segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Literatura Brasileira Contemporânea


SIMPÓSIO INTERNACIONAL

10, 11 e 12 de Janeiro de 2012

A LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Sem título, Elvira Vigna, 2011

                                                               Organizadores

Maria Graciete Besse (Université de Paris-Sorbonne)
José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne)
Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)


A LITERATURA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

Espaço onde se constroem e se validam representações do mundo social, a literatura constitui igualmente um dos principais terrenos de reprodução e perpetuação de estereótipos e preconceitos, muitas vezes camuflados no pretenso realismo das obras. Cientes disso, diferentes grupos identitários têm reivindicado, cada vez mais, lugar e voz nos espaços de enunciação de discursos, acentuando desta maneira a chamada crise na representação literária. No momento em que se agudiza a consciência de que o criador é socialmente situado, e de que tudo o que ele(a) produz traz as marcas dessa circunstância, a legitimidade de suas representações tornou-se passível de questionamento. Instalada a dúvida, abriram-se na contemporaneidade ranhuras em um sistema em geral bastante uníssono e refratário à presença de grupos sociais diferenciados,  sejam eles(as) constituidos por autores(as) ou suas personagens. São essas vozes, que se encontram nas margens do campo literário, essas vozes cuja legitimidade para produzir (ou mesmo ser objeto da) literatura é permanentemente posta em questão, que tensionam, com a sua presença, nosso entendimento do que é (ou deve ser) o literário. Ao reunir pesquisadores de diferentes instituições internacionais, o presente colóquio pretende questionar alguns dos problemas que se apresentam como relevantes no interior do conjunto literário brasileiro contemporâneo, especialmente no que diz respeito à presença, ao silenciamento e às formas de representação destes grupos sociais diferenciados. Neste sentido, ele dá continuidade aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pelo Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea da Universidade de Brasília e pelo Grupo de Estudos Lusófonos da Universidade Paris-Sorbonne (Paris IV) acerca das relações e imbricações entre o fazer literário e o mundo social.

PROGRAMA
Terça-Feira 10 de Janeiro - Maison du Brésil
           
 14h00h : Recepção dos participantes
            14h15 : Abertura do Simpósio por Sua Excelência José Maurício Bustani (Embaixador do Brasil na França – a confirmar), pelo Professor Sadi Lakhdari, diretor do CRIMIC e pela Professora Maria Graciete Besse, diretora do Departamento de Estudos Lusófonos.
            14h30 : Conferência inaugural: Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília): « Um território constestado : literatura brasileira contemporânea e as novas vozes sociais »

debate

            Margens e marginalidades

Moderador : José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne)

15h00 : Ricardo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) : «Narrativas terrivelmente [in]felizes: a letra-pólvora de Marçal Aquino e Ana Paula Maia»
15h20 : Paulo C. Thomaz (Universidade de Brasília): «A contemporaneidade in extremis : desolação e violência em Onze e em As iniciais de Bernardo Carvalho »
15h40 : Laeticia Jensen Eble (Universidade de Brasília):  «[Auto]biografias urbanas :  percursos possíveis pela literatura marginal»
16h00 : Vinícius Gonçalves Carneiro (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul): «A produção literária contemporânea: da literatura marginal a Lourenço Mutarelli»
Debate – Pausa café

Corpos alterados

Moderador : Fernando Curopos (Université de Paris-Sorbonne)

17h00 : Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela): «Literatura brasileira contemporânea : um produto para exportação»
17h20 : Camila Gonzatto da Silva (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul): «O Filho da mãe: da experiência ao livro»
17h40 : Susana Moreira de Lima ( Universidade de Brasília):  «Corpo e voz da mulher velha : um olhar a partir da literatura brasileira contemporânea»
18h00 Edma Cristina de Góis (Universidade de Brasília/ Universidade do Minho): «Donas dos próprios corpos ! Representação e resistência na literatura brasileira contemporânea»
Debate

18h30: Encontro com os escritores Elvira Vigna e Luiz Ruffato  
Moderadores : Regina Dalcastagnè, Maria Graciete Besse e José Leonardo Tonus
19H30 : Lançamento:
Fora do retrato: estudos de literatura brasileira contemporânea, Regina Dalcastagnè e Anderson Luís Nunes da Mata (orgs.)
Revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n° 38.



Quarta-feira 11 de Janeiro - Université Paris-Sorbonne/Maison de la Recherche
( salle des conférences - D035)

O campo literário no feminino

Moderadora : Maria Graciete Besse (Université de Paris-Sorbonne)

9h10 : Virgínia Maria Vasconcelos Leal (Universidade de Brasília): «Campo literário, identidade e gênero : [im]possíveis diálogos entre a Editora Malagueta e Elvira Vigna»  
9h30: Lúcia Osana Zolin ( Universidade Estadual de Maringá): «Escolher a inclusão? A personagem na pena das escritoras brasileiras/paranaenses contemporâneas »
9h50 : Claire Williams (University of Oxford): «Aspectos da Literatura Marginal de Autoria Feminina»
Debate – pausa café

Memórias estilhaçadas

Moderadora : Maria Araújo da Silva ( Université de Paris-Sorbonne)

10h40 : Maria Isabel Edom Pires (Universidade de Brasília): «O imigrante alemão no romance brasileiro da segunda metade do século XX »
11h00 : Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília): «Como vai a família? – As reconfigurações da instituição familiar no imaginário do romance brasileiro contemporâneo»
11h20 : José Leonardo Tonus (Université de Paris-Sorbonne): «O relato de [des]filiação e o romance brasileiro da década de 1980»

Debate - almoço

Quinta-feira 12 de Janeiro de  2012 –  Université de Paris-Sorbonne/Institut d’Etudes Ibériques ( salle 22)

Reuniões de trabalho reservadas aos palestrantes

10h00-13h00 : Preparação do IV° Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea (Brasília, Agosto de 2012) ; novos projetos de pesquisa e publicações conjuntas.
Pausa-almoço

14h30 – 17h30 : A cooperação franco-brasileira ;  editais ; cotutelas ; intercâmbio e acordos inter-universitários no âmbito do projeto de pesquisa.

Encerramento


Para baixar o programa completo do Simposio clique aqui : Programa Completo



Maison du  Brésil
7 L, boulevard Jourdan
74014 Paris
RER B : Cité Universitaire
Tramway T3 – Charlety
Bus 21 et 67 (Porte de Gentilly - terminus)

Université de Paris-Sorbonne
Maison de la Recherche
28, rue Serpente
75006 Paris
 Métro Odéon - lignes 4 ou 10 ou 
Saint-Michel - ligne 4 ou RER B/C

Université de Paris-Sorbonne
Institut d’Etudes Ibériques
31 rue Gay-Lussac
75005 Paris
 RER B Luxembourg
Bus 21






quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Rencontre avec l'écrivain Márcio Souza



Rencontre avec l’écrivain amazonien Márcio Souza, 
organisée par le Département d’études lusophones de l’Université de Paris-Sorbonne 


Le  Mardi 6 décembre de 17h30 à 19h30
Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac (salle 14)
75005 Paris

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nélida Piñon par Mickaël Carvalho




A língua portuguesa voou por cima dos mares,
Da Europa até a Àfrica
Da Europa até a Índia
Da Europa até ao Brasil.
Estabeleceu-se em todos os horizontes.

Sua expansão não teve limites.
Os cabos foram dobrados
Os mares foram ultrapassados,
As terras foram descobertas e conquistadas.

Os Navegadores deixaram uma língua que permaneceu,
Ao longo do tempo, ao longo do vento
Nos cincos continentes do mundo,
Ela foi, e é, e será... Vencedora do tempo.

Desse tempo que nos mata,
Desse tempo que não nos dá a liberdade de viver.
Desse tempo que ninguém pode controlar.
Esse tempo... A língua portuguesa venceu. 

A língua portuguesa é um feudo forte e lírico ao mesmo tempo; um barco que até hoje singra generoso o Atlântico, ora consolando Portugal, ora perturbando o Brasil, e, porque esta língua tem vocação marítima, entende bem os impropérios do vento, e mais do que qualquer outra se deixa levar pelos sentimentos.”
(Nélida Pinõn,  A Força do Destino)

Poème inspiré librement du roman A força do Destino de Nélida Piñon par Mickaël Almeida Carvalho, étudiant en 2ème année du cursus de Portugais de l’Université de Paris-Sorbonne, membre de l’équipe du Blog Estudos Lusófonos e coordinateur de la rubrique Entrevozes.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mémoires de Master 2011-2012


Mémoires de Master 2011-2012

Master 1

  • Ivy Michelino, « Le personnage transnational dans la fiction brésilienne contemporaine : une étude du roman Rakushisha d’Adriana Lisboa »
  • Aline Gianazzi Lino, « L’immigration et la ville São Paulo : une  lecture géocritique»
  • Carine Figueira, « Devoir et abus de mémoire : Diário da queda de Michel Laub »
  • Susana Dantas, « L’autofiction  dans l’œuvre de Cristóvão Tezza  »
  • Agathe Pereira,   « Pessah : A travessia de Carlor Heitor Cony et la dictature au Brésil»
  • Philippe Manaud, «  Histoire et fiction dans le roman O Nobre Sequestrador d’Antônio Torres»
  • Raquel dos Santos, « Le corps chez Paula Rego »
  • Claire Gomes, « Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco au cinéma »
  • Sylvie F.Cruz, « La traduction de la littérature portugaise en France »
  • Sarah Marques, « Livro de José Luis Peixoto »
  • Vanessa Carvalho, « A terra do Chiculate d’Isabel Mateus»
  • Augusto Pampolha Veloso, « La grande vedette au Brésil des années 50 : esthétique et poétique du corps dans l’art de Dercy Gonçalves »
  • Patricia Douieb, « L’altérité jésuitique au Brésil »
  • Yacine Bouzidi, « Le gouvernement Lula et les relations entre le Brésil et l’Afrique »
  • Marilyn Ferreira, « La condition des femmes sous l’Etat Nouveau »
  • Pedro da Silva, « L’Europe selon Eduardo Lourenço »
  • Ana de Lima Cordoval, “Construção da ponte entre a  Guiana Francesa e o Rio Oiapoque. Uma entrada na Europa na América do Sul via Guiana Francesa”
  • Nathalya Arnaud, « Le Kardecisme et l’œuvre de Chico Xavier »
  • Gerson Capamba, “O contexto historico-social em Nambuangongo de João Miranda”
  • Cassandra Abrantes, « La question de la catastrophe chez Saramago »

Master 2

  • Inês Marques, « Le vertige du féminin dans O Muro Branco, de Alves Redol »
  • Maria Beaussart, « Une lecture de Emigrantes, de Ferreira de Castro »
  • Maria Clélia Fagundes, « L’écriture littéraire de Chico Buarque »
  • Christelle Patricio, « Le tragique chez Gonçalo Tavares »
  • Monica da Cunha, « Le crépuscule de la Révolution des Œillets chez Urbano Tavares Rodrigues »
  • Catarina Pereira de Almeida,  « Le corps glorieux et sacrificiel chez V.Ferreira »
  • Maria Angelica Gaglione, « La poupée chez Monteiro Lobato »
  • Hortense Vigne, « Le « coronelismo »  dans Cacau de Jorge Amado »
  • Sara Pinto, «L’œuvre de Judith Teixeira»
  • Adelaide Fins, « La question éthique chez Lidia Jorge »
  • Catia Sever,  “Le mythe de Salomé dans O Milagre Segundo Salomé, de José Rodrigues Miguéis”
  • Patricia Flambert, » L’image du féminin dans Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago »
  • Georges Petrou, «L’écriture baroque de José Saramago dans Memorial do Convento»
  • Fabienne Louise Rose, « La question du mythe dans l’œuvre de Milton Hatoum »

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um dedo de prosa com Elvira Vigna



Um dedo de prosa com Elvira Vigna

Assistam ao belíssimo depoimento que a escritora Elvira Vigna concedeu à equipe do Blog Estudos Lusófonos no qual ela evoca e discute o papel do narrador face ao processo de espetacularização da escrita contemporânea. 
Para assistir à entrevista, cliquem no link : Entrevista de Elvira Vigna

A versão impressa do texto apresentado por Elvira Vigna ("Em busca de um narrador") encontra-se disponivel no site da escritora no link : Em busca de um narrador

Un peu de lecture…..um pouco de leitura
Primeiro capítulo do romance Nada a dizer.  

Capítulo I
O dia 16 de novembro
No dia 16 de novembro, Paulo abriu os olhos e voltou-se para a nesga de luz que passava pelas duas cortinas – a mais pesada, de um plástico cinza, e a mais leve, de um tecido branco transparente que ficava por cima da outra. Permaneceu assim por alguns momentos, antes de iniciar o preparo para que o resto todo de seu corpo pudesse acompanhar os olhos e sair do quarto escuro, pequeno e já cheio de ruídos: alguém que ligava a televisão no quarto ao lado; o carrinho da arrumadeira, ameaçador, no hall; o tlim do elevador. Primeiro, fez uma inspeção mental básica no estômago e boca. Não, nenhum vestígio do mal-estar da noite anterior, em que depois de comer um X-tudo no bar da esquina, vomitou e cagou a alma. E ao falar para si mesmo essa frase, poderia ter achado engraçado: a alma. Seria oportuno, rá, rá, se livrar da alma na véspera. Mas Paulo não era uma pessoa de muitas reflexões. Isso normalmente. Naquela hora, então, é que não havia de fato lugar para elas. Depois do estômago foi a vez do joelho e, nesse, a inspeção não poderia ser apenas mental. Então Paulo esticou a perna, dobrou e tornou a esticar. Nada de muito ruim. A dor nas costas, com a hérnia de disco, estava como sempre ao acordar: existente. Mas, no decorrer do dia, com os movimentos, tendia a se estabilizar. E, depois disso, como se já se sentisse cansado – e o motivo do cansaço seria, então, o fato de ter joelhos, estômago e costas -, ainda ficou, os olhos agora mirando a escuridão, a ouvir o tique-taque do relógio grande, feio, da mesinha de cabeceira. Ficou ouvindo o tique e o taque e o tique e o taque, em sua previsibilidade, enquanto dava um tempo para que a arritmia se manifestasse. Era o único sintoma de sua cardiopatia, para a qual tomava quilos de remédios cotidianamente.
O dia começava.
Depois, já andando na praia em direção ao Posto Seis, seu corpo e seus mais de sessenta anos ficaram esquecidos. Andar sozinho por cidades desconhecidas era sempre um imenso prazer. Andar de ônibus ou de carro por estradas que o levassem a lugares desconhecidos, mais ainda. O Rio de Janeiro não era desconhecido até bem pouco tempo. Tinha ficado. Saíra de lá, com toda a família, não fazia um mês. Mas se a cidade continuava a mesma, ele já era outro. E entre seus pés e as calçadas, agora surgia uma distância alegre de quem não tem mais nada a ver com aquilo.
Ia, devagar porque tinha tempo, para a casa de um ex-colega de um de seus inúmeros trabalhos. Melhor dizendo, profissões. Não que tivesse buscado isso. Não que em algum momento de sua infância tivesse se dito: vou ser o que pintar, fazer o que me der na telha. Simplesmente aconteceu assim. A vida volta e meia o tirando de uma trilha e o pondo em outra. Nesse caso, a trilha, ou melhor dizendo, a avenida Atlântica, o levava para a casa de um cara chamado Pedro Correa, mais conhecido por Pecê, seu fornecedor de maconha. Entre o Pedro e o Correa, e mesmo depois do Correa, havia mais nomes. Mas Pecê era uma palavra engraçada de ser dita nas salas de mobiliário com design ergonométrico e tapetes grossos da empresa de marketing em que trabalhava. E Pecê ficou. Era um sujeito baixo e gordinho, que morava em um grande apartamento de frente para o mar, com a mulher e, de vez em quando, com um de seus filhos já adultos e independentes, mas que, por um motivo ou outro, pernoitavam com frequência na casa do pai. Era ele o correspondente atual e possível das figuras da juventude de Paulo, todas muito mais fascinantes e românticas, com uma maconha também muito mais divertida e grupal. E, se Paulo fosse dado a pensamentos, aqui também haveria um. Pois o PC, Partido Comunista, para o qual Paulo militara em sua juventude, se via assim transformado em um aposentado rico, que curtia maconha menos do que dizia curtir, e que o fazia porque sentar-se na sala com um ou outro filho, e oferecer um cigarrinho, era sua maior possibilidade de se sentir próximo.
Não havia muito papo entre Paulo e esse seu ex-colega. Tinham trabalhado juntos – não há muito que falar sobre isso, além de um Você tem visto o fulano? Você soube que o sicrano. Quem? O sicrano, aquele do departamento tal. Ah. Pois ele, não sei se você soube. O que tem duração pequena por mais que se esprema. Até que Pecê se levante do sofá, diga o aguardado Vou pegar. E volte logo depois com um pacotinho e um cigarro já preparado na mão, para que fumem um pouco, os dois, conformados ambos de que a proximidade geográfica e aleatória é tudo que há. Ficarão por um tempo encostados no peitoril da enorme janela, vendo o horizonte, ali, imutável, do jeito mesmo que era quando ambos, ainda jovens, levavam, lá embaixo na calçada, uma vida muito diferente um do outro. E, frente a esse horizonte imutável, ambos fumarão essa maconha esforçando-se para que ela também fosse imutável. Ela ajudava-os a imaginar, mais do que o horizonte, que ainda havia, como antes, muito pela frente.
Mas Paulo pousava o peso do corpo ora em uma perna, ora em outra. Para obter a maconha de Pecê, ele precisava compartilhar o clima de Pecê – a janela, os móveis pesados, o apartamento antigo e caro – e Paulo não era essa pessoa.
(Muito do que aqui se está a falar será sobre que pessoa é Paulo.)
Mas Paulo, indo de uma perna à outra sem sair do lugar, falou afinal o que ele tinha para falar, a frase-troféu, a apoteose, o segundo motivo de sua visita:
“Tem uma mulher aí me enchendo o saco, querendo dar para mim.”
Pecê foi mais bem sucedido do que Paulo no emprego da multinacional que compartilharam por alguns anos. Nela, qualquer que fosse o cargo, o importante era ostentar perfil adequado à venda. Marketing. Com seu anelão, conversa mole e profundamente mainstream, Pecê e, aliás, todos seus colegas, eram melhores no papo com os clientes, nas risadas e nas batidinhas nas costas, do que Paulo jamais seria.
Rá, rá, riu Pecê. E deu uma batidinha nas costas de Paulo.
E depois, sério:
“Ah, quando elas se tornam muito insistentes é muito chato mesmo.”
Acabaram de fumar a maconha, agora Paulo se sentindo melhor, os cotovelos encontrando um nicho na madeira do peitoril, um pouco carcomida pela maresia. Paulo sempre tinha querido dizer o que acabara de dizer – e ele virava e revirava a frase na sua cabeça, gostosamente. Nos almoços das quintas-feiras que o grupo organizava no restaurante ali embaixo, havia sempre um ou outro colega que falava de seus casos com mulheres. Rara a semana em que não havia casos novos a serem aludidos, e que eram comentados apenas com frases curtas, jamais perguntas, e sem detalhes concretos, substituídos por risadas, muxoxos e o alcear de sobrancelhas. Paulo nunca tinha tido amantes. Algumas garotas de programas, sim, quando viajara, há muito tempo, com esse mesmo grupo para outras cidades, Brasília, Recife, e principalmente São Paulo. São Paulo, para onde agora tinha se mudado. Estar morando em São Paulo excluía até mesmo de sua imaginação – já que na prática garotas de programa não eram mais uma presença real em sua vida – o rico plantel de boates e putas da rua Augusta, a uma quadra de sua nova casa. Pois era importante para Paulo que seus escapes, como denominava trepadas ocasionais, se dessem em cidades diferentes daquela em que morava. Sentia-se mais seguro assim. Mais fácil de compartimentar, de escondê-las até de si mesmo.
Amante, ia ser a primeira.

(Source : http://vigna.com.br

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

La poétique des valeurs dans la littérature récente pour enfants au Portugal



Soutenance de Thèse

La poétique des valeurs dans la littérature récente pour enfants au Portugal

Fábio Soares da Silva.


Derrière son esthétique naïve, la littérature portugaise pour enfants feint son intention de persuader le sujet lisant d’accepter les valeurs qu’elle véhicule. Le système axiologique des publications récentes nous montre qu’il est possible d’évoquer, à travers une approche simple et ludique, les thématiques triviales, mais également les sujets socialement plus complexes. Notre étude examine comment les livres « socio-réalistes » récents adaptent leur projet idéologique aux particularités d’une littérature succincte. Comprendre la poétique persuasive de la forme exige l’analyse de plusieurs éléments de transmission de valeurs, dès les premiers arguments du paratexte jusqu’à l’étude de l’organisation et des caractéristiques du récit.
La poétique persuasive du fond se fait à travers une approche socio-philosophique. L’exercice consiste, d’abord, à repérer les différents principes culturels imprimés par le texte, pour développer ensuite une réflexion sur leur contribution à la formation des représentations mentales du lecteur. Ainsi, pour chaque valeur, explicitement ou implicitement repérée dans le texte, nous analysons son importance en amont de la rhétorique sociale du pathos, ethos et logos.
La tripartition aristotélicienne, actualisée par le philosophe Michel Meyer, nous sert également à expliquer l’influence de l’extratextuel dans  la légitimation de la valeur du et dans le récit pour enfants. Plus précisément, la rhétorique de la réception du récit comprend l’étude de l’influence du statut du livre pour enfants en tant qu’œuvre pédagogique (ethos littéraire), celle de la logique du fonctionnement du champ littéraire pour légitimer la valeur de l’ouvrage (logos littéraire) et celle de la contribution du genre « socio-réaliste » pour établir un rapport d’empathie avec le lecteur.

Composition du jury:

Maria Graciete Besse, Univ. Paris-Sorbonne, directrice de recherche
Maria Helena Araújo Carreira, Univ. Paris 8
Luísa Álvares Pereira, Univ. de Aveiro
Armindo Teixeira Mesquita, Univ.Trás-os-Montes e Alto Douro



Le 2 décembre à 14h
Maison de la recherche – Centre Serpente/ salle D223

Université de Paris-Sorbonne
28, rue Serpente
75006 PARIS

sábado, 5 de novembro de 2011

Jovens escritores



Sou alguém.....

Sou alguém que não se encontra,
Sou alguém que não se procura...
Esta melancolia obscura que me afronta,
pode num silêncio profundo levar à loucura...

Sou algo de desacreditado,
nesta esfera melancólica pela qual estou rodeado!
Continuo procurando por aí desnorteado...
Encontro que tudo existe, efectivamente errado.

Serei talvez, uma crise de paradigma dominante?
Ou, quem sabe, uma espécie de barreira intransponível!?
Não sei ao certo!

Mas, acredito estar perto!
Sou alguém cuja hegemonia é incognoscível
Sou alguém que permanece eternamente distante...

Luís Alves

Luís Alves é estudante do 3° ano do curso de LLCE da Universidade da Sorbonne e membro da equipe do Blog Estudos Lusófonos. Encontra-se atualmente em Lisboa pelo programa de intercâmbio Erasmus.