quarta-feira, 18 de maio de 2011

Promessas de pontes em Maria Ondina Braga

A experiência da viagem na obra de Maria Ondina Braga.
Objectos de busca, cruzamentos e desencontros.

Maria Araújo da Silva
Maître de Conférences
Ilustração de Vergilio para o livro
O  meu sentir
Université de Paris-Sorbonne

A experiência das viagens que Maria Ondina Braga empreendeu pela Europa, África e Oriente reflecte-se na maioria dos seus contos, narrativas de viagens e romances, construídos numa permanente oscilação entre memórias e sonhos, impressões e reflexões, real e imaginário. A viagem física inscreve-se, na escrita ondiniana, como elemento desencadeador de incursões pela memória pessoal e colectiva e de uma descida vertiginosa pelos meandros da interioridade. Em torno da temática da viagem, destacam-se ainda as principais linhas de força de um discurso onde o apelo da distância, o fascínio pelo exótico e as representações do Diverso ocupam um lugar central. Em muitas das obras ondinianas, assistimos à representação de um universo povoado de identidades tendencialmente rizomáticas (Deleuze e Guattari) que se cruzam na terra alheia, num contexto de aproximação, concorrendo para o desenvolvimento de uma “totalidade-mundo” (Glissant) tecida de encontros dinâmicos que funcionam como um convite à comparação de culturas, de histórias singulares, de diferentes formas de deslocamento e à reflexão sobre o confronto e a permeabilidade das fronteiras entre identidade e alteridade. Em narrativas marcadamente descritivas que privilegiam a terra e os seres, apresentam-se ora os grandes espaços africanos onde a memória se projecta e o imaginário se dilue, ora o universo exótico oriental (Goa, Macau, Pequim) que representa um campo fértil onde se reflectem experiências erráticas, promessas de pontes ou elementos reveladores de diversas formas de ruptura. Procuraremos finalmente ver de que forma a geografia da distância e as figuras da alteridade funcionam como verdadeiros instigadores de uma busca de identidade levada a cabo por um sujeito inevitavemente confrontado com os meandros de uma interioridade em fuga permanente.

Comunição  no âmbito do II International Conference on Intercultural Studies ISCAP ( 25 – 27 de Maio de 2011)
 Centro de Estudos Interculturais/ Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto

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