornalista e escritora. Constituiu, desde seu primeiro livro de poesia publicado em 1960, Espelho Inicial, uma trajetória emblemática em termos de luta contra o cerceamento da liberdade do corpo e da palavra. Figura indubitavelmente histórica no panorama do movimento feminista português, sua obra, em direções diversas como jornalismo, romance e poesia, deve ser examinada como um testemunho do tempo opressivo que lhe coube viver e como gesto  de luta e de liberdade que continua a sustentar nos livros mais recentes, já agora numa sociedade portuguesa com novos contornos e novas demandas sociais, políticas e culturais. Embora esse perfil feminista possa ser afirmado pelas práticas gerais de seu trabalho, destacaremos a poeta que fez da escrita um lugar de habitação. Trata-se de uma intensa relação entre o corpo que sente e a mão que escreve, sem cessar, um modo íntimo de experimentar a vida e as palavras. Em sua poética, a escrita é seu núcleo mais duro,  relação vital que lhe possibilita respirar e existir de forma plena.