quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Tendências e (não)lugares na Literatura Brasileira do século XXI

Regina Silveira, Biscoito ARTE, 1976

Conférence par le Professeur

Ricardo Araújo Barberena
( Pontifícia Universidade Católica/ RS)


Tendências e (não)lugares na Literatura Brasileira do século XXI

le mercredi 04 janvier 2012
salle 14  à 11h00

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 PARIS

A presente conferência busca problematizar os deslocamentos identitários de uma paisagem cultural latino-americana atravessada por plurais processos de afiliação simbólica e afetiva. Nesse sentido, a última década tem-se mostrado especialmente significativa no que se refere à disseminação de escrituras pontuadas por sujeitos-margem, interditados por um ser/estar em migrância e travessia. Como elemento-chave nesse processo de reivindicação de uma identidade nacional descentrada, as narrativas literária contemporâneas introduzem um arcabouço imagético que aponta para confluências identitárias inscritas num contracânone em dissonância em relação aos emblemas de uma cultura nacional unificada. Se admitirmos que essas narrativas se articulam sob uma diversidade cultural que é parte atuante nas diferentes instâncias político-simbólicas, cabe, então, levantar um outro ponto de discussão: qual é a figura de nação que emerge das representações propostas pelo texto/tecido. De imediato, propomos uma resposta: desenha-se uma nação sob a rubrica da travessia. Em incessantes deslocamentos, deflagra-se a constante migração de uma identidade nacional que não pode ser resumida em posições estáveis que essencializem os valores e os significados de uma brasilidade. Afinal, dentre esse manancial diegético e imagético, ecoa uma erosão interna pronunciada através de uma política representacional que se mostra aberta ao reconhecimento das minorias sociais. E aí se desencadeia a travessia entre o “lá e o cá”, o arquivo-olvidado e o rosto renascido. Poderíamos, por conseqüência, apregoar uma hermenêutica da errância: um deslocamento mítico-simbólico que se aproxima do porvir da própria linguagem. Mas essa nação que se move através da sua diferença cultural não deve ser confundida como uma forma de absolutizar a alteridade por intermédio de um aglomerado pluralista e apolítico.

Ricardo Araújo Barberena possui Graduação em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2000), Doutorado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005) e Pós-Doutorado (2009), intitulado "Paisagens limiares na contemporaneidade brasileira: representações da identidade no Cinema e na Literatura", pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (PUCRS). Atuação docente na área de Letras (Teoria Literária), com ênfase em Literatura Brasileira, atuando principalmente nos seguintes temas: identidade, diferença, literatura, nação, identidade, cinema, literatura e cultura. É coordenador do Grupo de Pesquisa Limiares Comparistas e Diásporas Disciplinares: Estudo de Paisagens Identitárias na Contemporaneidade, do Acervo do Escritor Pedro Geraldo Escosteguy/ DELFOS – PUCRS e da Especialização em Literatura Brasileira na PUCRS


Nenhum comentário:

Postar um comentário