terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nélida Piñon par Mickaël Carvalho




A língua portuguesa voou por cima dos mares,
Da Europa até a Àfrica
Da Europa até a Índia
Da Europa até ao Brasil.
Estabeleceu-se em todos os horizontes.

Sua expansão não teve limites.
Os cabos foram dobrados
Os mares foram ultrapassados,
As terras foram descobertas e conquistadas.

Os Navegadores deixaram uma língua que permaneceu,
Ao longo do tempo, ao longo do vento
Nos cincos continentes do mundo,
Ela foi, e é, e será... Vencedora do tempo.

Desse tempo que nos mata,
Desse tempo que não nos dá a liberdade de viver.
Desse tempo que ninguém pode controlar.
Esse tempo... A língua portuguesa venceu. 

A língua portuguesa é um feudo forte e lírico ao mesmo tempo; um barco que até hoje singra generoso o Atlântico, ora consolando Portugal, ora perturbando o Brasil, e, porque esta língua tem vocação marítima, entende bem os impropérios do vento, e mais do que qualquer outra se deixa levar pelos sentimentos.”
(Nélida Pinõn,  A Força do Destino)

Poème inspiré librement du roman A força do Destino de Nélida Piñon par Mickaël Almeida Carvalho, étudiant en 2ème année du cursus de Portugais de l’Université de Paris-Sorbonne, membre de l’équipe du Blog Estudos Lusófonos e coordinateur de la rubrique Entrevozes.

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