terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sexo, dinheiro e dom : a figura da prostituta no modernismo brasileiro


O Bordel, Di Cavalcanti, 1930

Conférence avec
Mme le Professeur Eliane R. Moraes
( Université de São Paulo –USP)

SEXO, DINHEIRO E DOM : A FIGURA DA PROSTITUTA NO MODERNISMO BRASILEIRO

le mercredi 16 novembre 2011
14h-16h
salle 22

Institut d’Etudes Ibériques
31, rue Gay-Lussac
75005 PARIS

Sexo, dinheiro e dom: a figura da prostituta no Modernismo brasileiro

Eliane Robert Moraes (USP)

Recorrente no imaginário literário brasileiro, a figura da prostituta se recobre de expressiva relevância nas primeiras décadas do século XX, como evidenciam diversas obras do modernismo. Seja em textos do período imediatamente anterior ao movimento – como é o caso de vários poemas de Augusto dos Anjos, do nosso fin-de-siècle, ou de Madame Pommery, publicado sob o pseudônimo de Hilário Tácito em 1919 –, seja naqueles produzidos no calor da hora – como Os condenados (1922) de Oswald de Andrade, ou Amar, Verbo Intranstivo (1930) de Mário de Andrade –, a presença da prostituta nas artes do período nos induz a pensá-la como uma peça chave da própria formação da sensibilidade modernista do país, em paralelo ao que acontece com uma boa parcela das vanguardas européias.
Mulher da rua, da cidade, da sensibilidade urbana, ela está associada a alguns dos valores mais cultivados pelo Modernismo, uma vez que se relaciona a tudo o que é baixo, do bas fond urbano ao baixo corporal, passando pelo rebaixamento lingüístico. Além disso, a qualidade da troca que a prostituta estabelece com seus clientes reveste-se de particular significado aos olhos dos modernistas, porque um tal intercâmbio não só reforça a lógica mercantil da sociedade moderna, mas também resiste a ela, impondo-se como um enigma. Num mundo organizado segundo os imperativos do capital, a meretriz interroga sem cessar a hierarquia entre o valor de troca e o valor de uso que está na base do capitalismo, ostentando a ambivalente condição de vendedora e mercadoria, como observou Benjamin.
Esta palestra se propõe a refletir sobre as particularidades que constituem a tópica da prostituição no imaginário literário modernista do Brasil. Não se trata apenas de considerar a prostituta como tema privilegiado de um grupo de escritores do período, mas sobretudo de tomá-la como um importante operador simbólico das expressões literárias em questão.

Assista à entrevista da Professora Eliane R. Moraes no link : Erotica Lilteraria Brasileira

Um comentário:

  1. É um tema que aguça a imaginação. No livro "As Polacas", fica claro que, o
    glamour, se é há, fica e ficava para uma minoria de mulheres escravizadas pela própria família.

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