quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Brasil de Dilma Russeff: mulheres no poder?


« O Brasil de Dilma Russeff: mulheres no poder? »

 Conférence par le Professeur

Luis Felipe Miguel
(Instituto de Ciência Política/Universidade de Brasília)

le mercredi 11 janvier 2012
salle 22  de 14h00 à 15h30

Institut Hispanique
31, rue Gay-Lussac
75005 PARIS


Do ponto de vista da presença política das mulheres, as eleições brasileiras de 2010 deixaram um saldo ambíguo. Foi eleita a primeira presidente da história e, no primeiro turno, duas candidatas do sexo feminino receberam 7 em cada 10 votos válidos – feitos que, dez anos antes, seriam inimagináveis. Por outro lado, foram eleitas apenas 45 deputadas federais, isto é, menos de 10% da Câmara, quantidade menor do que nas eleições anteriores. Também foram somente duas governadoras eleitas, contra quatro em 2006. As governadoras eleitas em 2010 são a filha e a nora de ex-governadores, isto é, ambas representantes da “velha” forma familiar de acesso das mulheres à política, ao passo que, em 2006, Ieda Crusius e Ana Júlia Carepa sinalizavam a “nova” forma de ingresso, por meio da atuação profissional e em movimentos sociais. Na montagem da equipe ministerial, as pressões partidárias impediram que a nova presidente cumprisse a modesta meta, auto-atribuída, de um terço de mulheres no primeiro escalão. No segundo escalão, o novo governo manteve uma proporção de mulheres ligeiramente inferior à que havia antes, mal ultrapassando o 20%. Além disso, a vitória de Dilma Rousseff cobrou um preço. Desde antes do início da campanha eleitoral, houve a busca deliberada de “suavização” da imagem pública da futura presidente, isto é, de adequação aos estereótipos predominantes, o que incluiu tanto cirurgias plásticas quanto o relevo concedido a suas pretensas características maternais. Mas houve, sobretudo, o triunfo de uma agenda refratária aos direitos das mulheres. A partir do final da campanha do primeiro turno, os candidatos conservadores associaram-se a uma investida religiosa, que impôs uma agenda retrógrada e anatematizou a luta pelos direitos das mulheres, assim como dos homossexuais. Dilma Rousseff viu-se, assim, constrangida a apresentar concessões e a recuar em relação a posições anteriores.

Luis Felipe Miguel é doutor em Ciências Sociais pela Unicamp, professor titular do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, onde coordena o Grupo de Pesquisa sobre Democracia e Desigualdades (Demodê), e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Recnológico (CNPq). Edita, com Flávia Biroli, a Revista Brasileira de Ciência Política. É autor dos livrosRevolta em Florianópolis: a novembrada de1979 (Florianópolis: Insular, 1995); Mito e dicurso político: uma análise a partir da campanha eleitoral de 1994 (Campinas: Editora Unicamp, 2000); Política e mídia no Brasil: episódios da história recente (Brasília: Plano, 2002); O nascimento da política moderna: Maquiavel, utopia, Reforma (Brasília: Editora UnB, 2007); Mídia, representação e democracia (organização com Flávia Biroli; São Paulo: Hucitec, 2010); Coligações partidárias na nova democracia brasileira: perfis e tendências (organização com Silvana Krause e Humberto Dantas; São Paulo: Editora Unesp; Rio de Janeiro: Fundação Konrad Adenauer, 2010); e Caleidoscópio convexo: mulheres, política e mídia (com Flávia Biroli; São Paulo: Editora Unesp, 2011).

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