sábado, 10 de dezembro de 2011

Séminaire sur José Saramago


Heterodoxias ficcionais e historiográficas no romance saramaguiano: o desejo e a morte em História do Cerco de Lisboa e As Intermitências da Morte

Conférence par Mme la Professeure Cristina Vieira
Université de Beira Interior

Le mercredi 14 décembre 2011
14h-16h/ Salle 22

Institut Hispanique
31 rue Gay-Lussac
75005 Paris

Tendo por título “Heterodoxias ficcionais e historiográficas no romance saramaguiano: o desejo e a morte em História do Cerco de Lisboa e As Intermitências da Morte”, esta comunicação centra-se em dois conhecidos romances, mas distanciados no tempo, de José Saramago, Prémio Nobel da Literatura 1998, conhecido por escrever e pensar a realidade de formas ousadas e inesperadas, ou seja, heterodoxas. O desejo e a morte, termos que ecoam o binómio clássico eros / thanatós, não poderiam escapar ao olhar atento deste romancista, até pelos impactos sociais e políticos que os mesmos envolvem, sendo a sociedade e a política áreas ideológicas em que Saramago se envolve na sua escrita.
A análise intertextual dos romances História do Cerco de Lisboa (1989) e As Intermitências da Morte (2005), de José Saramago, permitem uma abordagem da relação História / ficção que se pauta pela heterodoxia a vários níveis, sendo nosso foco de atenção a ficcionalização da morte, o que passa pela análise de três aspectos, a saber: o modo como a morte está presente nestas duas narrativas, na História e na historiografia (muito particularmente no caso militar de um cerco); a forma de retratar o(s) desejo(s); e os diferentes elos entre a morte e o desejo nos dois romances. Estas são as três grandes linhas desta comunicação, que têm, todavia, como linhas de fuga dois vectores basilares: a problematização do que é transformar o passado em História e a relação paradoxal do Homem com a morte e com o desejo.



Cristina Maria da Costa Vieira (Porto, 1973), é professora do Departamento de Letras da Universidade da Beira Interior desde 2000. Tem a seu cargo cadeiras na área da Literatura Portuguesa (Barroca e Neoclássica, Moderna e Contemporânea), Literaturas Orais e Marginais e Literaturas Lusófonas Comparadas. Doutorou-se em 2005, pela UBI, com tese intitulada «A Construção da Personagem Romanesca: Processos Definidores». Defendeu, em 2000, na FLUP, em Estudos Portugueses e Brasileiros, uma dissertação de mestrado intitulada «O universo feminino d’A Esmeralda Partida de Fernando Campos: o romance histórico como ponto de fuga», e orientada por Mª de Fátima Marinho. Licenciou-se em 1996 em Línguas e Literaturas Modernas – variante Estudos Portugueses e Franceses, pela FLUP. Recebeu o Prémio Eng. António de Almeida em 1998, por se ter licenciado com a nota mais elevada de 1995/96 no seu curso, na FLUP. No âmbito do Departamento de Letras da UBI, coordenou a organização de dois congressos internacionais Relações Culturais Portugal – África, o primeiro, a 4/6/2008 (e de que já saíram actas); o segundo, a 26 e 27/10/2010, que incluiu uma Mostra de Pintura de Malangatana (actas no prelo).
Tem feito comunicações na Universidade do Porto («Do imposto ao exposto, ou a caserna e a alcova em Desnudez Uivante, de Marmelo e Silva», 6/5/2011); na Universidade Nova de Lisboa («Palimpsestos edipianos em A Loja das Duas Esquinas [2009], de Fernando Campos», 5/5/2011; «A Selva, de Ferreira de Castro: o confronto do emigrante com árvores e homens», 25/5/2010, no âmbito do Colóquio Internacional Ferreira de Castro e a Emigração Ontem como Hoje); e na Universidade de Lisboa («Fialho de Almeida e Cesário Verde: encontros e desencontros com o poeta das deambulações», 21/11/2011, no âmbito do Colóquio Internacional Fialho de Almeida). Tem orientado mestrados e doutoramentos, destacando a dissertação intitulada «O processo de caracterização das personagens femininas em Vindima, de Miguel Torga», de Liliana Vieira, galardoada com o Prémio Primeiras Teses atribuído pela FLUC e publicada pelo CLP em 2011 (org. de Osvaldo Silvestre e Ricardo Namora).
Entre os seus trabalhos publicados, destaca A Construção da Personagem Romanesca: Processos Definidores (Lisboa, Colibri, 2008); O Universo Feminino n’A Esmeralda Partida de Fernando Campos (Lisboa, DIFEL, 2002); «A dispersão da personagem romanesca» (Cadernos do CEIL, 1, Set. 2011: 65-82); «A lírica amorosa de Tomás António Gonzaga e Almeida Garrett: um jogo de intertextualidades» (ubiletras, revista em formato digital, 2, Nov. 2011: 198-233); «A Guerra e a Paz, de José-Augusto França» (Colóquio/Letras, 175, Set. 2010: 195-199); «Modas e medos ou romances intemporais: a grande opção» (Colóquio/Letras, 174, Maio/Agosto 2010: 77-82); «Desnudez Uivante» (cap. de O personagem na Obra de José Marmelo e Silva, org. de Arnaldo Saraiva, Porto, Campo das Letras, 2008: 89-119), «Fronteira permeável (1975 – 2005)» (cap. de RELIPES. Relações Linguísticas e Literárias entre Portugal e Espanha desde o Início do Séc. XIX até à Actualidade, Covilhã/Salamanca, Depart. de Letras da UBI/Celya, 2007: 203-25); «Construções singulares em torno do mito sebástico: O Mosteiro, de Agustina Bessa-Luís, e A Ponte dos Suspiros, de Fernando Campos» (Literatura e História Actas do Colóquio Internacional, org. de Fátima Marinho, Porto, FLUP/Depart. de Est. Portugueses e Est. Românicos, 2004, vol. 2: 305-317); e «…que o meu pé prende…, de Fernando Campos, ou o convite onírico à reflexão» (Brotéria, 5, Vol. 155, Lisboa, Nov. de 2002: 401-425); «A dimensão da montanha nos contos de Miguel Torga» (à Beira…, 7, vol. 1, Covilhã/Depart. de Letras da UBI, Dez. 2007: 121-160); «As Noivas de São Bento, de Artur Portela, ou o ditador no seu labirinto» (à Beira…, 5, Covilhã / Depart. de Letras da UBI, Abril 2006: 61-92).

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